Dois povos, duas doenças, dois sofrimentos
A Lepra tem vindo a ser eliminada dos países que tinham a maior incidência no passado, casos de Moçambique ou República Democrática do Congo, tendo esses países atingido a meta estabelecida pela OMS, definida em menos de 1 caso por cada 10.000 habitantes. No entanto, ainda existem países onde esta doença regista casos em número suficiente para ser considerada uma ameaça à saúde pública. É o caso de Timor Leste, em particular, do enclave de Oe-kussi, localizado na zona ocidental da ilha de Timor. A sua população, de 60.000 habitantes, vive no limiar da pobreza, com condições de vida bastante difícieis. Um facto que tornará difícil o seu tratamento, o qual permanece imutável desde 1981, quando a OMS definiu o uso combinado de três medicamentos, com aplicação oscilando entre 6 e 24 meses, em função da gravidade da doença.
Adelino Quelo tem 68 anos e vive numa cabana miserável, perdida nos confins do enclave de Oe-kussi. Ele é um dos vários mutilados pela Lepra, alguém que não poderá tirar proveito do recente empenho do seu país na erradicação da doença .
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É um povo em constante sofrimento. Além da pobreza, sofreu os efeitos de um terramoto devastador. Agora, debate-se com uma epidemia de Cólera que já ceifou 300 vidas. Uma doença que se transmite pela ingestão de alimentos e água contaminada, existindo em zonas onde as medidas de saúde pública não são eficazes para a eliminar, tendo também a propagação facilitada em locais onde existam concentrações de pessoas e fracas medidas de higiene.
A ONU terá identificado a origem da doença no rio Saint-Marc, o qual terá ficado contaminado. Um rio cuja água é usada para beber, cozinhar, ou lavar roupas. Porém, algumas pessoas infectadas disseram que só tinham bebido água que teria sido supostamente tratada. Essa água é retirada do rio Artibonite e distribuída em pequenos sacos de plástico azul, sendo a principal fonte de água "limpa" para a maioria da população local. Este facto levou o diretor-geral do departamento de saúde do Haiti, a considerar que a água em sacos de plástico – que ostentam um rótulo que descreve o conteúdo como "purificado" – poderia não ser segura para beber. A suspeita da ONU cai agora numa base do Nepal para a manutenção da paz no Haiti, a qual estaria a despejar os seus esgotos num rio.
Com casos confirmados em quatro dos 10 departamentos do país, as autoridades estão agora a lutar para impedir que a doença avance sobre a capital, Port-au-Prince, onde mais de um milhão de sobreviventes do terremoto de Janeiro vive em tendas, em condições de péssima higiene. Para já, a situação agudiza-se nos hospitais das cidades da periferia de Port-au-Prince, com todos eles a ficarem sobrelotados, obrigando os pacientes a esperar a soro no parque de estacionamento pela transferência para uma clínica perto da capital.
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Que tristeza…