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“Armas ou Manteiga”

Março 11, 2008

Na Economia, a expressão tradeoff define uma situação em que existe conflito de escolha. Caracteriza-se por uma acção económica que procura a resolução de um problema, acabando essa acção por originar outro problema, obrigando assim a uma escolha. Um tradeoff clássico sucede entre Armas e Manteiga. Quanto mais se gasta em armas (Defesa Nacional), menos se pode gastar em manteiga (bens de consumo), mas há a necessidade de se gastar em armas para proteger a produção de manteiga.

Em 1936, o ministro da Propaganda Nazi, Joseph Goebbels, afirmava num discurso «We can do without butter, but, despite all our love of peace, not without arms. One cannot shoot with butter, but with guns». Nesse mesmo ano, Hermann Goering apresentava uma versão bem pessoal deste tradeoff «Guns will make us powerful; butter will only make us fat».

Até onde deverá ir o investimento na Defesa Nacional? São admissíveis cortes em áreas sociais para se conseguir alimentar a sedenta máquina de guerra? Podem os ‘inimigos’ beneficiar com investimentos nacionais? Quantos lucram com os negócios das armas?

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Números de referência

Ao longo deste texto irá ler valores verdadeiramente astronómicos, com números seguidos de muitos zeros. Para uma melhor percepção dessas quantias, eu apresento uns valores que poderão servir de referência.

– Ajuda de Portugal às vítimas do Tsunami, 11 milhões de euros

– Contrato do Ronaldo até 2012, 42 milhões de euros

– Maior prémio do Euromilhões, 120 milhões de euros

– Fortuna de Américo Amorim, o homem mais rico deste país, 4.500 milhões de euros

– Futuro Aeroporto em Alcochete, incluindo acessos, 6.000 milhões de euros

– Fortuna de Warren Buffet, o homem mais rico deste planeta, 41.000 milhões de euros

– Em 2006, segundo o INE, o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 155.000 milhões de euros. Em 2010 estima-se que o PIB atinja os 180.000 milhões de euros.

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A Corrupção Nacional

Em Setembro de 2006, na sequência de uma investigação da PJ, foi decretada a prisão preventiva ao capitão-de-fragata Clélio Dinis Ferreira Leite, suspeito de corrupção para acto ilícito. Ao capitão-de-fragata António José Dionísio e ao sargento-ajudante Manuel Tiago Andrade de Sousa, foi aplicada a suspensão de “função pública”. Por fim, os civis dois civis Wilfrid H. Burke (norte-americano) e André Canto e Castro, foram libertados mediante o pagamento de cauções, 300.000 e 75.000 euros, respectivamente, e apresentações semanais às autoridades.

Wilfrid H. Burke, é dono de uma empresa de instrumentos de navegação aeronáutica (Cinave), e Canto e Castro preside à Ortsac, que representa fabricantes de armas. Clélio Dinis Ferreira Leite era responsável pela Divisão de armamento da Direcção de Navios da Marinha Portuguesa.

O alegado esquema de corrupção na Marinha terá assentado numa relação entre intermediários do negócio de armamento e militares que davam pareceres técnicos sobre as aquisições

O esquema só foi deslindado em 2006 pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF), uma vez que eram várias empresas a ganhar os concursos de fornecimento de material. O que despistava quaisquer suspeita de corrupção ou tráfico de influências. Isto deve-se ao facto de, uma vez que não há produção nacional de armamento, os intermediários representarem várias empresas estrangeiras. E nos documentos dos concursos, apenas figurava o nome daquelas e não dos intermediários.

Diga-se que Clélio Dinis Ferreira Leite não escondia sinais evidentes de riqueza, como era o caso do Mercedes avaliado em 120.000 euros. Ele não justificava essa riqueza com o seu ordenado inferior a 2000 euros mensais, mas afirmava possuir uma empresa e ser oriundo de famílias com bens materiais. Além disso, também dizia ser sobrinho da ex-ministra Manuela Ferreira Leite, e por isso, ser pessoa bem colocada no PSD. Conclui-se depois que todas estas justificações eram falsas. No total, este militar terá recebido 320.000 euros de ‘luvas’.

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Fuzileiros

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Na sequência deste caso, todos os processos administrativos de fornecimento de armamento das fragatas da classe Vasco da Gama, dos últimos dez anos, foram colocados sob suspeita.

Três lóbis privados a actuar no negócio das contrapartidas do reequipamento das Forças Armadas, as empresas portuguesas Escom e Vilsen e a empresa israelita Cois. Quanto ganharam estes intermediários?

– Compra de 2 submarinos (973 milhões de euros). A Escom representou o consórcio alemão vencedor. Terá ganho entre 25 a 59 milhões de euros

– Aviões C295 (274 milhões de euros). A Vilsen representou a espanhola EADS-Casa. Terá ganho entre 8 a 19 milhões de euros

– Torpedos (46 milhões de euros). A Cois representou a italiana WASS. Terá ganho entre 1,4 a 3,2 milhões de euros.

Estes foram os lucros de lóbis a operar num país onde o valor total do investimento do Estado na modernização das Forças Armadas até 2023 (não é por ano) será de ‘apenas’ 5.500 milhões de euros. Mais adiante veja quanto é que os EUA gastam por ano no seu orçamento de defesa.

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A Europa ganha nas terras do ‘Tio Sam’

No passado mês de Fevereiro, o secretário da Força Aérea Americana anunciou a muito esperada decisão de escolha de uma nova aeronave para reabastecimento aéreo, para substituir os actuais Boeing-707 e Douglas DC-10m, convertidos em aeronaves-tanque e ainda em serviço.

Numa decisão inédita, pelo facto do vencedor ser um concorrente fora dos EUA, o contrato foi atribuído ao consórcio entre a Northrop Grumman (120.000 trabalhadores em 25 países) e a European Aeronautic Defence and Space Company (EADS) (116.000 trabalhadores) responsável pela execução do Airbus.

Em causa estava um dos maiores contratos dos últimos tempos, promovido pelo Departamento de Defesa dos EUA, num valor aproximado de 23.000 milhões de euros, ao longo dos próximos 15 anos. A escolha do Airbus representa uma encomenda para apenas quatro aeronaves, mas o contrato prevê a aquisição de 64 unidades, num programa que deverá chegar até 179 aviões e que se prolongado pode atingir até 600 unidades.

A aposta da EADS foi um Airbus A330, modificado com características militares, incluindo sistemas passivos de defesa, que vão permitir ao avião operar em áreas onde até ao momento não é possível operar. A sua capacidade de trasnporte de combustível é bastante superior aos modelos actuais e terá a capacidade para abastecer simultaneamente até duas aeronaves, podendo ele próprio ser reabastecido em voo por outras aeronaves do mesmo tipo, sendo assim uma peça fundamental nos cenários de guerra.

A tentativa de uma empresa europeia entrar no maior mercado de defesa do mundo, parecia à partida votada ao fracasso. Normalmente a preferência também se joga no campo político, com pressões no senado e na câmara dos representantes por parte de deputados e senadores que querem garantir encomendas para as empresas que têm fábricas nos seus respectivos estados.

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Ilustração de um A330 a abastecer um B-2

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Porém, a Airbus, de forma bastante inteligente, propôs-se montar grande parte dos A330 nos EUA, em cooperação com a Northrop Grumman, reduzindo assim os custos associados aos valores de exportação, resultantes de um euro cada vez mais valorizado face ao dólar. Por outro lado, a montagem deste avião em Mobile, no estado de Alabama, irá empregar 25.000 trabalhadores em cerca de 230 empresas americanas.

O grande derrotado? O gigante Boeing, que apostou no modelo 767 modificado com características militares, mas com um custo bastante elevado. Em 2002, a Força Aérea Americana havia celebrado um negócio com a Boeing no valor de 23.000 milhões de dólares para o fornecimento de 100 aeronaves-tanque. Porém, o negócio foi declarado inválido após várias alegações de fraude, tendo sido presos dois directores da Boeing. As pressões políticas sobre este negócio foram conduzidas pelo actual candidato republicano à Casa Branca, John McCain.

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Um problema de desactualização

Se os computadores ficam rapidamente desactualizados, graças aos constantes desenvolvimentos de hardware e software, o mesmo sucede às armas modernas, dotadas de tecnologia de ponta. A última vítima dos avanços da tecnologia é o ‘herói’ da Guerra do Golfo, o caça-bombardeiro «invisível» F-117 Nighthawk da Força Aérea dos EUA, com um custo por unidade de 122 milhões de dólares.

Nos últimos dez anos, os desenvolvimentos na tecnologia que permite reduzir a identificação destes aviões perante os radares foram enormes. O bombardeiro B-2, muito maior que este F-117, acaba por ser mais imperceptível nos radares. Por outro lado, a nova coqueluche da aviação americana, o F-22 Raptor, é muito mais eficiente perante os radares inimigos, a sua capacidade de transporte de armas é superior e não apresenta as limitações do F-117, como velocidade subsónica ou incapacidade de utilizar radares para guiar armas. Refere-se que é este F-22 Raptor que os EUA querem por a voar livremente sobre as águas dos Açores, em testes de voo a baixa altitude, desde que Portugal aceite um novo contrato para as Lajes.

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F-117 Nighthawk

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Assim, aquele que já foi um Ferrari da aviação é agora considerado um ‘veículo de gama baixa’. Quando o avião é suposto ser «invisível» e passa a ser identificado de forma fácil, sem possibilidade de voar a velocidades supersónicas, as hipóteses de ser abatido passam a ser grandes. Assim, o melhor é mesmo guardá-lo numa área reservada, no deserto. E será isso que vai acontecer nos próximos tempos à frota dos 55 F-117 dos EUA, tendo sido já retiradas de serviço as primeiras 6 unidades.

Resta dizer que as novas coqueluches, os F-22, representam um investimento global de 62.000 milhões de dólares. Interessados em comprá-los? Japão, Israel e Austrália. No entanto o congresso americano já definiu que estes brinquedos não são para venda.

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Quando a ajuda ao amigo Israelita acaba na China

Desde 1990 até 2000, a ajuda militar dos EUA a Israel atingiu os 18.000 milhões de dólares. Mais nenhuma nação tem uma relação assim tão próxima com a indústria militar americana. Desde os mais sofisticados aviões a helicópteros, sistemas de artilharia, veículos blindados ou mísseis, os EUA são o Centro Comercial preferido dos Israelitas. Só em 2001, os EUA venderam a Israel cem aviões F-16 de última geração, num valor total superior a 3.000 milhões de dólares.

O problema é que este excelente cliente da indústria da defesa americana utiliza a tecnologia disponível nos produtos que adquire para desenvolver novos produtos militares, acabando por os vender a nações que costumam ser hostis face aos interesses dos EUA. Na lista de clientes do armamento israelita cita-se, Cambodja, Etiópia, Índia, China, entre outros. Nesta lista, o problema surge com o facto de Israel ser o segundo maior fornecedor de armas à China.

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F-16

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O novo exemplo do desenvolvimento da tecnologia da aviação Chinesa, o caça J-10, é uma versão bastante semelhante ao caça Lavi, um produto da tecnologia da aviação Israelita. Esse caça Lavi, tinha sido desenhado com base no F-16 americano e seria produzido por Israel. O projecto foi cancelado em 1987, apesar de os EUA terem investido 1.500 milhões de dólares nele. Por fim, a China tem no Paquistão um grande cliente e já celebrou um contrato para o fornecimento de 2 esquadrões de caças J-10, num valor total de 1.500 milhões de dólares.

E são os clientes da China que acabam por preocupar os EUA. Em 1996, a China vendeu 100 mísseis ao Irão, bem como aviões e navios de guerra. Em 1997, o Iraque tinha desenvolvido mísseis com base em tecnologia adquirida à China, que por sua vez tinha sido adquirida a Israel, que por sua vez…

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Alguns investimentos de ‘primeira necessidade’

Recentemente a China anunciou as suas intenções de aumentar as despesas militares para 2008 em 18%, para um valor total de 59.000 milhões de dólares. Mesmo antes deste anúncio, o Pentágono tinha publicado um relatório onde afirmava que a verdadeira despesa em 2007 da defesa Chinesa teria sido o dobro da anunciada, num valor entre 97.000 e 139.000 milhões de dólares.

Em Fevereiro, a Rússia anunciou as suas intenções de efectuar investimentos de biliões de dólares na sua indústria da defesa, com destaque para a força aérea. O objectivo passa por construir 6.000 novos aviões militares e civis, e ganhar 15% do mercado global da aviação.

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Um SU-30, de fabrico Russo, ao serviço da Força Aérea da Venezuela

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A Índia anunciou a intenção de renovar o seu arsenal militar, ainda da era Soviética, prevendo gastar um total de 45.000 milhões de dólares nos próximos cinco anos. Esse anúncio levou o secretário da defesa dos EUA a Nova Deli, com o objectivo de promover um contrato para o fornecimento de caças de combate, representando uma fatia de 10.000 milhões de dólares. O que não faltam são concorrentes a este negócio e os EUA terão de provar serem vantajosos sobre os rivais russos ou europeus. Mas importa referir um aspecto importante. O aumento no orçamento de defesa indiano foi feito à custa de cortes em áreas como a Saúde ou a Educação, num país onde 77% da população (sobre)vive com menos de 25 rupias (32 cêntimos) por dia.

Em 2007, numa visita de Chavez a Moscovo, foi assinado um contrato para o fornecimento de 5 submarinos, representando um investimento de 657 milhões de euros. Em 2006 a Venezuela já tinha às compras na Rússia, tendo adquirido 24 Sukhoi-30, 34 helicópteros e 100.000 Kalashnikovs, tudo num valor superior a 2.500 milhões de euros.

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Falando em Submarinos

Lembra-se da muito falada compra de dois submarinos feita por Paulo Portas quando era ministro da Defesa? Uma compra que o mesmo se orgulhava por ter sido em regime de Leasing? Pois bem, segundo uma notícia de Janeiro deste ano, o registo contabilístico da despesa com a compra dos dois submarinos vai ‘rebentar’ com o défice orçamental em 2010. Como estes navios são entregues a Portugal em 2010, o Governo é obrigado, segundo o Eurostast, a registar nesse ano os 973 milhões de euros, com juros incluídos, gastos na sua aquisição. Como o custo dos submarinos representa 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010 o défice das contas públicas aumentará de 0,4 por cento, previsto no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), para 0,9 por cento.

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Conheça o futuro U209PN

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Além disso, segundo várias fontes conhecedoras do meio militar, os custos de manutenção serão elevados ao longo dos 32 anos de período de vida útil daqueles navios. Mas neste momento, o Ministério da Defesa não celebrou nenhum contrato de manutenção para os submarinos e desconhece a despesa que tal implicará nos próximos anos.

Importa dizer que o Paulo Portas até tinha tomado uma boa opção ao decidir pelo Leasing. O problema é que o Eurostat alterou as regras por não existir uma uniformização na forma de registo do equipamento militar adquirido em leasing. Agora, segundo o Eurostat, o equipamento militar construído em vários anos tem impacto no défice na data de entrega do produto final.

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O Rei de “Armas ou Manteiga”

Se os valores que leu antes são difíceis de aceitar quando se observa tanta miséria no mundo, então prepare-se para ler valores verdadeiramente obscenos.

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2006 – «O Pentágono prevê uma “longa guerra” contra o terrorismo, referindo ser necessário adaptar o exército americano às ameaças não convencionais e reforçar os efectivos nas forças especiais» Estávamos em 2006 quando estas conclusões foram incluídas no relatório de Defesa, apresentado a cada quatro anos ao Congresso dos EUA. Nos dias seguintes, George W. Bush iria apresentar o orçamento da Defesa para 2007. Era proposto um valor de 439.000 milhões de dólares (293.000 milhões de euros ou quase o dobro do nosso PIB) e representava um aumento de 5% face a 2006. Este valor não incluía um adiantamento de 50.000 milhões de dólares que Bush iria pedir para financiar a guerra no Iraque e no Afeganistão em 2007. Em 2006, a Administração Bush acreditava que os custos da guerra iriam ascender a 120.000 milhões de dólares.

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2007 – Em Fevereiro, o Departamento da Defesa apresentava a sua proposta de orçamento para 2008, num valor de 481.000 milhões de dólares. Desta vez era pedido um suplemento para as guerras do Iraque e Afeganistão no valor de 93.000 milhões de dólares, sob pena da máquina de guerra parar em Abril. E para não haver surpresas, a estimativa desse suplemento para 2008 atingia os 142.000 milhões de dólares.

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2008 – Para não variar, no passado mês de Fevereiro e na véspera da Super Terça-feira das directas americanas, Bush apresentou o orçamento para o ano de 2009. No que diz respeito à parcela proposta pelo Pentágono, o valor atinge um valor recorde de 515.000 milhões de dólares e representa um aumento de 7,5% face a 2008. Para compensar este aumento, a administração Bush cortou ou reduziu muitos programas domésticos, sendo os mais significativos os que envolvem o Medicare – o plano de saúde federal para reformados – e o Medicaid, um programa que fornece cobertura de saúde para cidadãos americanos de baixos rendimentos. O Medicare vai perder 178.000 milhões de dólares e o Medicaid 17.000 milhões de dólares.

E para não variar, existe mais um suplemento de 70.000 milhões de dólares para as duas guerras do costume, a ser aplicado nos primeiros meses de 2009.

Este será um possível orçamento que irá estar à disposição de Hillary Clinton, Barack Obama ou John McCain.

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O verdadeiro custo da Guerra?

Joseph Stiglitz, vencedor em 2001 do Nobel da Economia, e Linda Bilmes, publicaram recentemente um livro com o título “The Three Trillion Dollar War” onde demonstram o verdadeiro custo da invasão e ocupação do Iraque e Afeganistão. No livro, Stiglitz e Bilmes afirmam que as duas guerras devem custar perto de 845.000 milhões de dólares até Setembro de 2008. Estes gastos não contam apenas as operações militares, mas incluem custos com embaixadas, reconstrução e outros gastos relacionados. Esse valor supera largamente os 670.000 milhões de dólares (a preços de 2007) gastos em 16 anos de guerra no Vietnam.

Para os autores do livro, em 2008, a guerra no Iraque apresenta um custo mensal de 12.000 milhões de dólares. Num cenário conservador, estimam que mais dez anos de ocupação do Iraque e Afeganistão possam custar entre 1.700.000 a 2.700.000 milhões de dólares (lembra-se do valor do nosso PIB?). Esta é a perspectiva mais conservadora, já que num outro cenário o valor poderá chegar aos 5.000.000 milhões de dólares.

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A manteiga chega para todos?

Em Fevereiro de 2003, o congressista republicano Dennis Hastert, era questionado sobre o facto de os custos da guerra no Iraque poderem provocar cortes na despesa federal em programas sociais. A sua resposta? «If you have to pay for guns, you can’t pay for all the butter».

Nesse ano, a verba que o Congresso tinha disponibilizado para a ajuda alimentar no Iraque foi de ‘apenas’ 250 milhões de dólares, ou seja, uns míseros 0.3% da verba total para o Iraque, no valor de 75.000 milhões de dólares. Os 250 milhões de dólares representavam apenas um décimo do montante indicado no apelo de emergência efectuado pelo World Food Program, onde a ajuda necessária deveria atingir os 2.200 milhões de dólares.

Aproximadamente 790 milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento ainda são cronicamente subnutridas. Cerca de 1.300 milhões de pessoas vivem com menos de 1 dólar por dia, e 3.000 milhões – cerca de metade da população mundial – vivem com menos de 2 dólares por dia. Cerca de 1.300 milhões não têm acesso a água limpa, 3.000 milhões não têm acesso a saneamento básico, e 2.000 milhões não têm acesso à electricidade.

Quando as imagens falam por si.

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Faça clique na imagem para ver a justificação dos valores

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Em 2006, segundo dados da Stockholm International Peace Research Institute, os quinze países com maior orçamento de defesa representavam um total de investimento de 966.800 milhões de dólares. O primeiro lugar era ocupado pelos EUA, com 541.000 milhões de dólares. Os seguintes, por ordem decrescente de investimento, eram o Reino Unido, França, China, Japão, Alemanha, Rússia, Itália, Arábia Saudita, Índia, Coreia do Sul, Austrália, Canadá, Brasil e Espanha. A soma dos seus orçamentos de defesa atingia os 426.100 milhões de dólares.

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É uma utopia tentar vencer a fome e a miséria que existe no mundo. Para o conseguir, bastava que uma pequena percentagem de todo o investimento mundial em armas e guerras fosse encaminhado para todos os programas de ajuda humanitária que existem. Tal opção obrigava a que muitos seres humanos perdessem uns trocos e que fossem capazes de confiar nos seus vizinhos sem terem de recorrer à ameaça das armas. A história demonstra que o ser humano é incapaz de tomar tal opção.

Imagine todos os que poderiam ser ajudados com apenas 5% do que é investido pelos quinze países com maior orçamento de defesa.

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Quando alguém lhe disser «Eu nem sei o que faria com os 120 milhões do Euromilhões», experimente responder «Eu nem sei o que faria com 0,02% do orçamento de defesa dos EUA».

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Armas ou Manteiga?

5 comentários leave one →
  1. como vou dar uma palestra sobre minha manteiga caseira permalink
    Junho 14, 2008 1:01 am

    mnteiga caseira e mellor que tem pois eu quero e tenho que apresentar uma propaganda em tres minutos como faço me ajude

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