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“Shooting the messenger”

Novembro 25, 2009

No passado, os Media eram considerados elementos neutrais em tempo de guerra. Teriam um papel semelhante aos dos paramédicos, já que, para o senso comum, eles não procuravam a vitória, mas apenas salvar vidas ou mostrar ambos os lados da notícia.

Fadel Shana’a era um famoso cameraman da agência de notícias Reuters. Ele encontrava-se na zona Leste da Faixa de Gaza, a investigar denúncias de palestinianos que alegavam ter sido feridos na sequência de um ataque Israelita. No regresso da aldeia, após parar o Jeep para recolher mais imagens, o qual estava perfeitamente identificado com as palavras “Press” e “TV”, Fadel e outros três que o acompanhavam foram mortos por um projéctil disparado de um tanque Israelita.

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A tentativa deliberada de alvejar os repórteres em zona de guerra, será um fenómeno que deverá ter começado no conflito dos Balcãs, em 1990. Quando as atrocidades cometidas pelos Sérvios, Bósnios e Croatas foram filmadas de divulgadas, os Media ficaram sob desconfiança, acusados de apoiarem uma facção em detrimento das restantes.

Uma mudança significativa terá acontecido durante a segunda invasão do Iraque em 2003, onde, sob a desculpa da protecção dos jornalistas, os militares passaram a levar os Media nas suas missões. Um conceito que se poderá designar por “Incorporação”, e que significava que os jornalistas iriam onde os militares queriam que eles fossem, e veriam apenas aquilo que eles queriam que eles vissem, podendo-se considerar uma forma subtil de obrigar os Media a apenas reportarem aquilo que os militares deixassem que fosse reportado.

Ser repórter no Iraque sem estar ‘incorporado’ numa missão do exército, era um risco que se podia pagar com a vida. Terry Lloyd, um repórter veterano, juntamente com a sua equipa, eram dos poucos a operar dentro do Iraque sem dependerem do exército para a escolha das reportagens. Apanhados sob fogo cruzado, Terry e mais dois, foram mortos por erro num ataque de soldados americanos.

Em todo o mundo, o medo de rapto dos jornalistas, tem vindo a ser substituído pelo medo de acções de intimidação. Que o digam todos aqueles que tentam ser jornalistas na Rússia.

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Para muitos jornalistas ou cameraman, a Faixa de Gaza, densamente povoada, será dos locais mais perigosos para fazer reportagens. Tanto Palestinianos como Israelitas têm perfeita noção do poder de propaganda das imagens. Fadel Shana’a já tinha tido uma má experiência anterior. Ao se deslocar a uma aldeia para filmar a destruição resultante de uma explosão, o seu Jeep foi atingido por um míssil disparado de um helicóptero Israelita. As palavras “Press” e “TV”, pintadas no veículo, não o protegeram desse ataque, tendo sofrido ferimentos graves.

Hoje em dia, ser jornalista em cenários de guerra, obriga a ter a noção que aqueles que têm muito a esconder, tudo farão para que a verdade não seja conhecida, mesmo que isso obrigue a matar o mensageiro.

Shooting the Messenger” é um documentário da Al Jazeera, que fala morte ou intimidação deliberada de jornalistas em zonas conflito, tendo sido nomeado para um prémio Emmy.

  • “Shooting the Messenger” – Parte #1
  • “Shooting the Messenger” – Parte #2
  • “Shooting the Messenger” – Parte #3
  • “Shooting the Messenger” – Parte #4

 

Fadel Shana’a

Eu não posso desistir do jornalismo. Só duas coisas me podem parar – se eu morrer, ou perder as pernas (Fadel Shana’a)

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