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A Violação da Inocência

Março 10, 2010

Falei aqui “Esta Igreja mais parece um «monte de sarilhos»” e aqui “Padres Pedófilos nunca serão afogados” dos abusos sexuais a crianças, praticados por membros do Clero. Falei dos valores obscenos gastos pela Igreja, para comprar o silêncio ou o acordo das vítimas. E falei de uma carta enviada em 2001, por Joseph Ratzinger – ainda antes de ser Papa – a todos os Bispos católicos. Nessa carta era ordenado o silêncio, sob pena de excomunhão, para todas as investigações de abusos sexuais de crianças, e que todos os casos deveriam ser reportados directamente para o seu gabinete. Ratzinger afirmava que a Igreja teria jurisdição perante esses casos, permitindo-lhe efectuar todos os inquéritos à porta fechada, e que teria o direito de manter as evidências confidenciais num período de 10 anos, contado a partir do momento em que o queixoso atingisse os 18 anos de idade. Falei de casos que vieram a público nos EUA e na Irlanda, após várias denúncias das vítimas.

Mariella_Furrer1 «Uma colega de Sheldean Human, uma vítima de 7 anos, violada e morta por Andrew Jordaan, um pedófilo condenado a prisão perpétua por esse crime. Andrew Jordaan foi também condenado pela violação de uma colega de Sheldean Human, com 8 anos» – Foto de Mariella Furrer, Março 2007, Pretória, África do Sul

Nas últimas semanas, ainda Bento XVI tentava lidar com as centenas de denúncias que abalaram a Igreja na Irlanda, quando rebentam novos escândalos. No âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção, Angelo Balducci, um "Cavalheiro de Sua Santidade", assessor de elite do Vaticano e funcionário do governo italiano, foi apanhado em escutas que indiciam o seu envolvimento num escândalo sexual. A polícia gravou um telefonema de Angelo Balducci no qual este requisitava serviços de prostituição homossexual a um dos elementos do coro do Vaticano, Thomas Ehiem, nigeriano de 39 anos, que já confessou ter sido pago por Balducci para aliciar prostitutos.

Depois surgiram revelações de abusos sexuais, repetidos entre 1958 e 1973, nas escolas católicas na Alemanha, nomeadamente no coro dos pequenos cantores de Ratisbona (Baviera), dirigido durante perto de 30 anos pelo irmão do Papa, o bispo George Ratzinger. Um dos rapazes que fez parte do maior coro católico alemão na década de 60, Franz Wittenbrink, garantiu à "Der Spiegel" estar instituído no grupo «um sofisticado sistema de punições sádicas ligadas a lascívia sexual». George Ratzinger, numa entrevista ao jornal "La Repubblica", reconhece ter havido "disciplina e rigor" mas nunca "terror" num coro que procurava "um alto patamar artístico e musical". E, prontificando-se para testemunhar sobre o caso, negou alguma vez ter tido conhecimento dos crimes de pedofilia na instituição que liderou durante 3 décadas. Esse desconhecimento dos factos por George Ratzinger, levou Franz Wittenbrink a afirmar «todos sabíamos e não posso entender como o irmão do Papa, que dirigia a capela desde 1966 não podia estar a par». Nos últimos dias surgiram outras duas revelações: a de sevícias de padres da escola beneditina de Ettal, Munique, sobre uma centena de rapazes nas décadas de 1950, 70 e 80; e a denúncia de abusos na escola dos franciscanos capuchinhos de Burghausen, nos anos 1980.

Mariella_Furrer2 «Em Joanesburgo, uma Pediatra examina uma menina de 2 anos e meio, que foi sexualmente abusada por um homem a viver na sua casa» – Foto de Mariella Furrer, Novembro 2002, África do Sul

Todos estes escândalos têm estado a manchar a imagem da Igreja, abalando as fundações e criando um indisfarçável mal estar. O cardeal Walter Kasper, um colaborador próximo do Papa, numa entrevista ao jornal La Repubblica, disse «Já chega. É preciso fazer a limpeza na nossa Igreja». Na sua opinião, a "limpeza" na Igreja terá de passar pela condenação dos culpados de actos de pedofilia e pela indemnização das vítimas. Na Alemanha, a ministra da Justiça acusou a Igreja Católica de ter impedido a investigação de abusos sobre crianças, ao levantar um "muro de silêncio" sobre casos que agora estão a ser denunciados. Na Áustria, foram também revelados presumíveis abusos em duas instituições religiosas, nos anos 1970 e 1980, e na Holanda a hierarquia católica acabou de anunciar um inquérito "vasto, externo e independente" a quase 200 350 denúncias feitas este mês.

É uma bola de neve que transtorna crentes e não crentes, e que arrasta a Igreja para uma crise profunda. Entre a opulência dos altos cargos do Clero, aos escândalos de pedofilia, são vários os pecados que deveriam levar a Igreja Católica a reflectir e agir com determinação, para que possa ter um futuro promissor neste Séc. XXI. Mas como bem disse o porta-voz do Vaticano, padre Frederico Lombardi «Concentrar apenas as acusações na Igreja leva a falsear a perspectiva». De facto, a pedofilia é um problema global, que de forma alguma está apenas restrito à Igreja Católica.

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Mariella_Furrer0 .

Mariella Furrer, de nacionalidade Suíça/Libanesa, nasceu em Beirute em 1968 e viveu sempre em África toda a sua vida. Tem vindo a trabalhar como fotojornalista freelancer, sobretudo entre o Quénia e a África do Sul. No seu trabalho, consta uma Menção Honrosa do Unicef Photo of the Year, 2005. Tem trabalhado com a UNICEF, a Fundação Bill & Melinda Gates Foundation, ACNUR, MSF (Médicos Sem Fronteiras), entre outros, e seu trabalho tem aparecido em publicações como Time, Newsweek, Life, The New York Times, Marie Claire, Outside Magazine, Talk Magazine, Paris Match, Der Spiegel.

Nos últimos 7 anos, Mariella Furrer documentou o abuso sexual infantil na África do Sul. A colecção de fotografias, entrevistas, artigos e restante material, será publicado num livro a ser publicado em 2010. Um projecto que a afectou bastante, emocionalmente, espiritualmente e fisicamente, obrigando-a no final dele a procurar ajuda médica. Fotografar crianças, vítimas de abusos sexuais na África do Sul, seria um trabalho difícil de aceitar e efectuar por qualquer pessoa, só que, Mariella Furrer foi também ela uma vítima de abusos sexuais. Para efectuar este projecto, ela passou grande parte do tempo a observar as entrevistas conduzidas pela polícia sul-Africana, as crianças que relataram os abusos.

Um número estimado de 50 violações em crianças é reportado diariamente na África do Sul, mas os advogados defensores dos direitos das crianças acreditam que o número real possa ser muito superior. Segundo Furrer, num dia normal, entre 2 a 8 crianças visitam a esquadra local da polícia para reportar um abuso. Nas entrevistas para o seu livro, um homem de 39 anos, que tinha sido abusado na sua infância por diversos homens, disse-lhe «Parte de mim morreu há muitos anos atrás. Estive de luto a minha vida inteira».

“The initial consent has always come from a guardian of the child,” she said, “but then I have always explained to the child that I am working on a story about the bad things that people do to children, that it also happened to me and that I really hope that one day showing these photos to people will help to stop this happening to other children.”, Mariella Furrer

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Mariella_Furrer3 «Uma rapariga de 8 anos mostra a cicatriz de uma ferida causada por uma faca. Ela foi violada, sodomizada, estrangulada e apunhalada no coração e pulmão. Apesar dessas feridas profundas, ela conseguiu esconder-se nos arbustos, onde esteve 12 horas à espera de uma oportunidade para fugir para uma estrada, acabando por ser encontrada por populares» – Foto de Mariella Furrer, Julho 2005, Mitchell’s Plain, Western Cape, África do Sul

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Mariella_Furrer4 «A Clínica "Teddy Bear" para crianças abusadas» – Foto de Mariella Furrer, Novembro 2002, Joanesburgo, África do Sul

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Mariella_Furrer5 «O funeral de Sbongile, uma criança de 3 anos que foi violada e assassinada em Dezembro de 2003. O funeral teve de ser adiado porque a família não tinha dinheiro para o pagar. Foi então que uma funerária local decidiu fazê-lo de graça» – Foto de Mariella Furrer, Soweto, Joanesburgo, África do Sul

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Mariella_Furrer6 «Uma rapariga de 10 anos recebe um abraço de Tinka Labuschagne, funcionária do ministério da Educação. Tinka foi chamada à escola depois da menina confessar a um professor que o seu irmão e mais dois amigos abusavam sexualmente dela desde que ela tinha 6 anos. Suspeitou-se que ela estivesse a sofrer de Gonorréia» – Foto de Mariella Furrer, Thembisa, África do Sul

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15 comentários leave one →
  1. Março 10, 2010 5:26 pm

    «The German Bishops Conference is to lead an investigation into allegations of the sexual and physical abuse of more than 170 students in Germany. The probe will include examining claims of sexual abuse at a choir once led by Georg Ratzinger, the brother of Pope Benedict XVI.»
    German bishops to probe ‘abuses’

  2. Claudette permalink
    Março 10, 2010 8:17 pm

    Todos sabemos que existem inúmeros casos destes pelo mundo, infelizmente. Mas ainda consigo ficar mais triste ao ver essa realidade nestas imagens. Será que nos tornámos mais animais que os animais? Estamos num mundo cada vez mais doente sem dúvida.

    • Março 10, 2010 8:45 pm

      Claudette, nós estamos numa época em que as denúncias começam a surgir. O assustador é pensar que durante 20, 30 anos, todos os casos de abusos foram cometidos a coberto de silêncio protegido ao mais alto nível, seja no seio da Igreja ou da sociedade em geral.
      Aquelas imagens são uma versão mais ‘soft’ do trabalho da Mariella Furrer. Existem outras mais chocantes, ou mais perturbadoras. O que me chocou no trabalho dela foram os números. Estamos a falar de mais de 15.000 abusos sexuais de crianças, cometidos todos os anos na África do Sul. Sem dúvida, um mundo doente.

  3. Paula permalink
    Março 10, 2010 9:10 pm

    Eu sou católica…mas uma católica extremamente zangada com a igreja. Aliás , eu considero a Igreja e não a religião culpada da falta de valores que hoje impera no mundo.

    A religião serviria para moldar a moral humana …não existindo uma filosofia universal e aceite para parametrizar essa moral , a religião seria uma optima base para erguer os valores humanos. Não é isso que se passa , com base na religião se comentem crimes e existe guerras…

    Quanto á pedofilia…é o mais vergonhoso crime . Aliás, nem considero que seja uma atitude animal , nem os animais cometem estes crimes .

    Mas tenho que agradecer á globalização, pela rapidez da informação , pela divulgação de casos , pelos alertas , que vão descobrindo e retirando o véu á pedofilia . A discussão do tema , a divulgação dos casos , deixa um sinal de alerta aos pais , educadores e á população em geral . Mas continuo a considerar que é um tema não debatido , não discutido , não estudado…ainda existe resistencia em aceitar que existe , que é uma realidade e que a discussão do tema é meio caminho para parte da solução…mas infelizmente tenho que ser realista …nunca vai terminar , enquanto os seres humanos avançarem para o vazio de valores , sempre existirá…

    Considerei as fotos impressionantes…como mãe , mulher e ser humano . E sei que não são as piores…

    Paula

    • Março 10, 2010 9:37 pm

      Paula, eu acho que defines bem esta questão na frase «Aliás , eu considero a Igreja e não a religião culpada da falta de valores que hoje impera no mundo», porque é precisamente da Igreja que surgem os piores exemplos, contrários ‘às leis’ da Religião.
      Ainda hoje lia este artigo, de um jornalista que se fez passar por uma miúda de 14 anos numa rede social. E em menos de 90s já estaria a ser assediado(a) por um tipo de meia idade. Uma reportagem feita na sequência de um caso passado há dias, de uma rapariga que foi assediada no FB, acabando por ser brutalmente violada e assassinada. E cito:
      Anyone who knows what an adventure playground social networking sites offer paedophiles would only be surprised that such tragedies don’t occur more often.
      For the internet is full of people with sexually deviant desires – the level of danger goes way beyond even the most worried parent’s imagination.
      Child sex offenders existed before the internet, but with the inviting, anonymous environment such sites provide, they have greater access and opportunity, which they exploit all too readily.

      Se puderes, espreita o site desta fotógrafa, no link que eu coloquei no texto. Tem fotos muito interessantes de África

        • Março 12, 2010 9:01 am

          Joao, agradeço a correcção. Transcrevo do artigo:
          «O Facebook ameaçou processar o Daily Mail por danos, após o jornal ter publicado na quarta-feira uma notícia que referia que “qualquer rapariga de 14 anos que crie um perfil no site está a poucos segundos de distância para ser abordada por homens mais velhos que queiram realizar um acto sexual à sua frente”.
          O jornal desculpou-se pelo deslize na edição online de hoje, mas o jornalista que assinou a peça, Mark Williams-Thomas, insistiu que os editores sabiam que a notícia não era verdadeira, mas decidiram publicá-la assim mesmo, sem confirmar a informação.
          Mas a gigante rede social, que conta já com mais de 23 milhões de utilizadores no Reino Unido, adiantou que “embora o jornal tenha mudado o título da notícia no site”, os motores de busca continuaram a abir o link para a primeira notícia publicada, intitulada “Ei posei para o Facebook como uma rapariga de 14 anos – o que se segue vai deixá-lo enojado”.
          Um porta-voz da empresa americana confirmou hoje que a rede social está a considerar avançar com um processo-crime contra o jornal britânico, sob uma queixa de “danos morais e materiais”.
          »
          De qualquer forma, isto não invalida que se tenham de ter todos os cuidados no que diz respeito a acessos à Internet pelos mais novos.

  4. Março 10, 2010 9:25 pm

    Eu quero que a Igreja, aqui considerada na sua constituição humana, devidamente hierarquicamente organizada, se lixe. Desde o Papa até ao seminarista, são uma corja de idiotas que deviam saber, se não sabem mesmo, que o sexo é fundamental na vida do ser humano. Depois vêm estas aberrações, A minha maneira de lidar com Deus é directa, sem intermediários, que podem ser tão ou mais pecadores que eu…

    • Março 10, 2010 9:57 pm

      Pinguim, são demasiados casos. E se tudo começou nos EUA, onde a Igreja gastou várias centenas de milhões de dólares em acordos sobre abusos sexuais praticados por membros do Clero, em pouco tempo, as denúncias já atravessaram o Atlântico, em países como a Irlanda, a Alemanha, a Áustria e a Holanda. E como é óbvio, os tentáculos do Polvo serão bem mais abrangentes. O que frusta é que esses «intermediários» e altos cargos da Igreja deveriam estar todos atrás das grades, a pagar pelos seus crimes obscenos. O problema foi que os crimes andaram sempre a ser abafados, e os criminosos a serem transferidos de paróquia em paróquia como forma de esconder os seus crimes

  5. Março 11, 2010 10:49 am

    Cardeal próximo do Papa admite que celibato tem que ser discutido
    «O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, afirmou que a Igreja Católica deve examinar o tema do celibato eclesiástico na procura de explicações para os actos de pedofilia cometidos por membros do clero. A declaração do cardeal surge tanto mais importante quanto Schönborn é considerado um homem próximo do Papa Bento XVI»

  6. Março 12, 2010 9:14 am

    Áustria: padres demitidos após acusações de abuso sexual
    «Três padres de um mosteiro no Norte da Áustria foram demitidos após terem sido acusados de abusos sexuais a alunos na década de 80, tendo o diário Der Standard indicado que as vítimas integravam o coro dos Pequenos Cantores de Viena. O caso surge após outras demissões e suspensões de vários religiosos, na sequência de uma série de revelações sobre abusos sexuais, desde 09 de março na Áustria.»

  7. Março 12, 2010 10:29 am

    É uma vergonha…uma dolorosa e contínua vergonha. A Igreja cada vez mais surge como uma empresa que monopoliza os seus interesses, abafa informações e é detentora de ‘segredos’ perigosos, como este. É revoltante ler coisas como estas…e continuarem a existir notícias destas e a serem divulgados casos – e quantas situações são desconhecidas e nunca denunciadas…é nojento e vergonhoso.
    A minha fé nada tem a ver com uma instituição desta índole…nem nunca terá.
    Quanto à questão do Facebook, quem fala em facebook também fala em hi5..orkut e outros.. e, apesar de a notícia ser lançada sem ‘provas’… ninguém precisa de provas para saber quem há uma grande probabilidade de isso poder acontecer; e cada vez mais.
    Há uma falta de controlo enorme sobre os conteúdos escritos e publicados online por adolescentes/outras ‘inocentes’/crédulas pessoas … Não fazem mesmo ideia do tipo de pessoas que por aí anda. No entanto, uma miudita publicar uma foto toda produzida de bikini ou em poses sensuais… óbvio que suscita interesse a pessoas e nem todas com boas intenções. Mas sem controle e sem alertar as pessoas para este problema, a situação fica difícil e tende a piorar..
    Beijo

  8. Março 13, 2010 3:39 pm

    Mexeram no fundo e agora a trampa começa a vir toda à tona
    Ratzinger poupou sacerdote pedófilo
    O escândalo de abusos sexuais alastra com a revelação diária de novos casos, e agora atingiu o próprio Papa Bento XVI. Segundo o jornal alemão ‘Sueddeutsche Zeitung’, um sacerdote alemão que obrigou um menor de 11 anos a praticar sexo oral em 1980 foi transferido de Essen para Munique, onde depois de se submeter a uma terapia foi autorizado a regressar ao trabalho pastoral. Tudo isto se passou quando Joseph Ratzinger, actual Papa, era arcebispo de Munique e Freising.
    Ratzinger, que foi arcebispo de Munique entre 1978 e 1981, era responsável, pelo menos teoricamente, pela atribuição de missões e pela transferência dos sacerdotes e, segundo o jornal, esteve envolvido na decisão de manter no vicariato o sacerdote abusador, identificado apenas como ‘H’.

  9. paula kiliçlar permalink
    Março 14, 2010 8:59 pm

    Tempos atras vi um documentario ” Deliver us from evil” que recomendo vivamente ver.

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  1. Revisitar o “Ma Ke Jeto, Mosso” em 2010 « Ma Ke Jeto, Mosso

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