Não é fácil apagar o ódio
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A história de Bryon Widner faz pensar que é mais fácil apagar o ódio do coração, do que eliminar da pele as marcas de um passado que se quer esquecer a todo o custo. Por motivos que não são indicados, Bryon Widner ter-se-á identificado com as ideologias racistas da Supremacia Branca, algo que o tornou num dos fundadores de um grupo de skinheads, intitulados Vinlanders Social Club. A sua afirmação no grupo foi feita com muitas tatuagens no corpo e na cara, onde passou a exibir com orgulho, muitos símbolos do seu racismo. Foi nesse meio de fabrico do ódio e de extrema violência que ele conheceu Julie, a sua actual mulher, também ela um membro da Aliança Nacional. Uma coisa pode ter levado à outra e ambos chegaram à conclusão que nada daquilo fazia sentido para eles. Esqueceram todo o ódio com que encheram o coração durante muitos anos, casaram em 2006 e tiveram o filho. O grande problema é que Bryon Widner não queria que o filho crescesse a ver estampado na sua pele, desenhos de uma navalha coberta de sangue, suásticas ou a palavra ‘ódio’ nos seus dedos da mão. Apagar aquelas marcas do passado tenebroso de Bryon Widner não era coisa fácil, havendo poucos médicos capazes de arriscar a fazer essa tarefa. Além disso, apagar todas essas marcas de ódio tinha um custo elevado. Um custo que o casal Widner não seria capaz de suportar.
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O desespero de Bryon Widner era enorme, levando-o a confessar que se sentia capaz de enfiar a cara em ácido para limpar aquilo tudo de uma vez por todas. Com receio que o seu marido pudesse fazer uma loucura, Julie foi pedir ajuda à pessoa mais improvável, Daryle Lamont Jenkins, um activista negro responsável por um grupo anti-ódio, chamado “One People Project”, com sede em Filadélfia. Este activista é uma das figuras mais odiadas pela Supremacia Branca, já que a sua missão tem sido a de publicar no site, o nome e o endereço de activistas desse movimento, alertando também as pessoas para os comícios que efectuam e organizando protestos junto ao local de realização dos mesmos. Daryle Jenkins não se importou com o passado do casal Widner e sugeriu vários contactos a Julie que poderiam ajudar Bryon a cumprir o seu objectivo.
Foi dessa forma que Julie chegou junto de Joseph Roy, um investigador de uma organização não governamental de luta pelos direitos humanos, a “Southern Poverty Law Center” (SPLC), que investiga grupos de milícias e organizações extremistas. Nesta organização, Joseph Roy disse a Julie estar habituado a ouvir histórias de quem se diz disposto a abandonar o ódio e os grupos extremistas. Muitas dessas histórias são falsas. Alguns apenas tentam passar informações falsas. Outros fazem isso num momento de crise, voltando depois para o seu grupo assim que tudo acalma. Joseph Roy chamava a Bryon Widner o “Pit Bull” dos skinheadas, por isso, a sua desconfiança nesta intenção deveria ser elevada.
Foram necessárias várias semanas de contactos e encontros entre o casal Widner e Joseph Roy, para que este se convencesse que a intenção e determinação deles era legítima. Bryon Widner comprometeu-se a discursar na conferência anual da SPLC, que reúne polícias de todo o país. Em troca, Joseph Roy comprometeu-se a arranjar um patrocinador para pagar a intervenção cirúrgica de remoção das tatuagens. Com o tempo a passar e no meio de muitas ameaças violentas ao casal Widner, a esperança que algo mudasse começava a desaparecer. Foi então que surgiu a notícia que uma mulher anónima estaria disposta a pagar os custos da operação, justificando que ele, Bryon, só poderia ter algum futuro promissor na sua vida se estivesse livre de todos aqueles símbolos de ódio e violência. Uma anónima disposta a dar 35.000 dólares para mudar a vida de um desconhecido.
Demorou um ano até que se encontrasse um médico e se agendassem as intervenções. Pelo meio, o casal Widner foi obrigado a fugir do Michigan por causa de todas as ameaças da Supremacia Branca. Foram para o Tennessee e juntaram-se a uma igreja, onde Bryon Widner conseguiu arranjar emprego. Mas finalmente teve início um longo e doloroso processo de remoção das marcas físicas do ódio. Foram precisas 25 cirurgias ao longo de 16 penosos meses. Um processo de enorme sofrimento que ficou registado num documentário da MSNBC, com o objectivo de inspirar outros a seguirem o exemplo de Bryon Widner. Mas sobretudo, com o bjectivo de mostrar aos mais novos que o passado de Bryon Widner nunca deveria ter seguidores.
Um novo homem, uma nova vida, um futuro promissor pela frente.
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Ainda bem que mudou.