Herr Direktor Hände Waschen
Imagine que é director de um semanário. Imagine que duas jornalistas desse jornal decidem fazer um artigo sobre o “Face Oculta”, um processo que denúncia uma alegada rede de tráfico de influências e corrupção, que envolveria figuras mediáticas, tais como Armando Vara, ex-ministro do PS e administrador do BCP na altura dos factos; José Penedos, presidente da REN (Rede Eléctrica Nacional); e Paulo Penedos, filho de José Penedos, advogado e consultor jurídico na administração da Portugal Telecom de Rui Pedro Soares, o pivô de uma alegada tentativa de controlo da TVI por parte do governo. Em particular, um caso que indirectamente envolveria o próprio primeiro-ministro.
E nesse artigo, as duas jornalistas iriam proceder à divulgação de conteúdos de escutas que deveriam estar em segredo de justiça. Imagine o que você faria como director desse semanário. Fecharia os olhos perante um artigo tão sensível? Ou melhor, você, enquanto director do semanário, "não lia previamente, nem decidia a publicação das notícias que eram publicadas no jornal"? Custa a acreditar que você, a ocupar esse cargo, fosse capaz de ser tão despreocupado e desinteressado com o seu ganha-pão.
Mas existem directores de semanários que aparentemente são assim, profissionais que não hesitam em afirmar que: "lavam as mãos" das notícias publicadas, colocando, na prática, toda a responsabilidade da publicação nos jornalistas. Quem sabe, talvez se limitem a comprar o jornal no dia seguinte para lerem os títulos sobre o que foi publicado no semanário sob a sua gestão.
O jornalismo e a edição de jornais talvez tenha 2 tipos de directores. Os que assumem e dão a cara por todos os conteúdos publicados, sendo esses os verdadeiros líderes e capitães do navio. E os que não fazem ideia do que é publicado, levando os restantes a interrogarem-se porque raio os tipos ocupam o cargo. Usando terminologia marítima, também se costuma dizer que esses são sempre os primeiros a abandonar o navio.




Mas na altura não saiu algures escrito que a direcção se tinha reunido para decidir sobre a providência cautelar e tinham decidido ignorar?.. reuniram-se para discutir a publicação de um artigo que não leram?.. fantástico!
Este senhor da foto, mais o ex-director do Público, são o que de pior o jornalismo português teve nos últimos tempos; e não foram ou são apenas jornalistas, ou editores de uma secção – são ou foram Directores!!!!