A vitória da dignidade contra a violência
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Bibi Aisha, afegã, ficou mundialmente conhecida quando a TIME, em Agosto de 2010, fez capa com uma foto sua, desfigurada. O mundo precisava ter conhecimento das barbaridades a que podiam estar sujeitas as mulheres afegãs. Bibi Aisha tinha 12 anos quando foi prometida em casamento a um guerreiro Talibã. Casou aos 14 e passou a viver como uma escrava, forçada a dormir juntamente com os animais. Um dia fartou-se de tantos abusos e fugiu de casa. A pressão e ameaças dos vizinhos, obrigou o seu pai a ‘devolvê-la’ ao marido. Asseguraram-lhe que seria melhor tratada. Em vez disso, os abusos ainda pioraram. Até que um dia, o seu marido levou-a a passear. Perante o olhar de outros Talibãs, o sogro de Bibi Aisha, chamado Sulaiman, apontou-lhe uma arma à cabeça, enquanto os seus filhos, com uma faca, cortavam o nariz e as orelhas de Bibi Aisha. Depois disso, ela foi abandonada nas montanhas para morrer, enquanto Sulaiman passeou pela aldeia a exibir, orgulhoso, o pedaço de nariz que havia sido amputado, como se fosse um troféu. No relato de Bibi Aisha,
“When they cut off my nose and ears I passed out. In the middle of the night it felt like there was cold water in my nose. I opened my eyes and I couldn’t even see because of all the blood”
Sem saber como, Bibi Aisha conseguiu arrastar-se até à casa do seu avô, tendo depois sido recebida num centro médico gerido pelas forças militares americanas. Foi depois transferida para uma organização de apoio a mulheres vítimas de violências, onde permaneceu durante 3 meses. Por fim, foi levada para os EUA, onde foi acolhida por uma família americana. Numa solução imediata, um cirurgião plástico construiu-lhe uma prótese para o nariz, algo que a fez encarar de novo a vida com um sorriso. No futuro, espera-se encontrar-lhe uma solução cirurgíca, de reconstrução, que tenha um carácter mais definitivo.
She responded, "My name is Bibi Aisha."
Her eyebrows were raised with amusement and she had a huge smile on her face after seeing the joyous shock on mine.
(artigo na CNN “Meetings with Bibi Aisha, then and now”)
Jodi Bieber, é o nome da fotógrafa que tirou a foto que foi capa da TIME. Agora, essa mesma foto foi a grande vencedora do concurso internacional World Press Photo 2010. Nas palavras de David Burnett, presidente do júri do World Press Photo,
“This could become one of those pictures – and we have maybe just ten in our lifetime – where if somebody says «you know, that picture of a girl…», you know exactly which one they’re talking about.”
Este é um retrato que demonstra a dignidade da jovem afegã perante um caso de violência contra as mulheres. Bibi Aisha será a imagem que representa todas as mulheres que são vítimas de abusos e barbaridades inimagináveis. No relatório Mulheres do Mundo de 2010, da ONU, ficamos a saber que em 33 países – entre eles, a Bolívia, Armênia, Nicarágua, o Egipto e Uganda, onde foi possível obter dados – as próprias mulheres consideram apropriado serem espancadas ou agredidas pelo marido. No Benin, 51% das mulheres entrevistadas, sem instrução, consideram justificável que o marido bata na esposa por ela sair de casa sem lhe avisar. No Mali, 74% das mulheres aceitaria o castigo físico por se recusar a ter relações sexuais com o marido, 62% no caso de discutir com ele e 33% por queimar a refeição. E nos conflictos armados, a violência sexual é, regra geral, a arma usada contra as mulheres. Durante o genocídio do Ruanda, em 1994, a ONU estima que entre 250.000 e 500.000 mulheres foram violadas, enquanto que entre 20.000 e 50.000 mulheres passaram pela mesma situação durante o conflito na Bósnia nos início dos anos noventa.
Bibi Aisha será a imagem da luta contra todo o tipo de violência contra as mulheres. As suas palavras terão de servir de exemplo e inspiração a todas as mulheres que consideram normais os actos de violência a que são sujeitas, apenas, por exemplo, porque deixaram queimar uma refeição enquanto cozinhavam.
Da categoria “Singles” do concurso World Press Photo 2010.
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1º Prémio. Foto de Jodi Bieber, África do Sul
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2º Prémio. Foto de Joos Van Den Broek, Holanda
(Kirill Lewerski, cadete no navio russo "Kruzenshtern")
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3º Prémio. Foto de Guillem Valle, Espanha
(um homem da etnia Dinka, em frente à sua casa, no Sul do Sudão)




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