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“El Blog del Narco”, o horror no México

Abril 28, 2011

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Corpos a aguardar autópsia na morgue de Ciudad Juarez, Fev. 18, 2009. (AP Photo/Eduardo Verdugo) – Mais fotos no The Big Picture,  “Mexico’s drug war

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As imagens são horríveis, apresentadas sem qualque edição: seja um homem com o rosto coberto de sangue já seco e areia cinzenta; seja uma mulher pendurada por uma corda sobre uma rua movimentada, ou um conjunto de corpos nus alinhados no chão, exibindo, sem qualquer censura, sinais claros de tortura.

É este tipo de imagens que se podem ver no “El Blog del Narco” (AVISO: Contém de facto imagens que podem chocar os mais sensíveis), um blog criado a 2 de março de 2010 com o objectivo de «informar o que realmente acontece no México, um país que vive preso e que muitos pensam que não tem memória, outros, se é que a têm». Um projecto desenvolvido por dois jovens, um da área de informática e outro de jornalismo, que lutam para mostrar ao mundo, de forma clara e objectiva, o terror que invadiu o México e que não é mostrado nos meios de comunicação.

Um blog que compila muitos dos conteúdos que são colocados em redes sociais, através de uploads efectuados por cidadãos anónimos. Redes sociais que são também usadas pelo crime organizado para efectuar ameaças. Desde 2006, ano em que o presidente Felipe Calderon declarou guerra aos cartéis de droga no México, já morreram 36.000 pessoas, vítimas da violência associada a essa guerra.

Na opinião de várias pessoas ligadas aos media, os jornalistas estarão a tentar fazer o melhor que podem, porém, é notório que os media não estão a corresponder às expectativas na cobertura de todos os factos associados à guerra contra a droga. No México, a televisão tem grande influência junto dos cidadões, ocupando lugar de destaque, existindo dois canais – Televisa e TV Azteca – que dominam 94% dos conteúdos de entretenimento televisivo. E enquanto houver a noção de que nem tudo está a ser transmitido ou relatado, estão criadas as condições ideias para o sucesso do blog. O grande senão é que tanta imagem de violência explícita esteja disponível para consulta de qualquer pessoa, crianças em particular.

Um país que, graças sobretudo à guerra associada ao tráfico de droga, se tornou num dos mais perigosos para a prática do jornalismo. Entre 2005 e 2010 foram mortos 66 jornalistas, e 12 encontram-se desaparecidos. Só 10% dos casos é que tiveram condenações. Toda a violência, medo e impunidade, não afectam apenas os jornalistas e as suas famílias, mas contribuem também para tirar qualidade às coberturas jornalísticas que são efectuadas, por exemplo, levando os jornalistas locais a apenas falarem sobre actos oficiais, tais como actividades governamentais ou locais, coisas que não sejam perigosas e que não levem a que os jornalistas sejam alvejados como se fossem criminosos. Ameaças, subornos ou outras formas de pressão têm influênciado de forma negativa a publicação isenta e objectiva de notícias relacionadas com a guerra contra o tráfico de droga, por exemplo, eliminando aquelas que poderiam mostrar mortes ao estilo de execuções, executadas por cartéis da droga, ou a menção de nomes de suspeitos que pudessem estar envolvidos nesses actos.

Assim, se os media acabam por ser influênciados pelos cartéis da droga, sobram então as redes sociais para divulgar de forma imediata toda a violência que é vivida diariamente pelos mexicanos. São 33 milhões de mexicanos que usam diariamente a Internet, um número que contribui para que o blog “El Blog del Narco” receba diariamente qualquer coisa como 3 milhões de visitas.

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