A importância material é definida pela ordem de empacotamento
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A propósito da mudança do Lar doce Lar, e da interminável operação de empacotamento de todos os objectos expostos ou escondidos, foi possível constatar uma coisa muito simples. Todo o conteúdo que enchia uma estante acaba por perder a sua relativa importância, quando transferido para despersonalizadas caixas de cartão. Aquilo que realmente importa acaba por ficar para as últimas caixas, ou pode nunca chegar a ser empacotado.
Olho agora para uma estante vazia, à espera que chegue o dia em que alguém a levará para a nova morada, e nem estou preocupado em saber em quais caixas param o seu conteúdo. Ao fim de quanto tempo um objecto passa à categoria de bugiganga?
Este texto foi um escape para tentar esquecer, caixas de cartão, fita castanha auto-colante, e um marcador azul para numeração e futura identificação das caixas. Por coincidência, as peças de valor e frágeis, foram parar à caixa nº 13. E faltam 3 dias para a mudança.
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Está quase! Concordo quinhentos por cento! Por ordem inversa, a de desempacotamento, as últimas caixas são aquelas que fazem começar a pensar se vale mesmo, mesmo a pena abrir e guardar aquela traquitana toda. Muitas vezes ficam para sempre na garagem.. :)
Ana,
a operação de empacotamento tem associada uma primeira filtragem dos objectos. Mesmo assim, ainda resiste uma vontade de guardar algumas coisas que nos deixam dúvidas. Mas ao tirar as coisas das caixas, com todo o cansaço em cima, acredito que será a limpeza final, com muitos sacos do lixo a serem cheios
Trata-se aqui de reformular. Sempre que reformulamos qualquer coisa, damo-nos conta de que a (re)formulação anterior estava toda errada. Isso leva-nos ao cepticismo, que é uma outra maneira de dizer “experiência”. Vamos ficando cada vez mais ácidos, mas, felizmente, adquirimos ao mesmo tempo a capacidade de dosear o material corrosivo.
Camionista,
eu diria que existe também um sentimento de renascimento. Já que se vai começar uma nova etapa, para quê guardar coisas que só vão encher, as quais tiveram o seu momento no passado, mas que agora pouca falta fazem?
Mas com a “experiência”, vamos ficando mais ácidos ou sentimentalões? :)
Excelente este post. e claro, partilho. no fundo as coisas valem mesmo pelo que investimos nelas enquanto sonhos, certo?
Popelina,
nem mais. Noutro contexto, ou com o passar dos anos, determinadas coisas perdem a sua relativa importância e constatamos que afinal não nos custa deitá-las fora.
Preferia perder todo o conteúdo daquela estante, ao velhinho Swatch que há muito deixou de funcionar, mas que foi a última prenda que a minha mãe me ofereceu.
(…). um beijinho.
Já fiz tantas, mas tantas mudanças que se as descrevesse aqui necessitaria de vários posts / comentários. Desde que casei já mudei 9 vezes de casa, com os meus pais já nem sei quantas. ESTOU FARTO!!!!!!!
Jimmy,
agora que está (quase) tudo no sítio, até dá para esquecer o pesadelo que durou vários dias. Mas é um processo onde é preciso ter muita paciência. O futuro é sempre difícil prever, mas neste momento, eu prevejo que tenha feito a última mudança de casa. Este facto só deverá ser alterado, caso ganhe o Euromilhões, e possa pagar a alguém para tratar de tudo – tudo mesmo – enquanto eu vou passar uma temporada num hotel ou no estrangeiro.
olá blue, e sabes o que é pior numa mudança? é chegares à casa nova e só veres caixas e sacos por todo o lado…
o melhor: é descobrires coisas que já não vias à anos
bjkas
marg
Margarida,
ao fim de dois dias, até conseguimos ficar operacionais, com a roupa colocada nos sítios certos. Mas um dos quartos foi mesmo transformado em depósito de caixas, e era um pesadelo tentar descobrir alguma coisa lá :)
Não, o melhor é mesmo tu equacionares se ainda precisas daquela ‘coisa’ para onde estás a olhar, e tomares a decisãod e a mandares para o lixo. Tem sido uma limpeza enorme.