Os tortuosos caminhos da beleza
A procura da beleza é uma industria global que rende 160 mil milhões de dólares por ano. Esse facto terá motivado o fotógrafo Zed Nelson a lançar o trabalho intitulado “Love Me” (aviso, algumas imagens podem impressionar), o qual se apresenta num brilhante catálogo das das operações e outras transformações corporais – algumas delas com ar praticamente medieval – efectuadas em 17 países nos cinco continentes. Nas palavras de Zed Nelson,
“A Globalização não nos deu apenas os Starbucks em Beijing ou os Centros Comerciais em África. Também criou um olhar assustadoramente homogeneizado. A procura mundial de aperfeiçoamentos corporais tornou-se numa nova religião. Eu imaginei o projecto como um conjunto de provas físicas, talvez para uma futura geração poder ver um ponto na história em que o anormal se tornou normal, ou pelo menos, normalizado. A imagem de marca dos padrões de beleza tem dado origem a vários tipos de intervenções cosméticas. Implantes nasais e alongamentos das pernas efectuados na China. Africanos e asiáticos aplicando produtos para clarear a pele. Nos Estados Unidos, as crianças frequentam acampamentos apenas para perder peso, ou são totalmente modeladas para participar em concursos de beleza”
As fotos de Zed Nelson mostram um pequeno mundo, interligado por um sentimento de insegurança, onde existe uma vontade quase patológica de “melhorar” as imperfeições físicas ou aquilo que não se encaixa nos padrões aceites da beleza. Recentemente, o trabalho “Love Me” ganhou o concurso Pictures of the Year International – onde também ganhou o fotógrafo Thomas Lekfeldt, com o trabalho “A star in the sky”, sobre o qual falei por aqui – na categoria de “ISSUE REPORTING PICTURE STORY” apresentado por freelancer ou agência.
Em 1920 as mulheres americanas foram finalmente reconhecidas como legítimos cidadãos, ao ser-lhes atribuído o direito a votar. Nesse mesmo ano teve lugar o primeiro concurso Miss América
(Katie, 9 anos, vencedora do Universal Royalty Texas State Pageant)
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Durante mais de 20 anos, rígidas regras sociais ou religiosas, obrigaram a mulher a usar vestidos discretos ou a cobrir o cabelo, e proibiram o canto, a dança ou uma simples maquilhagem. Agora, o Irão é o país em todo o mundo onde são feitas mais Rinoplastias
(Elham, 19 anos, e a sua mãe, depois de ter sido submetida a uma Rinoplastia)
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"Nós vivemos, como Naomi Wolf sugeriu uma vez, numa idade cirúrgica. Todos o fazem. Em breve, as únicas pessoas que não terão um único tipo de cirurgia plástica serão os pobres. O dinheiro será a última barreira ao bisturi, quando a idade, ideologia, moral e política já tiverem sido ignoradas – Maureen Rice"
(Ox e Angela, um Cirurgião Plástico e a sua mulher, Rio de Janeiro)
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"Eu quero ser magra. Eu sempre pratiquei bastante desporto no liceu. Agora, eu sou um esqueleto"
(Fiona Harris, 44 anos, Winchester, UK)
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Recentes estudos americanos alegam que actualmente, os homens superam as mulheres no que respeita a sofrer de ansiedade por causa do físico. 38% dos homens americanos desejam peitorais maiores, contra 34% das mulheres no que respeita ao aumento dos seios
(Ronnie Coleman, 37 anos, vencedor do concurso Mr. Olympia Competition em Las Vegas)
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E por causa da primeira foto, lembrei-me disto
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Excelente BW!!! Sobre o tal casal Ox e Ângela: são brasileiros. Na verdade, ela é brasileira e ele era. Foi assasinado. Ela é “modelo”e uma das acusadas de mandante do crime. Já tem alguns anos essa história…
http://fofoquinhas.uol.com.br/soltaofrango/foragida-angela-bismarchi-dara-entrevista-na-tv
Patrícia, não sabia dessa história do casal casal Ox e Ângela. Quando vi a foto até achei que era a que melhor representava aquele tema. Uma cena completamente plástica. E no fim, um desfecho triste. Tanta procura pela perfeição física, e tudo acaba num assassinato estúpido. Mas nessa história, o vil metal terá tido o seu papel. O dinheiro que ele ganhou a ‘modelar’ seres humanos, terá despertado as piores tentações na sua musa plástica
Muito interessante. Nunca tinha pensado em globalização no sentido de homogenização cultural da beleza. Já agora, abomino concursos de beleza infantis, muito populares nos E.U.A.. Acho ridículo e condenável. Nunca submeteria as minhas filhas a tal sacrifício e escrutínio.
Bjs
Ana T.
Tão valioso como um diploma. Capital erótico, você tem?
«No Brasil, por exemplo, a pujante indústria de cirurgias plásticas é um indicador claro da primazia do capital erótico. No país do Carnaval, mais de 70 mil cirurgias plásticas são realizadas todos os anos em adolescentes – os pais brasileiros já não têm que se preocupar com os pedidos para tirar a carta de condução, os implantes mamários é que estão a dar. Aparentemente são um bom investimento, como revelam os estudos de Hakim. “Os benefícios económicos de se ser física e socialmente atractivo são substanciais. Mas é mais do que isso: as pessoas que trabalham nos cargos mais bem pagos do sector privado tendem a ser mais atraentes do que os que ocupam as mesmas funções no sector público.”»