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De “torpedo” a “bóia” a “torpedo”?

Fevereiro 10, 2011

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Sempre gostei de natação. Provavelmente, o desporto mais completo que existe. Nadei na adolescência, sem qualquer carácter de competição, deixei de nadar durante uns 20 anos, e agora voltei a nadar como nunca o tinha feito antes. Se possível, 5 vezes por semana, às 7 da manhã, lá estou eu na piscina. Eu, mais uns 3 ou 4 corajosos amadores, e muitos miúdos da competição. Dá gosto vê-los nadar. O seu ritmo de passeio, com braçadas descontraídas ao longo de muitas piscinas, será equivalente à minha velocidade máxima para conseguir fazer uma única piscina de 25 metros. No seu ritmo máximo parecem de facto pequenos “torpedos”. Ora, se eu já fico impressionado com a sua velocidade, o que seria se eu tivesse na pista do lado o Michael Phelps ou mesmo este ex “torpedo”, chamado Ian Thorpe, um tipo que aos 16 anos conquistou o seu primeiro título mundial, o mais novo a consegui-lo, e aos 17 bateu o seu primeiro recorde mundial individual. Ao todo, foram 13 recordes do mundo em provas individuais, 11 títulos mundiais e cinco títulos olímpicos. Chamavam-lhe o “torpedo” australiano. Em 2006, com 24 anos, Ian Thorpe anunciou o seu abandono da competição. Depois disso, ao que parece pelas fotos, terá ganho uns pneus adiposos.

Ian Thorpe anunciou agora o regresso à competição, com o objectivo de ainda ganhar umas medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando terá 29 anos. Um jovem, para todos os efeitos. Só que, como disse Kevin Norton, professor de Fisiologia na Universidade de South Australia: “Os atletas de velocidade em todos os desportos tendem a chegar ao auge entre os 22 e os 26 anos, porque é esta a altura em que é maior a capacidade do corpo em gerar energia e velocidade. Depois, as nossas fibras musculares começam a deteriorar-se, mesmo com treino”. Ou seja, em 2006, Ian Thorpe ter-se-á retirado no pico da sua carreira. Agora, mesmo que consiga eliminar os ‘pneus’ acumulados ao de 4 anos paragem, mesmo que consiga treinar para atingir um ritmo de elevadíssima competição, mesmo que consiga um lugar na supercompetitiva selecção de natação da Austrália, mesmo assim, fisicamente, será muito difícil ou impossível que volte à performance anterior.

Mesmo assim, há casos de longevidade que superam todas as detriorações de fibras musculares. O mais espantoso é o da norte-americana Dara Torres, que conquistou três medalhas com 41 anos de idade, e está agora a preparar-se para Londres. Ou o russo Alexander Popov, que foi bicampeão mundial nos 50m e 100m livres em 2003 – duas provas da elite da natação – quando já tinha 33 anos. As marcas de Ian Thorpe já foram todas superadas. Porém, importa recordar que o seu recorde dos 200m (1m44,06s), estabelecido em 2001, foi apenas batido em 2007, por Michael Phelps. Actualmente ainda é a 4ª melhor marca mundial.

Diziam que o ex “torpedo” australiano tinha tudo para ser o nadador perfeito: altura (1,95m), braços e pernas longas, e umas barbatanas naturais (calça o 52). A essa fisiologia ideal e condicionada para a alta competição, Thorpe acrescentava uma técnica de braçada perfeita. Quem nada, nunca esquece. As medidas longas mantêm-se. Por isso, resta saber se até ao Verão de 2012, Ian Thorpe irá conseguir contrariar aquilo que se diz sobre a degradação das fibras musculares. Ainda sobre fibras, recorde-se que o grande Mark Spitz conseguiu as 7 medalhas de ouro antes de abandonar a competição com apenas 22 anos. Mais tarde, com 41 anos, tentou um lugar na equipa norte-americana para Barcelona 1992 e mais valia que tivesse ficado em casa. Se antes ele já tinha uma luta titânica com os seus pêlos ensopados de água, aos 41, mais peludo, devia ir logo ao fundo.

8 Comentários leave one →
  1. Fevereiro 10, 2011 12:00 pm

    Impressionante a diferença entre as duas fotos…

    • Fevereiro 10, 2011 1:43 pm

      João, mais impressionante é pensar que ele possa conseguir o ritmo competitivo para lutar por um lugar nos JO, ou ainda mais ambicioso, conseguir lutar por medalhas. Sobretudo porque ele terá menos de 1 ano para conseguir fazer isso.

  2. Fevereiro 13, 2011 2:45 pm

    Viva,

    Vim aqui parar através de um link no PÚBLICO. Acho que está muito bem mas, como li este artigo logo após ter lido o do jornal, houve dois pontos no texto em que me deu a sensação que estava a ler a versão do PÚBLICO. Voltei atrás e verifiquei que há realmente algumas frases que estão perigosamente parecidas. Acho que não é necessário.

    • Fevereiro 13, 2011 3:15 pm

      roger bill, este texto foi feito precisamente com base na informação prestada no artigo do Público. Não foi minha intenção tentar fazer com ele se parecesse com um texto original, longe disso. A falha, poderá ser apontada ao facto de várias frases não estarem em itálico, simbolizando uma transcrição. Mas isso foi apenas uma opção de formatação. De qualquer forma, o link para a notícia do Público está incluído nesta frase «Ian Thorpe anunciou agora o regresso à competição». E é esse o procedimento que eu costumo fazer quando coloco parágrafos baseados (ou cópia integral ou tradução) de artigos originais

      • Fevereiro 13, 2011 3:45 pm

        Sim, imagino não terá sido intencional, mas sem aspas a interpretação é que o texto é original.

        Um dos exemplos a que me referia é a frase “Diziam que o ex “torpedo” australiano tinha tudo para ser o nadador perfeito: altura (1,95m), braços e pernas longas, e umas barbatanas naturais (calça o 52). ” em que no PÚBLICO está como
        “Tinha tudo para ser o nadador perfeito: altura, braços e pernas longas e pés como barbatanas naturais – calça o 52.”.

        Eu sei que na Internet as regras podem ser interpretadas com mais flexibilidade, mas noutro contexto acho que este exemplo poderia ser considerado plágio (ver https://www.indiana.edu/~istd/example4word.html)

        Não leves a mal, a minha intenção é apenas esclarecer.

        • Fevereiro 13, 2011 5:18 pm

          :)) Roger, não levo nada a mal e eu é que agradeço a tua participação por aqui. Escrevo o resto no comentário a seguir, por causa da formatação com comentários seguidos

  3. Fevereiro 13, 2011 5:27 pm

    A questão aqui não é algo poder ser considerado plágio, porque aqui é evidente que existe plágio. Na Internet e em particular, nos blogues, grande parte dos posts não são originais. São textos baseados noutros textos. Nuns casos são cópia ou transcrição integral, noutros, usam-se os dados do artigo original e tenta-se fazer um texto com frases escritas de forma diferente, com um toque pessoal do autor. Essa frase que referes foi claramente uma cópia do texto original, escrita de forma diferente. Mas se eu for ao Wikipédia, por exemplo, eu também estou a obter dados e frases que alguém lá terá escrito, dando-lhes depois um cunho pessoal. O que a mim me revolta é quando nos deparamos com um texto, que sabemos já ter lido algures, e não haver um único link ao referência o texto original. Uma vez, num blogue, descobri uma cópia integral de um texto original meu. Igualzinho, sem terem alterado uma vírgula que fosse. Isso será mesmo plágio feito com má fé :)

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