“1 Km de Cada Vez”
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Na categoria dos que se lêem de uma só vez, para todos os que gostam de viajar, longe das multidões.
volta sempre ao lugar onde foste feliz, Gonçalo. Mas à procura de outros tipos de felicidade, que aconteçam a outras horas do dia
Não sei se somos nós o povo dos navegadores. Creio que todos os que cresceram junto a um mar também o são: holandeses, polinésios, viquingues, Cook, Tasman, Sinbad. Também não sei porque somos nós o povo dos poetas. Os húngaros consideram-se eles um povo de poetas, os chineses também, os persas cultivam a poesia desde os tempos de Zaratrusta, os chilenos e os polacos têm prémios Nobel da poesia, para não falar dos italianos, dos franceses, dos irlandeses.
O bacalhau tão amigo dos nossos pobres, também o era dos genoveses e dos catalães, quando eles eram pobres e emigravam para a Califórnia e para a Argentina (…)
Não sei por que o nosso vinho é o melhor do mundo. Também o dos neo-zelandeses e dos sul-africanos e o dos alemães o é. Basta bebê-lo com a companhia certa e qualquer vinho, de qualquer preço, é o melhor do mundo (…) Possuímos a melhor Selecção quando ganhamos; quando perdemos, é uma como tantas outras. Temos uma História grandiosa, mas nem sempre como tantas outras. E com estas conversas continuamos a tentar relacionar-nos com o que temos, com o que somos e o que valemos.
Uma pergunta recorrente: "O Gonçalo não sente saudades de Portugal, quando está fora?" Claro que sim, da mesma maneira que sentiria saudades da Albânia se fosse albanês ou do Congo se fosse congolês. Em Portugal deve-se pensar que a saudade é um sentimento exclusivo dos portugueses que estão longe da pátria. Como se só uma pátria como a portuguesa fosse capaz de despertar um sentimento assim tão forte e umbilical.
Viajando, tenho reparado que é transversal a tantas pessoas de tantas nacionalidades esta necessidade de se assegurarem da mesma coisa: que pertencem a uma nação especial. E pertencem, porque é a sua (…)
O clima é instável, o mar gelado, a terra pobre, as cidades desfiguradas, a gente dura mas hospitaleira. O bacalhau cada vez mais caro, o vinho também. Mas é tudo o que tenho e o que espera por mim. Às vezes, sabe bem regressar. Outras, apetecia mesmo era ficar para sempre lá fora – mas nem vale a pena tentar.




ofereceram-me esse livro antes de sair de portugal e na dedicatoria dizia pra fazer como o o titulo diz, um kilometro de cada vez, assim a distancia nao parece tao grande..
e confirmo, le-se numa viagem de comboio +/- longa.
mas le-se com o mesmo gosto que sempre se le um livro cheio de aventuras e a escrita engenhosa do goncalo cadilhe.
João, tem também outro ponto muito positivo. Os capítulos não têm seguimento. Podemos abrir o livro onde quisermos e ler esse capítulo sem ter de ler o resto. Coisa curiosa são também os encontros que ele teve com amigos que tinha conhecido há muitos anos, sempre no lugar mais improvável de suceder.
GC é um viajante inveterado…1 km de cada vez, é mais uma bela surpresa. Tive com ele nas mãos na feira do livro, li em diagonal alguns capítulos, mas como já tinha o saco pesado com outros livros, acabou por ficar para uma outra oportunidade. O Gonçalo trocou a “vida estável” de executivo por uma velha paixão e não se arrependeu. Nem nós que o lê-mos com todo o prazer.
Carpe Diem Gonçalo