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Please Mr. Khadafi, Go Away With Mubarak

Fevereiro 22, 2011

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The Dear Leader arrives at Bole International Airport, Addis Ababa, Ethiopia, in January 2007 wearing a white Dr. Evil jacket, the ubiquitous clip-on military ribbons, and the very height in traveling chic, a sheer peach bisht. The ribbons are interesting because for years after the coup in which he took power Qaddafi was only ever seen with a few rows of decoration. Today, there are eight—indicating a score or more of awards. Who has conferred these medals to Qaddafi, and what for? By Andrew Heavens/Reuters/Corbis.

Na Líbia, as recentes notícias dão conta que as forças leais a Khadafi estão a usar da máxima força para manter o líder no poder, disparando contra a população que se revolta nas ruas das cidades mais importantes do país.

No domingo, a Human Rights Watch disse que pelo menos 233 pessoas foram mortas nos diversos protestos. Além disso, houve pelo menos 61 pessoas que morreram na segunda-feira. Testemunhas disseram à agência de notícias AFP que tinha havido um "massacre" no distrito de Tajura, com atiradores a serem vistos a disparar de forma indiscriminada. No distrito de Fashlum,  foram vistos helicópteros a pousar e a desembarcar homens armados, que foram descritos por testemunhas como “mercenários”, os quais atacaram de imediato quem se encontrava nas ruas.

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On Qaddafi’s home ground, Sirte, where he was born to a Bedouin family in the middle of W.W. II—1942—he sports an outlandish chemise printed with pictures of—we assume—African heroes. We can only guess as to the significance of the shirt, but there is no doubt why Qaddafi wore Cuban heels for this seaside summit in August 2005, because he inches above President Hosni Mubarak of Egypt. As everyone knows, even the finest dye jobs can be ruined by a stroll in the sun, hence the white parasol. By Yousef Al-Ageli/A.P. Images.

Existem relatos de atiradores que tomaram posições nos telhados dos prédios, numa aparente tentativa de impedir as pessoas de se juntar aos protestos. Várias testemunhas que falaram com a agência de notícias Associated Press, disseram que homens armados pró-Kadhafi disparavam de carros em movimento, contra pessoas ou edifícios. Ali al-Essawi, que renunciou ao cargo de embaixador da Líbia para a Índia, disse à Al Jazeera que aviões de combate tinham sido usados pelo governo para bombardear civis.

Todos estes relatos levantam a suspeita de terem existido “crimes contra a humanidade”, fazendo com que Navi Pillay, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, viesse exigir a realização de um "inquérito internacional independente".

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Qaddafi rises from an ornate chair in the style of a Ruritanian despot to salute a march-past of Libya’s armed forces in 1999. For this occasion he wears no fewer than 16 different orders and decorations, which look as if they were picked up at the Paris flea market. By Waleed el Mehelemy/Reuters/Corbis.

Khadafi ainda não caiu. Chegou-se a pensar que o coronel que governa autoritariamente a Líbia há 42 anos, teria fugido para a Venezuela. Tal não aconteceu. Numa aparição em público de breves segundos, debruçado da janela de uma carrinha e empunhando um chapéu-de-chuva, Khadafi fez questão de dizer: “Quero que vejam que estou em Trípoli e não na Venezuela. Não acreditem no que vos dizem os canais de televisão dos cães vadios”.

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Todos estes dados são chocantes. O suficiente para, em termos de política internacional, se fazer a pergunta: “porque raio é que o nosso governo ainda não veio a público mostrar a sua indignação e condenar estes actos? O mesmo governo que esteve presente na comemoração dos 40 anosdo regime de Khadafi?”. Mas essa pergunta já foi feita por Ana Gomes (quem mais a poderia fazer?), que em declarações à Antena 1, considerou que o governo tem colocado interesses comerciais à frente de quaisquer outros valores, afirmando que «Indigna-me que alguns ministros da União Europeia, incluindo o nosso, estejam a privilegiar o argumento de que pode vir aí um papão fundamentalista na Líbia, para ainda defenderem este regime sinistro».

Talvez o silêncio se justifique da seguinte forma. Em 2010, a Líbia forneceu mais de 10% do petróleo comprado por Portugal. Países como a Líbia e a Argélia constituem, ao mesmo tempo, importantes fornecedores de energia a Portugal. Só no ano passado, 11,5% do valor das importações nacionais de combustíveis minerais (gás e petróleo) veio da Líbia, segundo dados do INE. As compras, no valor de 727 milhões de euros, fazem da Líbia um importante fornecedor nacional que quase duplicou o seu peso em relação às importações de 2009.

A ordem natural das coisas deveria colocar a Defesa dos Direitos Humanos, em particular, a defesa da vida humana, acima de qualquer outro interesse. Mas a ordem natural das coisas há muito que está invertida. Os interesses económicos e estratégicos sobrepõe-se sempre à tomada de posições que inviabilizem negócios importantes ou posições influentes. A Ana Gomes mostra-se indignada com a posição do governo, mas, verdade seja dita, se a ordem natural das coisas fosse a mais correcta, com quantos países é que o governo teria de de cortar relações económicas ou políticas?

4 Comentários leave one →
  1. Fevereiro 22, 2011 5:52 pm

    Um louco…perigoso!

    • Fevereiro 23, 2011 5:06 pm

      João, um louco perigoso, com o discurso de ontem a fazer lembrar o Hitler quando estaria refugiado no Bunker, achando que ainda poderia ganhar a guerra

  2. Fevereiro 22, 2011 10:13 pm

    O senhor tem um teclado ao peito.

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