O Clube dos Magistrados Copiadores
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"Quem nunca prevaricou na faculdade que atire a primeira pedra." Luís Eloy, director-adjunto do Centro de Estudos Judiciários (CEJ)
Pois é. Já estava eu de pedra na mão, para a arremessar a um dos 137 alunos que fizeram o teste da cadeira de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito, quando parei para pensar nas ‘sábias’ palavras do senhor Luís Eloy. Logo eu, que fiquei com o curso pendurado por causa da puta de uma cadeira chamada “Electromagnetismo”. Uma merda que me deu muitos pesadelos nos anos seguintes à licenciatura. Mas entre estudo e cábulas lá fiz aquilo. Eram 4 perguntas. Metade fiz com os meus conhecimentos, metade fiz a copiar, já que as perguntas eram iguais a uns exercícios feitos ao longo do ano, os quais eu até tinha colocado nuns pequenos papéis, os quais guardei num bolso das Levis que levei vestidas para o exame. Tive 18 e foi a nota mais alta ao longo do curso. Incrível.
Se a lógica fosse igual ao que se passou no curso destes futuros magistrados, eu deveria era ter levado um 10, coisa que me faria ficar com a honra ferida e arruinada a média final de curso. Foi esse o raciocínio do senhor Luís Eloy, ao propor uma medida altamente punitiva para estes infractores. O teste era ‘à americana’, com cruzinhas – o único desse tipo ao longo do curso – e segundo as palavras de Manuel Soares , secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), os aspirantes a magistrados estiveram numa sala onde “trocaram impressões antes de responder, pois sentiram-se à vontade para isso, sem que ninguém lhes tivesse advertido para não o fazer”.
Ora, com cruzinhas e a trocar impressões, estavam à espera de quê? Moche ao copianço! Em 137, quantos é que não copiaram? 1? 2? Pois foi a pensar nesses que Luís Eloy terá tomada uma das mais difíceis decisões da sua vida. Anular o exame? Fora de questão, já que "Temos uma calendarização muito apertada e não tínhamos timing para efectuar um novo teste dentro do prazo". E assim, para não prejudicar aqueles que se aplicaram a colocar por as cruzes no sítio certo, depois de raciocinar um bocado, toca de correr todos com 10 valores. Ana Luísa Geraldes, directora do Centro de Estudos Judiciários, achou a proposta justa, assinou o despacho e o assunto ficou resolvido.
Para Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, tudo isto é uma javardice pegada, tendo salientado que as pessoas que "utilizam métodos fraudulentos para acederem à magistratura não serão seguramente magistrados honestos. Quando se começa a prevaricar nos primeiros passos da carreira, imagine-se o que eles farão quando forem magistrados". Na sua opinião, estes 137 prevaricadores deveriam ser “excluídos” da profissão.
É um facto: estes futuros auditores têm de ter uma ética imaculada. O que duvido é que este 10 no exame lhes retire o sono ou que provoque uma desgraça na sua média final. Garantidamente que a sua ética irá sobreviver a esse 10. A não ser que no futuro, esse 10 passe a ser um estigma, envergonhando o auditor quando alguém lhe perguntar: “Diga-me lá uma coisa, qual foi a sua nota na cadeira de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito?”.




Eu nem vou comentar a balda. A minha única dúvida, é se alguma vez conseguimos reverter o processo, ou se acabamos por nos habituar.
Quanto aos testes americanos, mudei de ideias aqui há uns anos.
Fiz um curso em auto estudo que tinha exames trimestrais. Os papeis vinham dos EUA e o preenchimento era feito em sala com fiscais. O teste tinha 180 perguntas e obviamente as respostas certas davam pontos, mas as respostas erradas TIRAVAM pontos. Para complicar a coisa, cerca de 25% das perguntas eram de confirmação (ratoeiras), perguntando quase a mesma coisa de forma ligeiramente diferente. Duas horas de sufoco! Só escrevi o meu nome, mas suei as estopinhas.
Se não tivesse queimado as pestanas durante uma série de fins de semana, tinha feito figura de urso
Kurioso, o único senão do ‘teste americano’ é eventualmente tornar mais fácil a cópia de quem esteja por perto, pois é fácil identificar onde foi colocada a cruz em cada pergunta. Uma dúvida: não responder a uma pergunta também desconta, tal como se a resposta tivesse sido errada?
Sob pressão tremenda, lá se arranjou tempo e calendário para um novo exame (sem cruzinhas).
Quem não copiou, na sua vida académica? Muito pouca gente, acredito.
Mas estes alunos são especiais, vão ser eles, em breve, a julgar fraudes, e para o fazerem, utilizam-nas.
Inadmissível.