Obrigado Hugh Hefner, és um bacano!
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Na próxima 6ª Feira, sai o primeiro número da edição portuguesa da Playboy. No meio de uma crise mundial e concorrendo com revistas que já possuem leitores fiéis, caso das publicações “Maxmen”, “FHM” ou “GQ”, a Playboy aposta no mercado nacional, lançando uma tiragem de 82 mil exemplares, com um preço de capa de 3,95€.
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Quase 4€ apenas para ver mulheres portuguesas descascadas, que existem aos molhos em sites da Web? Não é bem assim. As ‘Coelhinhas’ acabam por ocupar uma pequena parte da revista. O resto é preenchido com artigos de fundo, entrevistas e publicidade. Por cá, fica a dúvida se as figuras de topo vão-se disponibilizar a dar entrevistas para uma revista que é lida, em geral, junto a uma sanita. Pretende-se que o modelo se mantenha fiel à qualidade que lhe é reconhecida mundialmente, e que ao longo dos anos foi capaz de convencer figuras como Martin Luther King, Frank Sinatra, Malcolm X ou Jimmy Carter a darem entrevistas.
Se a edição americana contou com histórias da autoria de Arthur C. Clarke, Ian Fleming, Vladimir Nabokov, ou Margaret Atwood, por cá, vamos ter direito ao incontornável Nuno Markl, ao escritor Pedro Paixão, ao autor de banda desenhada Nuno Saraiva e a Ana Anes (autora do livro Sete Anos de Mau Sexo). O Nuno Markl está na berra, sobretudo graças ao empurrão dado pelo “Os Contemporâneos” e só me interrogo quando irá passar a Marklmania.
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Quanto às ‘Coelhinhas’, apesar de ocuparem uma pequena parte da revista, são sempre o motivo principal da sua compra. Num país onde as aparências têm primazia na sociedade, fica a dúvida sobre quais as mulheres estarão dispostas a tirar a roupa a troco de dinheiro.
Uma coisa é tal de Carla Matadinho, que ninguém tinha ouvido falar, ser eleita Miss Playboy TV 2002. Outra é uma actriz ou apresentadora, estar disposta a despir-se e a ficar com o estigma Playboy colado à testa. Lá por fora, isso não tem sido prejudicial a quem toma essa decisão, mas por cá, com tanto preconceito e necessidade de manter falsas aparências, não sei até que ponto isso não será um tiro no pé para as futuras ‘Coelhinhas’ Lusas.
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A ‘Coelhinha’ da capa do primeiro número português é um segredo bem guardado, e poderá marcar desde logo o sucesso da revista. Não faço a mínima ideia sobre quem possa ser. Pelo sucesso que teve na FHM, talvez apostasse na Luciana Mamalhuda, mas tendo em conta o programa para crianças que tem na SIC, duvido que o fosse capaz de fazer nesta fase. Uma coisa é aparecer de bikini em fotos com ar sensual, outra bem diferente, é aparecer tal e qual como veio ao mundo. Por melhores que sejam os fotógrafos, e a Playboy sempre se caracterizou pelas excelentes fotos que apresentava, tiradas por nomes bem conceituados da fotografia – Arny Freytag, Russ Meyer, Suze Randall, Annie Liebowitz ou Helmut Newton, entre outros – a questão é esta: nua é nua.
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Esta é uma revista com mais de 50 anos de existência. O primeiro número, lançado nos EUA em Dezembro de 1953, tinha a Marilyn Monroe na capa. O pico de vendas foi atingido na edição de 1972, com a venda de cerca de 7.100.000 cópias de uma revista que tinha na capa a modelo Pam Rawlings. Se por cá vamos ter direito a uma edição nacional, noutros países, sobretudo muçulmanos da Ásia ou África, a Playboy tem a venda e distribuição proibidas. Juntar o nu com símbolos religiosos nunca dá bom resultado, que o diga o Larry Flynt com a sua revista Hustler. Na edição Mexicana da Playboy, a modelo Maria Florença Onori surgiu com roupa e artefactos que faziam lembrar a Virgem Maria, tendo esse facto gerado enorme polémica com a igreja local e não só.
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Na semana do lançamento da edição nacional da Playboy, o Hugh Hefner fez questão de dar um presente a todos os apreciadores da Playboy, bem como a todos os que não a conhecem. Nas suas palavras «A Playboy tem uma história incrivelmente rica e um grupo de leitores muito leal. Esta é a oportunidade perfeita para dar este presente aos leitores e é uma boa maneira de permitir que a nova geração explore facilmente a revista». Usando a Internet, que deverá andar a causar grandes quebras nas vendas da Playboy, Hugh Hefner decidiu colocar 53 edições, relativas ao período 1954-2006. Durante cinco anos, a Bondi Digital Publishing, empresa contratada pela Playboy, digitalizou o conteúdo integral desses 53 números, onde se incluem fotografias e textos, de todo o acervo da revista, tendo sido feita a publicação num site de acesso grátis.
Confirmo que o site está bem construído, com uma navegação perfeitamente intuitiva, permitindo seleccionar ou ampliar até ao mais ínfimo detalhe.
Espreite aqui e confirme http://playboy.covertocover.com/.
A visita aos números dos anos sessenta é obrigatória. Uma curiosidade dos anos setenta é a quantidade de anúncios a bebidas alcoólicas ou a marcas de tabaco. Num anúncio da marca Salem, um ‘pintas’ questiona “How come I enjoy smoking and you don’t?”. Boa pergunta.
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Que eu saiba, nenhuma mulher se despe de borla – na Playboy, entenda-se – e por isso, estou com curiosidade em ler algumas justificações que possam surgir por parte das principais interessadas. É que além do dinheiro e da possibilidade de (re)lançar uma carreira, não vale a pena apresentar grandes argumentos ou teorias. Não metam ao barulho a questão das fotografias serem bonitas e de qualidade, ou do trabalho em causa ser uma coisa séria. Quem se despe para a Playboy deverá merecer o mesmo respeito que alguém que se pendura sem roupa num varão. Se ambas as situações forem tratadas em pé de igualdade, estaremos de acordo. O problema é que não é isso que costuma suceder. Uma coisa é uma figura pública que tenha concordado tirar a roupa numa sessão fotográfica da Playboy, a troco de dinheiro, despertando fantasias sexuais em leitores maioritariamente masculinos. Outra bem diferente é uma mulher que se despe ao som de música, despertando fantasias sexuais numa plateia maioritariamente masculina. Ou veja-se o impacto que essas situações podem ter num circulo de conversas masculinas: “Aquela é a namorada do João. Foi capa da Playboy portuguesa – WOW! A sério?” contra “Aquela é namorada do João. É Stripper – Há! Pois…”.
O conceito é o mesmo, só que a ‘marca’ do serviço faz toda a diferença.
E só se despe quem quer (precisa), e só vê quem gaste 3,95€.
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