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Coisas de Sereias e Tubarões

Julho 20, 2011

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Andava eu preocupado em vestir um Slip para acompanhar a minha filha na piscina e nem fazia ideia que outros nadadores, também de alto nível, tinham  preocupações muito mais pertinentes do que essa. Diana Nyad tem 61 anos, eu, 40 e picos. Eu tento nadar 1.2Km em 30 minutos, pelo menos, 5 vezes por semana. Ela, vai agora tentar nadar 165Km em 60 horas, entre Cuba e Flórida. Eu preocupo-me com um Slip, ela, preocupa-se em nadar essa distância sem uma jaula que a proteja dos inúmeros tubarões que povoam aquelas águas. Eu como uma fatia de pão com doce e bebo um copo de Aquarius antes de entrar na piscina, ela, a cada hora e meia, irá ingerir uma mistura líquida de proteína pré-digerida e blocos de electrólitos em gel, e comer um pedaço de banana ou uma fatia de manteiga de amendoim. Eu, ao fim de 500 metros, já me interrogo sobre a necessidade de nadar para não ficar como o Ian Thorpe, do efeito dos pêlos no deslizar sobre a água, sobre a crise, sobre o Tsunami de despedimentos, sobre a falência do Alegrete, ou mesmo sobre as mamas da Maya, mas ela, diz que canta mentalmente canções de Janis Japlin, Neil Young e Beatles, para quebrar a monotonia. Nas palavras desta super atleta:

“Fisicamente, estou mais forte do que antes, embora fosse mais rápida quando tinha vinte e tal anos. Hoje sinto-me forte, poderosa e com sabedoria para lidar com as horas de resistência (…) A geração dos nossos pais, aos 60 anos, considerava-se ‘velha’. Eu estou a meio da meia-idade” 

É esta a vida difícil dos nadadores de alto nível. Eu, aposto mais na velocidade, ela, na resistência. É sobretudo isso, mais coisa menos coisa.

Resta agora saber que tipo de tubarões é que a Dianna terá de enfrentar. Por exemplo, ela pode arriscar a que um tubarão-branco, com 500 quilos, lhe salte para cima da espinha, pois já houve um que saltou para cima de um barco. Se isso acontecer, antes que seja vítima do violador das Caraíbas, o melhor é tentar morder-lhe a barbatana. Pelo menos isso parece ter resultado com um cão. A propósito dessa história, eu fico cada vez mais aparvalhado com as atitudes de muitos que seguram num dispositivo digital de gravação de imagens. Neste caso, o dono dos pobres dos canitos, apenas se preocupou em filmar a epopeia dos bichos para chegar à praia, pouco se importando que estes tivessem de passar pelo meio de vários tubarões. Não sei, os tubarões estavam ali à babuja, não podia ter tentado atirar pedras, ou mostrar um mínimo de intenção de os salvar? Ma que jeto!? Largar a câmara? Nunca perder uma potencial gravação que possa conduzir a uns minutos de fama. Neste caso, o tipo ganhou um vídeo de um cão a morder um tubarão. Boa. E se tivesse corrido mal, o título apenas mudava para “Melhor amigo do homem despedaçado e devorado à frente do dono que filmava na praia”. Na prática, pdoe-se dizer que quem filma fica sempre a ganhar. É o que parece.

 

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Um Comentário leave one →
  1. Agosto 9, 2011 3:03 pm

    E não conseguiu. Mesmo assim, aos 61 anos, depois de 29 horas, repito, 29 horas a nadar, apenas com paragens de 2m a cada 90m e sem se poder apoiar nos barcos de apoio, ela completou metade dos 161 Km da travessia. Uma mulher com super poderes de resistência e determinação
    Mais aqui

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