Mais um dia entre Judeus e Árabes
Os EUA, através de Joe Biden, foram ao Médio Oriente falar do processo de paz. Israel, indiferente a essa visita, fez um anúncio através do Ministério do Interior israelita, autorizando a construção de 1600 habitações em Ramat Shlomo, um bairro de colonização no sector oriental de Jerusalém, anexado por Israel em 1967 e habitado por judeus ultraortodoxos, cuja população é no entanto constituída maioritariamente por árabes. De imediato, Amr Moussa, o secretário da Liga Árabe-geral, após uma reunião urgente dos delegados na sede da Liga Árabe, no Cairo, veio dizer que não seria possível haver negociações com a aprovação de novas unidades habitacionais. Por causa disso, falou-se nos EUA de «uma crise de proporções históricas, a pior dos últimos 35 anos». Se bem que neste caso, com estes intervenientes, “crise” parece ser mais do que aquilo que realmente pode ser, já que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, garantiu que os Estados Unidos estão ligados por «laços estreitos e inquebráveis» a Israel, rejeitando a existência de uma crise diplomática entre os dois aliados.
E depois de uma trégua de vários meses, eis que é lançado um rocket da Faixa de Gaza, o qual atingiu o kibutz Netiv Há’assera e fez um morto, um trabalhador estrangeiro, de nacionalidade tailandesa. De imediato, uns tais de Ansar al-Sunna, um grupo desconhecido até à data, e a Brigada dos Mártires da al-Aqsa, ligada ao movimento Fatah, vieram ambos reclamar a responsabilidade pelo lançamento do rocket.
"The jihadist mission came in response to the Zionist assaults against the Ibrahimi and al-Aqsa mosques and the continued Zionist aggression against our people in Jerusalem," (Ansar al-Sunna)
Para Israel, a responsabilidade dos ataques é atribuída ao Hamas, e avisou que se estes nada fizerem para prevenirem novos ataques, iria agir com a força apropriada. Para o Hamas, foram as atitudes de Israel que provocaram os ataques
"The government of the Zionist enemy, which has launched a war against the Palestinian people and against holy sites and al-Aqsa mosque, bears the responsibility for all the escalation," (Fawzi Barhoum, um porta-voz do Hamas)
Antes que sucedessem novos ataques, Israel lançou diversos ataques aéreos na Faixa de Gaza, feitos com helicópteros Apache e aviões F-16 sobre diversos alvos, existindo relato de terem sido disparados 10 mísseis. Não houve relato de mortos ou feridos desses ataques, e Israel anunciou ter destruído 5 túneis e alguns locais de manufactura de armas.
Numa medida preventiva, Israel também impediu o acesso a homens com menos de 50 anos, para as orações da Sexta-Feira, à Mesquita Al-Aqsa. Relatos afirmam que a Cisjordânia encontra-se bloqueada com centenas de postos de controlo israelitas, um facto que torna difícil ou limita, num dia normal, o acesso à comida, ajuda e outros serviços.
Por fim, os planos urbanísticos de Israel para expandir Jerusalém, em terras que não deveriam ser suas, ou as tensões e ataques entre israelitas e palestinianos, levou o chamado “Quarteto do Médio Oriente” a exigir a Israel que «congele» todas as actividades de construção nos novos colonatos. Este quarteto, saliente-se, é constituído por representantes dos da ONU, Comunidade Europeia, EUA e Rússia. Ban Ki-Moon, o secretário-geral da ONU, afirmou que todos esperam que as negociações entre Israelitas e Palestinianos tenham uma resolução num prazo máximo de 2 anos, e salientou preocupação com a actual situação na Faixa de Gaza.
Um dia normal entre Judeus e Árabes, onde um processo de paz vai sendo visto por um canudo, e um estado palestiniano continua a ser uma miragem.
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