O Estranho Mundo do Gasparzinho
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Em Junho de 2011, o Pedro ‘Ken de Massamá’ Passos Coelho discursava na Assembleia da República para anunciar que no final do ano, o menino Jesus iria ter menos prendinhas no sapatinho. Mas afinal, o Natal é todos os dias, ou sempre que um português quiser e por isso, o melhor era que todos fossem comprando as prendas ao longo do ano, tal como faz a Maria no execrável anúncio do Continente, para que depois nem notassem um corte no subsídio de Natal. Um corte ‘light’, tipo o queijo em fatias com “Menos 50% de gordura”. Um corte nos bolsos dos portugueses para gerar uma margem de cerca de 800 milhões de euros de receita adicional. E porquê? Porque tinha sido detectado um desvio nas contas. Uns mil milhões de euros, ou mais que isso, que tinham de ser compensados com outro sacrifício dos portugueses. Um corte que contrariava o discurso do senhor Silva quando tomou posse, ao salientar que “há limites para os sacrifícios”, ou contra aquilo que Ken tinha anunciado em Março, que mexer nos subsídios de Férias ou de Natal seria um “disparate”. O Gasparzinho tinha detectado um desvio nas contas e era necessário tomar medidas enérgicas para equilibrar a coisa.
Mas entretanto, como se sabe, é descoberto um buraco de 1113 milhões de euros nas contas da Madeira. Uma ‘dívida oculta’ que o senhor João afirma ter sido criada em “legítima defesa” da Madeira. Pior, a Troika fez as contas e apurou uma derrapagem de 568 milhões. Pior ainda, o Tribunal de Contas está a investigar um novo buraco de 220 milhões de euros nas contas da Madeira. Esse será o montante de um recente empréstimo contraído pela Empresa de Electricidade que o governo de Alberto João Jardim desviou para pagar despesas de funcionamento. Ou seja, números redondos, um buraco que já vai em 1901 milhões de euros e que alguém terá de tapar. AH! Ainda sem ter sido apurado o montante das dívidas por facturar. Coisa pouca, insignificante e sem relevância.
E com isto voltamos ao Gasparzinho. Perante um valor que será mais do dobro do valor que obrigou ao anúncio do corte no subsídio de Natal, o que diz o senhor das finanças? Que os “impactos são muito limitados”, referindo-se aos efeitos colaterais desse buraco sobre o défice de 2011. Mais, o Governo reiterou que o desvio detectado nas contas públicas da Madeira configura uma situação de “irregularidade grave”, mas que se trata de um “caso pontual, que não tem paralelo em outras situações no país”. Certamente que não. Estou a crer que se o Gasparzinho pudesse, viria agora anunciar o corte total do subsídio de Natal para tentar tapar este que será a ‘Mãe’ de todos os buracos financeiros. Só não o faz porque o Ken deve ter-lhe posto a trela e o açaime. Pena deve ter o Ken de não poder fazer o mesmo ao senhor João, que continua a lançar desafios. Para já fica a promessa de levar tau-tau no próximo orçamento.




Andamos a ficar muito excitados com isto das trelas, açaimes e taus taus em personagens infantis como o boneco Ken e o fantasma Gasparzinho não andamos? Parece que alguém não vai conseguir aguentar pelo Natal para receber os seus presentinhos. Oh homem, deixe lá as personagens de ficção fantasticamente nos governar que por cá estamos muito bem entregues pois foram as action-figures que o povo pediu na eleições. Não foram 6 milhões (de palermas) que votaram neles mas são 6 milhões (de igualmente palermas) que andam por aí anestasiados e abananados a preferir pensar no jogo de sexta. Uns pensam em bonecos outros em bolas. :D
Calimero, eu gostava mesmo era de perceber como é que um buraco que já vai em quase 2 mil milhões de euros poderá ter um «impacto muito limitado» segundo o parecer do Gasparzinho, pronto, do Vitor. Fosse o João de outro partido e o impacto já seria certamente colossal. A última sondagem dava, novamente, a maioria absoluta ao João. Mudar para quê? O homem faz obra que nunca mais acaba …
Obviamente que o homem pelo povo dele irá ter sempre maioria. Há uma admistração pública e muitos empregos controlados pelo PSD Madeira e que não quer ser substituída ou mexida com outro partido no poleiro. E o sector privado local depende das negociatas e obras feitas nas ilhas. Quando tudo funciona maravilhosamente e todos ganham à custa do dinheiro enviado para lá como poderiam querer mudar?
Os buracos por lá teriam de existir há muito tempo no meio de tanta obra e dinheiro com tão pouco controle (deliberado), boa margem desses fundo acabam sempre por beneficiar alguém. Era só uma questão de por cá realmente se começar a preocupar com o que acontece na república das bananas.
Para mais se o Joãozinho Banana quer nos fazer pensar que a Madeira vive do turismo (e dos casinos) é preciso lembar que além dos fundos comunitários e nacionais para ajudar os coitaditos insulares há toda a questão do o que eles NÃO nos pagam em impostos e rendimentos, as off-shores madeirenses.
http://www.impostos.net/opiniao.aspx?idObj=206543