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“INCOMPRIMENTO” é burrice?

Setembro 22, 2011

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Incomprimento

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Hoje, numa notícia no I.

Incomprimento”, s.f.: Não cumprir um comprimento, p.e., o Nelson Évora não saltou aquilo que deveria ter saltado

Na mesma notícia, 3º parágrafo, é dito «ser despedido por não cumprir os seus objectivos». Ora, pela lógica do jornalista, não deveria estar escrito «ser despedido por não comprir os seus objectivos»?

Mais grave. Ir ao Google, pesquisar por “Incomprimento” e ver todos os artigos que foram escritos com esta palavra que, por acaso, nem existe. Escapa o artigo no Público, talvez por não se terem atrevido a escrever a tal palavra que quer dizer que não se cumpriu alguma coisa.

9 Comentários leave one →
  1. Setembro 22, 2011 10:20 am

    Olá Luis,

    Se calhar ao abrigo do novo Acordo Ortográfico até existe :).

    Beijos,

  2. Setembro 22, 2011 12:09 pm

    Viva as novas fornadas de recém-jornalistas e estágiários geração SMS nos novos media, viva! Incomprimentos nem no novo, velho, decrépito ou nalgum extinto Acordo Ortográfico deve existir. ;D

    Já agora, o Nélson Évora é apenas um atleta acima do mediano que por vezes tem a extrema felicidade de todos os outros acima dele esses sim terem “incomprimentos” e assim Portugal ter um ocasional e sortudo Top 3. Os próprios “Incomprimentos” de NE só lhe dão direito normalmente a um Top 10. Esta é a triste realidade de quem anda sempre à espera e em pulgas que ele ganhe uma medalhita. Bem pode o Vicente Moura ter mais hipóteses de ganhar na Raspadinha (Santa Casa ™) do que ter uma medalha dele em Londres.

    • Setembro 22, 2011 1:17 pm

      :) Aquilo está escrito com tanta convicção e o uso do termo está de tal forma espalhado por muitas notícias que, eu quase acreditei que a palavra pudesse existir. Mas não. Nem no novo Acordo, nem num antigo. Jornalistas, revisores e editores deixam passar uma coisa assim?
      Sobre as medalhas, houve há dias uma grande vitória do João Silva, que será a grande promessa nacional no Triatlo. A Vanessa Fernandes também voultou às provas e talvez ainda se possa contar com ela em Londres. Isto para dizer que as atenções não devem estar apenas centradas no Nelson Évora. Porque ele, dizes bem, são muitos os incumprimentos para ficar no Top3

      • Setembro 22, 2011 1:50 pm

        Sobre as medalhitas em Londres, não espero já muito da V.F. o problema não é físico, se não havia ali doping aquilo já era talento vencedor quase natural e crónico. Há ali qualquer desilusão psicológica na rapariga. Obikwelu está acabado, há alguns novos sprinters que prometem mas não tem sequer potencial para ir a finais. Vejo Jessica Augusto dependendo da sua adaptação à modalidade uma potencial vencedora de maratonas. E há sempre a realmente atlética Naide Gomes que realmente e sem lesões tem sempre potencial para medalhas se bem que ela se dê é bem é nos indoors. Judo? Remo? Não sei talvez. Hóquei, Futebol de Praia ou Salão é que dantes poderia ter uma de prata mas nem modalidades olímpicas o são e agora já nem eternos segundos atrás de Espanha ou Brasil conseguem ser.

  3. Setembro 22, 2011 1:36 pm

    Esta do “Incomprimento” é já ao que parece erro comum no jornalismo. Deve-se andar hoje em dia a cortar no revisores também:
    https://plus.google.com/115472829424856213655/posts/faUfp1NxWWJ
    Também já vi a tua correcção (ou correção quero lá saber!) no Expresso.

    O giro é que o Ionline corrigiu já o título mas “incompriu” no restante texto! Outro facto (ou fato já sei lá!) é que tendo em conta que o link é construído pelo original título da notícia o erro há-de ser eterno! ;D

    • Setembro 22, 2011 1:49 pm

      Ainda não meti na cabeça que o novo Acordo é mesmo para avançar e por isso, não sei como vou deixar de escrever “correcção” ou “facto”.
      :) Fui agora ver e confirmei que o I corrigiu o título da notícia. Vá lá. Isto ainda serviu para alguma coisa. Só é pena que não tenham corrigido o conteúdo. Resta agora saber quando é que vão “incomprir” de novo

  4. Setembro 22, 2011 2:04 pm

    De facto não há, pelo menos teoricamente, qualquer relação directa entre o AO90 em particular e a bacorada jornalística em geral. Por isso mesmo não me parece (estrategicamente) correcto ou útil que se use uma coisa para atingir a outra.

    Porém, a “consagração pelo uso” que o dito AO90 consagra explica de certa forma a extrema “latitude” que passa a ser permitida na escrita “ao abrigo” daquele “imstrumentu”. E é legítimo que as pessoas se interroguem sobre a possibilidade, ao menos, de haver subjacente ao “acordo” uma intenção de facilitismo acrescido em que acabe por valer mesmo tudo e mais alguma coisa.

  5. Setembro 23, 2011 12:13 am

    Tal como hoje, antigamente a gente via e ouvia.
    Tal como hoje, a gente não se calava.
    Barafustava sozinho, mostrava ao colega, ou contava o caso na roda de amigos.
    Mas poucas eram as vezes, poucos motivos nos davam para isso.
    Agora, a pata anda poça em poça, e claro que a malta, atingida pela lama, berra.
    Berra e berra para longe, que isto agora ouve-se.
    Só que os patuscos continuam a não se dar conta.
    São cada vez mais, são comos as moscas, que vêm não se sabe de onde.
    O que vale é que a loja dos chinocas agora vende uns coisos eléctricos, para substituir aqueles de plástico, pouco eficazes.
    Já não há mãos a medir, é mosca atrás de mosca.

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