“Flashmob” à portuguesa? Haja paciência
Não consigo compreender o sucesso e a característica pandémica da ‘acção espontânea’, ou Flashmob, que sucedeu no passado dia 23 de Dezembro no Aeroporto de Lisboa – ver vídeo.
A descrição de um Flashmob é qualquer coisa deste género: «Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em locais públicos, de curta duração, para realizar uma determinada acção inusitada previamente combinada». E no conceito original, ninguém tinha de possuir aptidões ou talentos para participar na tal acção de carácter inusitado ou absurdo. Qualquer um será capaz de fazer de estátua ou travar uma batalha de almofadas por breves minutos.
Aquilo que sucedeu no Aeroporto não foi nada disto. O evento do Aeroporto foi feito por um conjunto de bailarinos profissionais, ou aspirantes a tal, que no meio da sua actuação convidaram alguns dos presentes a juntarem-se à dança. Mas isso, afasta-se do conceito original do Flashmob. Nos eventos que são feitos por cá, é notório que o acesso está restrito a quem saiba abanar o esqueleto. Foi o que sucedeu num evento do Vasco da Gama e, recentemente, no Largo Camões, a propósito da morte do Michael Jackson. Quem aparece nas imagens, mais parece estar a fazer uma prova de acesso a um Conservatório, ao estilo da actuação final da Jennifer Beals no Flashdance, What a feeling, bein’s believin’, I can’t have it all, now I’m dancin’ for my life, blá, blá, blá.
O sucesso deste evento parece demonstrar uma coisa muito simples, estão todos com saudades da série Fame. A hospedeira que se põe em cima do balcão do check-in, a cantar «All I want for Christmas is you», faz lembrar a outra maluca que dançava em cima de um carro no genérico de abertura. E o grupo de pessoas bailarinos profissionais que segue o exemplo e começa a dançar «Stayin´ Alive», fazem lembrar a Julie Miller, a Coco Hernandez, ou o Leroy Johnson. Os mais novos, que não conheceram coisas tipo “Fame”, “Balada de Hill Street” ou “Dallas”, têm sempre hipótese de ver a RTP Memória, esse canal saudosista que me dá ânsias sempre que passo por ele numa operação de zapping.
Isto não foi um Flashmob. Foi sim, uma encenação do Fame. A professora dizia «You’ve got big dreams…you want fame…but fame costs, and right here is where you start paying, in Sweat!». Ali, um responsável da TAP, num dia de greve dos funcionários do Handling, também poderia aproveitar o sucesso deste evento para dizer «You want to go home…you want speed…but speed costs, and right here is where you start paying, in Delay».




O que mais me chateia é andarem a aclamar a originalidade da acção quando aquilo é uma cópia de uma cópia de uma cópia… enfim.
É por estas coisas que em Portugal a publicidade, a boa publicidade (que a há) não sai dos portfolios dos criativos. Porque para os clientes imitar chega e porque para a maior parte dos criativos, ser original, é imitar o que já foi feito.
CP, eu nem quis mencionar essa questão da cópia, da cópia. Mas até isso deveria ser suficiente para as pessoas não ficarem ‘maravilhadas’ ou deslumbradas com este evento, porque de facto, isto já está mais do que visto. Lamento que seja essa a realidade da publicidade em Portugal. Não estou ligado a essa área, mas gosto muito de ver anúncios, bons, de preferência. E também aí, já vi a cópia da cópia
Mossó, passei por aqui apenas para desejar um Felice Anno Nuovo! (assim à italiana … já que o país e arredores estão muito em voga hoje em dia … :)
xxx
:))) Dakota, estás a falar daquele país onde as pessoas doidas passam aos actos, fazendo aquilo que os restantes gostariam de fazer mas não fazem?
Pois para ti e para os teus, desejo também um Felice Anno Nuovo, con tutte le buone e che tutti i progetti personali e professionali sono svolte
(via Google Translator, que para mim, Línguas, só de gato ou veado)
Apesar de ser promocional (TAP e ANA), de ser uma cópia, de ser executado por profissionais ou aspirantes a isso, não achei mal de todo, pelo local escolhido – o aeroporto de Lisboa e porque mais original do que as outras já realizadas, e também promocionais no Vasco da Gama e no Dolce Vita (este verdadeiramente mau).
Abraço e bom ano.
Pinguim, nem imaginas a troca de galhardetes que eu tenho feito no IOnline, via FB, a propósito disto. Quem disser que não delirou com isto, está feito ao bife :))
Mas olha, face ao sucesso disto, vê o meu post a segur a este. Era por toda a gente a dançar e até nos esquecíamos da crise :)
Só um reparo!…..a iniciativa é da ANA e não da Tap!
….se eles querem surpreender talvez este seja o único factor em que conseguiram atingir o objectivo!
falo claro da mente brilhante da agência e não do cliente
Pedro,
eu quando escrevi isto nem sabia que estava por trás uma campanha. O que eu ponho eu causa é o facto de, na minha opinião, não se tratar de um ‘Flashmob’, termo que foi usado pela comunicação social. Depois, o facto de não entender o sucesso deste evento, tendo em conta que já houveram outros idênticos (ou iguais) por cá, e que não foram tão badalados. E porquê todo este sucesso, quando no Verão, no Largo Camões, houve gente a dançar por causa do Michael Jackson, e desse evento, pouco se falou?