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Os gémeos do Facebook

Abril 20, 2011

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Mark stole the idea”, Tyler Winklevoss

a frase que não sai da cabeça dos gémeos Winklevoss. E enquanto Tyler e Cameron tiverem força para lutar em tribunal, tanta quanto têm para remar, irão sempre tentar espremer o Facebook para obter uma indemnização que seja justa e apropriada – do seu ponto de vista – para quem, se afirma dono da ideia original da rede social mais famosa do mundo. Sobretudo, vão lutar para tentar obter um valor que os compense da sensação de estarem consecutivamente a serem enganados pelo Mark Zuckerberg.

Tudo terá começado em 2003, mais ou menos como foi mostrado no filme “The Social Network”. Nessa altura, os gémeos Winklevoss e Divya Narendra, um outro estudante de Harvard, ter-se-ão reunido com Mark Zuckerberg para os ajudar a criar um site chamado “Harvard Connection”, mais tarde renomeado “ConnectU”, onde seria colocada informação social dos alunos de Harvard. Nessa primeira abordagem, Mark Zuckerberg ter-se-á mostrado interessado no projecto e disponível para o seu desenvolvimento. Só que, as semanas foram passando e Mark Zuckerberg foi-se sempre esquivando aos vários pedidos de Tyler, Cameron e Divya para se voltarem a reunir, no sentido de discutirem mais detalhes do projecto. Nesse período, Mark Zuckerberg não ficou parado e deu início à construção do site “TheFacebook”, cujo nome mudou mais tarde para “Facebook”. Na prática, Mark Zuckerberg defende-se dizendo que a ideia que lhe foi apresentada pelos gémeos Winklevoss, correspondia a um site de Encontros, enquanto que o seu projecto se referia a uma Rede Social em todo o seu verdadeiro sentido.

Logo em 2004, ano de arranque do “Facebook”, os gémeos Winklevoss decidem avançar para tribunal, alegando que Mark seria um usurpador de ideias. 4 anos depois, os gémeos Winklevoss obtêm um acordo onde ficou estipulado que receberiam 20 milhões de dólares em dinheiro e 1,25 milhões de acções do Facebook, que corresponderiam a 45 milhões de dólares, desde que desistissem do processo contra Mark Zuckerberg. Aparentemente este acordo poderia ser suficiente para acalmar a frustração dos gémeos Winklevoss, só que, quando estes tiveram a ideia de receber parte da indemnização em acções do Facebook, eles fizeram as contas a um valor de 35,90 dólares por cada acção. O problema é que dias antes do acordo em tribunal, a administração do Facebook fez uma reavaliação das suas acções, tendo fixado um valor nominal de apenas 8,88 dólares, o que, apenas iria corresponder a uns míseros 11 milhões de dólares nos bolsos dos gémeos Winklevoss. Uma vez mais sentiram que tinham sido enganados pelo convencido do Zuckerberg.

Esta alteração no valor das acções levou a que os gémeos Winklevoss apresentassem recurso do acordo assinado, alegando que, tendo em conta a redução do valor das acções, deveriam ter recebido cerca de 4 vezes mais de acções, ou seja, uns 5 milhões de acções. E se tivessem recebido esse número de acções, hoje, face ao seu valor nominal, eles teriam nos seus bolsos uns míseros 500 milhões de dólares, mais coisa menos coisa. De facto, entre 45 ou 500, existe uma diferença de milhões que levaria qualquer um a insistir em defender os seus direitos em tribunal.

A questão é que os vários tribunais que têm avaliado este processo, não têm sido influênciados pelos argumentos dos gémeos Winklevoss, insistindo que é válido o acordo obtido em 2008. Aliás, os gémeos Winklevoss continuam a não conseguir remar contra esta maré de contrariedades, já que entraram em guerra com os seus próprios advogados – os mesmos que lhes conseguiram o acordo de 2008 – acusando-os de más práticas e recusando pagar-lhes aquilo a que teriam direito. Além disso, um juiz condenou-os recentemente a pagarem cerca de 13 milhões de dólares por custas do processo em que estão envolvidos. Agora, os seus novos advogados propuseram ao tribunal que fosse criado um grupo de 11 juízes para análise do seu novo apelo.

Enquanto lutam por mais uns milhões, os gémeos Winklevoss vão tentando seguir a sua vidinha de forma independente deste processo. Em 2010 completaram uma graduação em Gestão de Empresas, em Oxford. Com 29 anos, continuam a treinar remo de forma intensa, com o objectivo de estarem presentes nos Jogos Olímpico de Londres, em 2012. Em 2008, estiveram presentes nos JO de Beijing, tendo ficado em sexto lugar na final em que participaram. Cameron Winklevoss insiste nas suas ideias em torno das redes sociai, tendo participado no desenvolvimento do site “Guestofaguest.com”, que disponibiliza informação sobre pessoas, lugares e festas em Nova Iorque, Los Angeles e Hamptons.

Quando questionados se alguma vez teriam conseguido juntar centenas de milhões de utilizadores em torno da sua ideia original, o site “ConnectU”, tal como Zuckerberg conseguiu fazer com o Facebook, os gémeos Winklevoss não hesitam em responder: “Absolutamente!”

“Mark is where he is because we approached him to include him in our idea”, Tyler Winklevoss

2 Comentários leave one →
  1. Abril 28, 2011 10:46 am

    são bem mais giros no filme LOL

  2. Abril 29, 2011 9:06 am

    “O mundo é dos espertos, não dos inteligentes”, podia dizer-se.
    Mas neste caso a esperteza pode ter vários outros nomes…

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