Padres Pedófilos nunca serão afogados
«Os que escandalizam as crianças merecem que lhes coloquem uma mó de moinho ao pescoço e os atirem ao mar»
Uma frase que terá sido dita por Jesus Cristo, a qual foi agora utilizada por Bento XVI num encontro no Vaticano com membros do Conselho Pontifício para a Família, para condenar de forma peremptória os recentes casos de pedofilia na Igreja Católica. Nesse encontro, Bento XVI afirmou que a Igreja Católica mostrou ao longo dos séculos o seu compromisso para com o amor e o respeito que é devido às crianças e para com a necessidade de assegurar o respeito pelos seus direitos fundamentais.
Em Novembro de 2009, rebentou o escândalo na Irlanda. O “Relatório Murphy”, que se seguiu ao “Relatório Ryan”, publicado em Maio de 2009, enumerava um vasto conjunto de abusos sexuais em crianças, executados por membros da Igreja, ao longo de mais de 60 anos. Só em Dublin, era referido que 400 crianças pudessem ter sido vítimas de abuso de pelo menos 152 sacerdotes. E quando a hierarquia da Igreja tomava conhecimento dos casos, limitava-se a transferir os violadores para outra paróquia, muitas vezes com conhecimento das forças policiais.
Um mês depois da publicação deste relatório, eram anunciadas as indemnizações. Uma congregação de freiras católicas irlandesas, a instituição “Irmãs da Misericórdia”, criticada pelos maus-tratos infligidos a crianças, anunciou que iria pagar às vítimas uma indemnização de 128 milhões de euros. Também a congregação “Irmãos Cristãos”, prometeu 161 milhões de euros para as suas vítimas de abusos sexuais. Segundo estas congregações, as verbas destinam-se a "reparar o sofrimento das crianças" que estavam confiadas às suas casas. Seria uma contribuição monetária que "procura ser fiel aos valores de reparação, reconciliação, apaziguamento e responsabilidade", na esperança de assim "melhorar" a vida dos seus antigos pupilos.
Só na Irlanda, a Igreja gastou 289 milhões de euros em indemnizações. Trata-se de uma quantia que custa a entender como possa ser obtida, bem reveladora da enorme riqueza existente nos cofres do Vaticano. Mesmo assim, um valor muito inferior aos 962 milhões de dólares que foram gastos pela Igreja nos EUA em dois anos, também para fazer face a indemnizações por abusos sexuais de padres em crianças. O que seria se cerca de mil milhões de dólares pudessem ser aplicados para ajudar os mais desfavorecidos, em vez de andarem a pagar os pecados cometidos por alguns membros do Clero?
Estes casos não se ficam pelos EUA e Irlanda. Em mais um caso de abusos sexuais em menores, desta vez efectuado por padres italianos numa instituição católica para Surdos/Mudos, 70 alunos vieram a público denunciar os abusos praticados por dezenas de sacerdotes há mais de 30 anos. Um dos nomes referidos é o de um Bispo já falecido, que actualmente se encontra num processo de beatificação.
No caso da Irlanda existiu conivência entre autoridades do Estado e os arcebispos católicos, a qual permitiu um silêncio de décadas sobre os milhares de abusos sexuais de padres a crianças. No caso dos EUA, os padres pedófilos iam sendo transferidos de paróquia em paróquia de forma a esconder os seus actos. Bento XVI, quando confrontado com o escândalo na Irlanda, disse estar "Angustiado e indignado", mas em 2001, ainda antes de ser Papa, Ratzinger enviava uma carta a todos os Bispos católicos, onde ordenava o silêncio, sob pena de excomunhão, para todas as investigações de abusos sexuais de crianças, e que todos os casos deveriam ser reportados directamente para o seu gabinete. Nessa carta, Ratzinger afirmava que a Igreja teria jurisdição perante esses casos, permitindo-lhe efectuar todos os inquéritos à porta fechada, e que teria o direito de manter as evidências confidenciais num período de 10 anos, contado a partir do momento em que o queixoso atingisse os 18 anos de idade. No mínimo, uma carta que nos deveria deixar a nós todos bastante angustiados e indignados. Sobre este assunto, ler também a instrução do Vaticano de 1962 “CRIMEN SOLLICITATIONIS”, «Crimen Sollicitationis remained in effect until 2001 when the Vatican published a new set of procedures for prosecuting especially grave canonical crimes, including certain sexual crimes committed by the clergy».
A Igreja, além de ter padres pedófilos, dispõe-se a comprar o silêncio ou o acordo das vítimas através de quantias exorbitantes. O que seria se mais de mil milhões de dólares pudessem ser aplicados para ajudar os mais desfavorecidos, em vez de andarem a pagar os pecados cometidos por alguns membros do Clero? Aquilo que certamente as vítimas gostariam de ter, seria justiça. Mas nem os padres pedófilos são atirados ao mar com uma mó de moinho no pescoço, como nunca chegam a comparecer num tribunal ou a cumprir pena na prisão. É revoltante e abominável.
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É revoltante, é abominável, e faz-me pensar que o dinheirinho que os católicos andam a dar à Igreja durante as missas afinal ajuda a pagar c…abeças arrebentadas por padrecos com apetites incontroláveis e manias de Poder…
Também me faz pensar que afinal o João Paulo II quando se auto-flagelava (http://www.ionline.pt/conteudo/43988-porque-e-que-joao-paulo-ii-e-santo-novo-livro-revela-cartas-ineditas), estava era a martirizar-se por ser cúmplice dessa vergonha monstruosa.
(e não para redimir-me a mim dos meus pecaditos de tuta e meia, como alguns piedosos cristãos fizeram questão de apontar -na tentativa de que carreguemos todos a mea-culpa até pelo uso que o papa dava ao cinto !)
Enfim… só resta saber quem é que afinal se vai sentar à direita do Pai.
É por estas e por outras (hipocrisias) que eu não alinho com a Igreja (conjunto de pessoas hierarquicamente constituídas para representarem a religião, neste caso a católica).
Prefiro uma relação directa a Cristo, sem intermediários…