O Ken e o PSD reinventam o TGV
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Esta é a foto que terá caído da pasta do ministro Álvaro ‘Onde Estás?’ Santos Pereira, quando este entrava para o carro após uma reunião com o primeiro-ministro Pedro ‘Ken de Massamá’ Passos Coelho. Tudo leva a crer que terá sido com ela que o ministro terá convencido Ken que o TGV ainda poderia ser uma realidade em Portugal”. A ideia é simples e baseia-se no modelo algarvio, ou seja, apenas uma linha de comboio, onde em cima dela circulam comboios para um lado numas vezes e para o lado contrário noutras vezes. Depois, em cada estação, existe mais uma linha para permitir que dois comboios possam cruzar-se sem colidirem. Ora, como a ideia do TGV é andar um pouco mais depressa que os 60Km/h da linha algarvia, o ministro terá proposto que em vez dos cruzamentos entre composições se efectuarem em estações, o mesmo se realize num pequeno troço em via dupla, entre Elvas e Vendas Novas. É tudo uma questão de sincronização. Aliás, saliente-se um pormenor muito importante: se Portugal avançar com esta ideia pioneira, será o único país do mundo a ter uma solução de TGV a circular em via única.
Faz sentido. A via dupla só deverá ser necessária naqueles países onde existem muitas ligações por dia. Mas aqui, para evitar que o TGV circule com composições ‘às moscas’, o melhor é reduzir o número de ligações diárias, sei lá, aí para uma ou duas no máximo, bastando para isso uma única linha. E se for necessário aumentar a frequência das ligações, existirá aquele tal troço onde dois comboios de altíssima velocidade se poderão cruzar. E se um estiver atrasado, o outro que espere, se quiser. E se por fim o TGV se tornar num hiper-mega-ultra sucesso, então, se houver dinheiro nessa altura, logo se farão as obras necessárias para duplicar a linha.
Em tempos, Pedro ‘Ken de Massamá’ Passos Coelho, em plena corrida eleitoral, reafirmou a sua oposição ao projecto do TGV: “uma teimosia do actual Governo”, disse ele nessa altura. Também nessa altura assegurou que existiam “garantias por parte da Comissão Europeia” para afectar verbas do projecto de alta velocidade e transferi-las para “apostar nas melhorias das ligações ferroviárias”. Mas agora … uns meses depois dessas certezas, ‘Ken de Massamá’ decidiu que o TGV é para avançar pois, se o não fizer, haverá pagamento de indemnizações e perda de fundos comunitários.
“Porreiro, Pá!”, estará agora a dizer o outro lá para os lados de França.




As palavras de Ken de ontem eram afinal futurologia que fazem só sentido nos dias de hoje. Estranhos interesses estes do TGV mesmo que sirva absolutamente para muito pouco ou quase nada e tenha sabe lá porquê que ir para a frente seja em que governo for. Indemnizações? Que as paguem, porque certamente será uma fracção do custo total do projecto e da sua prolongada manutenção seja com uma ou duas linhas. Um elefante branco este. A questão das duas linhas acaba por ser uma patetice porque o que encarece grandiosamente isto é por base ter de comprar e expropiar os terrenos e executar a obra. Não é por aproveitar sinérgicamente na construção das linhas para meter 2 linhas em vez de uma que se poupa assim tanto mais. O facto de um rápido TGV ter de estar parado sei lá quanto tempo numa estação para o outro passar é até hilariante. Sincronização? Está bem sim, resultará porque somos fabulosamente peritos em pontualidade.
Tivessem ante pensado em substituir as velhas linhas convencionais numa espinha dorsal de N a S dos expressos por linhas TGV e tinha-se criado uma rede eficiente e rápida de transporte nacional nas linhas principais (Vigo/Valença/Porto/Lisboa/Algarve/Madrid). Porque também já sabemos que todas as restantes não são lucrativas e daqui a uns 10 a 20 anos fecharão por esse pais dentro. As carreiras de autocarros expressos acabam por fazer hoje mais eficientemente, regular e economicamente o papel de ligar o abandonado interior.
Calimero, e afinal, isto não era uma «teimosia do actual governo». Meses depois, é caricato ver o Ken a vergar-se aos interesses económicos e europeus. Afinal, onde estão as tais “garantias por parte da Comissão Europeia” para afectar as verbas para outros projectos? E na questão das duas linhas, a sua necessidade, creio eu, só se justificará tendo em conta frequência das ligações. Ora, a afzer-se só uma linha, deverá ser para apostar apenas numa ligação diária. Ou de outra forma, apenas com uma linha e menor frequência de ligações, poderá este projecto ser alguma vez rentável?