Ainda sobre a erosão
Infelizmente, creio que o tema Erosão Marítima irá ter lugar de destaque neste blogue nos próximos tempos, sendo difícil que não o volte a abordar. Os sinais são preocupantes e basta comparar fotografias ao longo do tempo, para se ter a noção de estarmos perante um processo irreversível e imparável.
Passaram 15 dias desde que escrevi “Uma erosão imparável”. Em 15 dias, ficou mais plano o areal entre a praia da Quinta do Lago e a praia do Ancão, deixando de existir, com a maré cheia, uma zona de areia seca entre o mar e a duna principal.
Em tempos, o empreendimento de Vale do Lobo tentou que fosse aprovado um projecto, que tinha como objectivo a construção de uma ilha artificial em frente à praia. Ler “C4…Bum! Ilha Nautilus ao fundo”. Estávamos em 2006. Na altura, o resort afirmou possuir estudos técnicos que indicavam não haver consequências negativas na península do Ancão derivadas da construção da ilha. No entanto, o ministério do Ambiente solicitou pareceres ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e à Faculdade de Engenharia do Porto (FEP). Nos pareceres emitidos e através de modelos de simulação, constatou-se que num prazo de cinco anos, já seria visível um avanço do areal de Vale de Lobo de cerca de cem metros, e um recuo significativo, de dezenas de metros, nas zonas adjacentes. Esta ilha teria então tendência a tornar-se numa península. No parecer do LNEC, estava indicado que «o recuo dos areais na Praia do Forte Novo é de 2,9 metros ano, diminuindo progressivamente em direcção a nascente. Frente a Vale de Lobo, é de cerca de 1,0 metro por ano e na praia do Ancão é de apenas 0,1 metros por ano».
O parecer do LNEC apontava para um recuo do areal na praia do Ancão de «apenas 0,1 metros por ano», ou 10 cm. Acho pouco. Acho mesmo que estavam a ser muito optimistas. Três anos separam as fotografias seguintes, todas tiradas em Janeiro.
Em 2008, no areal entre a praia do Ancão e a praia da Quinta do Lago, a realidade era esta:
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Em 2011, olhando na mesma direcção, a realidade é bem diferente:
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Em 2008, na praia do Ancão, a olhar em direcção a Quarteira:
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Em 2011, junto à praia do Ancão, a olhar em direcção a Quarteira. Repare-se na forma como o mar está a ‘comer’ a duna principal.
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Repito «Aos poucos, as praias vão ficando mais curtas. Pode não parecer evidente, mas basta comparar fotos de anos anteriores»



