Na Fuzeta, o Mar corrige a clandestinidade
A 5 de Janeiro de 2010, o temporal registado no Algarve provocou seis desmoronamentos de falésias, a destruição de quatro casas de férias na Fuzeta e pôs em risco três apoios de praia. Segundo Valentina Calixto, a responsável da ARH,
“A ilha da Fuzeta tem 76 edificações e já estava referenciada como área ‘altamente vulnerável, onde desde 2008 já ruíram 20 habitações. O que tivemos foi três temporais seguidos, que, pela sua frequência, afectaram o assoreamento de todas as praias da região. Tecnicamente, dentro de dois meses a areia será reposta pelo próprio mar. O único caso em que o enchimento será artificial é o de Vale do Lobo. A ARH, em parceria com o empreendimento turístico de Vale do Lobo, vão proceder à recarga de 1,25 milhões de metros cúbicos de areia, numa extensão de frente de mar de quase cinco quilómetros, entre as praias de Forte Novo (Quarteira) e de Vale do Garrão (Almancil)”
A 15 de Fevereiro, uma forte ondulação de sudoeste, com cinco metros de altura, e uma preia-mar de marés vivas, provocou a destruição de cinco casas na ilha da Fuzeta e parte do cordão dunar na ilha de Faro, levando ao corte de trânsito. Na madrugada seguinte, foram mais 5 casas de férias a desaparecer na Fuzeta.
Mais do que as palavras, ficam as imagens.
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As casas eram ilegais e estaria prevista para este ano a sua demolição. Uma situação que eu não contesto. Mas coloco a dúvida de saber quando é que iriam efectuar essa operação, já que quando toca a demolições, tudo é feito para que esse momento inconveniente se arraste no tempo. Para já, o Mar fez aquilo que as entidades competentes deveriam ter feito. Só que o mar faz o seu trabalho à bruta, pouco se importando em colocar os resíduos em local adequado. Se as entidades competente já tivessem feito o seu trabalho, de certeza que não haveriam pedaços de muros de alvenaria, detritos ou varões de aço retorcidos, meio escondidos ao longo de toda a praia. Alguém se irá preocupar em remover aquilo, ou vão deixar que o Mar, bem ou mal, faça aquilo que lhes compete fazer?
[Aditamento ao texto original]
De acordo com o levantamento do Polis, nas ilhas-barreira e ilhotes existem 2 366 construções. Só na Armona, são 809, na Culatra 377, na Ilha do Farol 439, nos Hangares 162, na Ilha de Faro 248, na Fuzeta 77 e na Ilha de Tavira 46. Dispersas pelos ilhotes existem 208. Entre os sete ilhotes, o do Ramalhete é o que apresenta maior número de construções, 64, seguido do Coco com 47 e Ratas com 38.
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«Valentina Calixto disse que neste momento está um processo a correr de preparação para um concurso público de remoção dos destroços e das ruínas, cujo objetivo é retirar todo o lixo da praia e Ria Formosa até à Páscoa. As casas destruídas na Fuseta este inverno são fruto de um fenómeno natural registado numa frente costeira de cerca de 100 metros, onde o mar rasgou a duna e em consequência galgou para a Ria Formosa, um sistema lagunar natural.»
Próxima maré viva prevista para segunda-feira e pode destruir mais dez casas na Fuseta
intiresno muito, obrigado