Mulheres Desesperadas que se Imolam
Um post que podia ter ficado sem imagens, tal é a violência das mesmas. São histórias chocantes de mulheres Afegãs, absolutamente desesperadas, que procuram no fogo uma cura definitiva para a sua vida miserável e infeliz. Vidas de jovens, pobres, submissas, que se tornaram adultas demasiado depressa na sequência de casamentos forçados, vítimas de inúmeros abusos e actos bárbaros.
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Parentes de Gul Zada, uma mulher afegã de 45 anos que se imolou pelo fogo, choram a sua morte
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Em Herat, no Afeganistão, a imolação pelo fogo é a forma mais comum de suicídio. O método, explica-se pela facilidade com que os materiais estão disponíveis para o executar. O fogo, usado para aquecer e cozinhar os alimentos em todas as casas, das famílias mais ricas às mais pobres, também pode ser usado para tirar a vida. O método pode ser simples, mas está longe de ser eficaz ou imediato nos resultados, contrariando aquilo que muitas das vítimas pensavam antes de se imolarem. Queimaduras que atinjam mais de 40% do corpo, tornam difícil a sobrevivência. No hospital da região, o único especializado no tratamento de queimaduras, as vítimas, mulheres, chegam com queimaduras que ultrapassam os 60% do corpo. O desespero causado por uma vida de sofrimento leva as mulheres afegãs a imolarem-se pelo fogo, um último acto executado pelas próprias, dos poucos onde elas podem ter autonomia para o decidir e executar sozinhas, o qual, poderá acabar por lhes causar ainda mais sofrimento.
Difícil, para quem não conhece a realidade do Afeganistão, é entender os motivos que levam a cometer um acto que ainda causa mais sofrimento. Numa frase, o destino da mulher afegã é a sua família. Apenas e nada mais que isso. São poucas ou nenhumas as hipóteses de escolha, muito menos dentro da sua casa, onde a sua principal tarefa é servir o marido e a família dele. O acesso à educação é uma miragem e é uma vergonha ou tabú admitir que se têm problemas. A doença mental não é diagnosticada nem tratada, deixando todas as mulheres com depressão entregues à sua sorte. Toda a mulher que ouse contrariar o seu destino, transforma-se num pária. Se fugir de casa pode ser presa. Se voltar para casa, arrisca-se a ser estropiada, apedrejada até à morte ou vítima de um ‘crime de honra’. Se optar pela imolação e sobreviver, passará o resto dos seus dias longe dos olhares, podendo o seu marido casar-se com outra mulher.
As estatísticas das Nações Unidas indicam que pelo menos 45% das mulheres afegãs casam antes dos 18 anos, a maioria antes de completar 16 anos. Muitas meninas ainda são dadas como pagamento de dívidas, o que sentencia a mulher a uma vida de servidão ou escravatura e, quase sempre, de abusos. Farzana ficou prometida aos 8 anos e casou aos 12. Aos 17 anos, depois de um calvário de espancamentos e abusos por parte do marido e da sua família, ela tomou a decisão de se imolar. Uma decisão tomada depois do seu sogro a desafiar a cometer esse acto, tendo-lhe dito que ela não teria coragem para o executar. Entregou o seu filho de 9 meses ao marido, foi para o quintal, regou-se com combustível usado para cozinhar e, acendeu um fósforo. Ficou com 58% do corpo queimado. Passou 57 dias no hospital, onde foi submetida a vários enxertos de pele. Teve alta e ficou a viver com a sua mãe. A sua filha ficou a viver com o marido, impedida de ser visitada pela mãe ou pela avó materna. Nem isso convence Farzana a voltar para a casa do marido.
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Farzana (esquerda) e a sua mãe
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O fotógrafo Lynsey Addario andou no Afeganistão a recolher histórias de mulheres que decidiram por termo à vida através do fogo. Os links seguintes mostram essa reportagem em fotos e vídeo.
Aviso: os links seguintes contêm imagens que são bastante chocantes e perturbadores
Reportagem “Burning Desperation”, Fotos, Vídeo
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Este mundo é vergonhoso!
Como é isto possível em pleno século XXI ?!
A barbárie numa sociedade medieval e fundamentalista é uma realidade execrável!
Onde estão as ONGs, Tribunal dos Direitos do Homem, Organizações Humanistas, etc…
Isto não é cultura islâmica, isto é barbárie pura e diabólica…Soluções?
Haja vontade para além do mundo bélico das guerras e invasões. A ONU deveria intervir também nestes casos com urgência e eficácia.
Não bastavam já os longos anos de guerras no Afeganistão, a somar a esta tragédia fruto da cultura de opressão e fanatismo a que as mulheres são submetidas nesse martirizado país.