Twitter, eu bem tentei, mas não consegui

2009 Março 16
by bluewater68

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Nos últimos tempos, quando achar que um determinado blogue possa estar com ar de abandono, procure o respectivo autor no Twitter, pois será provável que se tenha mudado de armas e bagagens para lá, ou esteja preso ao vício do micro-blogging, sem tempo para escrever noutro lado.

O que é o Twitter? Se ainda desconhece um dos maiores fenómenos de popularidade dos últimos tempos, em faço uma breve apresentação. O Twitter é como uma plataforma de blogues, só que, em formato reduzido, com textos limitados a 140 caracteres (o limite de um SMS). Através de um teclado ou de um telemóvel, você poderá publicar micro-posts, sem estar preocupado com formatações de texto, ou inclusão de imagens. Quanto muito, poderá associar um link no texto, a dizer às pessoas para irem ver um documento na Net. E o que pode publicar em 140 caracteres? A ideia original é responder à pergunta «O que estás a fazer?» Estou aqui, estou ali, estou a fazer isto, etc.

Mas o conceito é muito mais abrangente. Há quem faça pequenos comentários a notícias, indicando também o link para que se perceba o contexto do que foi escrito. Os media estão em peso no Twitter e usam-no para destacar as suas notícias. Os cómicos da nossa praça usam-no para dizer micro-graçolas. Uns usam-no para micro-Chat. E há aqueles que apenas se dedicam a responder a coisas escritas pelos restantes. O Twitter pode servir para quase tudo, desde que se tenha sempre presente a ‘limitação’ dos 140 caracteres.

Entre milhares de textos a explicar o Twitter, eu sugiro a leitura deste “Ainda não sabe o que é o Twitter?” (Visão) ou a leitura destes conselhos “Twitter be Nimble, Twitter be Quick, if you don’t know Jack, try these Twitter Tricks”, ou mesmo este “Quanto valem 140 caracteres?”, do ******** (substituir pelo melhor adjectivo) Paulo Querido, para ter uma ideia do real valor de se escrever pouco.

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Tirando a hipótese de associar imagens ou efectuar formatações de textos, o Twitter é em tudo semelhante ao conceito de uma blogue, apenas com a pequena enorme diferença de tudo se passar de forma muito rápida e em formato micro. Um blogue com pelo menos uma publicação diária é já um blogue com bastante dinamismo, onde os comentadores ase podem queixar de não terem tempo para comentar tudo o que se publica.

No Twitter, dizer que se publica 30 textos por dia, é normal. Não dá trabalho preparar um texto. Em poucos segundos pode-se publicar uma ideia, uma opinião, uma notícia, e em poucos segundos podem surgir centenas ou mesmo milhares de «replyes» ao que escrevemos. Salvo seja, não quero que você, ilustre desconhecido, possa pensar em ter esse poder de atracção. Este deslumbramento de responder em massa à escrita de terceiros, apenas sucede com aqueles que são realmente famosos. E isso leva-me a mencionar mais um factor para se andar no Twitter: A esperança de receber-mos um Reply de alguém famoso.

Para se perceber melhor isso do Reply, falo do conceito de «seguidor de» e «seguido por». E para explicar isto, vou usar o exemplo do SOL. No SOL, qualquer pessoa poderá ler o que é publicado nos diversos blogues, no entanto, só quem tem conta é que poderá comentar textos. No Twitter é a mesma coisa. Podemos ler os micro-textos de qualquer um, mas apenas poderemos comentar ou publicar se lá tivermos conta criada. No SOL, a lista das publicações serve para se ter conhecimento de tudo o que foi publicado, ordenada por data decrescente. No entanto, será natural criar preferência por determinados autores e criar-se uma lista de favoritos. Nesse contexto, ou se percorre a tal lista à procura dos autores favoritos, ou se vai directamente a esses blogues para verificar se existem textos novos, mas essa não será a forma mais prática de conhecer as novidades. Para isso existem os tais “Avisos por Email”, que depois de subscritos em cada blogue, permitem receber cópia no Email, todos os textos novos e comentários que possam estar associados a cada um. No Twitter, os tais ‘Avisos’ são equivalentes às subscrições de «seguidor», ou seja, basta ir ao Twitter de cada um que se queira seguir e fazer clique num botão com a indicação [Follow]. A partir desse momento, na nossa página principal, passaremos a receber tudo o que esse membro publique, sem ser necessário ir visitá-lo à sua página. Ainda no Twitter, cada membro tem uma lista relativa ao conceito «seguido por», ou seja, quais os membros do Twitter que vão receber na sua página principal, uma cópia de tudo o que escrevermos. Esse conceito não existe no SOL, no caso dos ‘Avisos’. Num blogue do SOL, não é possível ao autor saber quais os membros que subscreveram os seus ‘Avisos por Email’.

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Veja estes exemplos. A nível nacional, o Nuno Markl, que nos últimos tempos parece ter-se tornado no tipo mais popular e porreiro para se conhecer, é «seguido» por quase 6000 membros do Twitter. Ele, que se confessa maravilhado pelo Twitter em detrimento do seu blogue, escreve uma coisa destas «A maravilha do Twitter: tanto falamos do Zeitgeist como, no instante a seguir, de petits gâteaux do Pingo Doce!» e muitos milhares de pessoas vão ler isso. Como o processo é dinâmico, nos instantes seguintes vão ser muitos os que vão fazer «reply» (responder) a esse texto, e eventualmente, se caírem nas graças do tipo porreiro, até poderão ser contemplados com uma resposta.

Lá por fora, um senhor de nome Stephen Fry (um grande senhor) é «seguido» por cerca de 308.000 pessoas. Você consegue imaginar-se a escrever uma frase até 140 caracteres e haver centenas de milhar de pessoas interessadas nisso? Ou muitas delas a responder a isso?

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Eu não consigo compreender a acrescente necessidade de velocidade da nossa sociedade. Cada vez se quer fazer mais e cada vez existe menos tempo para fazer seja o que for. Um pouco fora deste tema, ontem assistia a uma reportagem de alguém que montou uma empresa para fazer recados, ou seja, essa pessoa, a troco de dinheiro, disponibilizava-se para fazer as compras do supermercado, ou ficar em casa do cliente à espera que fossem entregar um sofá. No meio da actual crise, é interessante como vão surgindo ideias destas, e aparentemente, com sucesso.

Só numa sociedade hiper-acelerada é que podem existir aberrações do tipo Speed Dating. E se os blogues já consumiam muito tempo a ler, inventa-se o conceito Twitter, ou, vamos blogar em grande speed e de forma curta: ‘Eu não quero ler grandes textos, nem tenho tempo para comentar, basta-me ler coisas de um parágrafo que já fico contente’.

Há dias, realizou-se o primeiro evento do tipo Sit-down Comedy, ou a possibilidade de vários humoristas ou aspirantes a tal, dizerem ‘bocas’ à desgarrada no Twitter durante 60m (ler por aqui). Não acompanhei o evento em directo, mas creio ter sido um enorme sucesso. Pelo menos, haja paciência ou interesse para isso.

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O “Ma Ke Jeto, Mosso” andou (anda?) por aqui no Twitter. Ao fim de algum tempo, estou a seguir o é dito por 32 pessoas/entidades, e outras 37 acharam que deveriam seguir aquilo que eu possa ir escrevendo. Sobre esses números, importa referir um aspecto importante. Aqueles que Eu sigo Não são na sua maioria aqueles que me seguem, isto é, eu sigo pessoas como o Tito de Morais (um simpático e fundador do MiudosSegurosNa.Net), Bruno Nogueira, Nuno Gervásio, todos os do SOL que estão a Twittar, o Schwarzenegger ou a Vanity Fair. No entanto, sou seguido (ver lista aqui) por pessoas de quem eu nunca ouvi falar. Volta e não volta fico a saber que comecei a ser seguido por beltrano ou cicrana. E se no SOL há quem diga que a panelinha existe, a qual inclui um esquema ‘eu comento a ti para tu depois me comentares’, no Twitter, a ‘coisa’ não será diferente, sendo a ideia ‘eu sigo-te para tu depois me seguires, ok?’. É claro que isto é só uma suposição da minha parte, que não deverá ser levada a sério. De qualquer forma, talvez essa suposição sirva para explicar que entre os 250 Twitters nacionais mais popularuchos (ver lista aqui), possam estar ‘cromos’ que só muito dificilmente dirão algo que cative centenas de «seguidores».

Para que vocêm perceba a dimensão disto, importa referir o seguinte. Se eu seguir 1000 pessoas e essas pessoas publicarem um Twitter ao mesmo tempo, eu ficarei com 1000 novas entradas para ler na minha lista. Acha que alguém consegue acompanhar isso? Também ali existe a procura da fama e da popularidade. Não é só no Hi5 ou no Facebook ‘Não me interessa quem me segue ou quem eu sigo, eu só quero ser popular e aparecer no topo das listas’.

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Eu bem tentei, mas não consegui. Num momento em que todos Twittam, eu só quero fugir de lá. Não vale a pena insistir em algo com que eu não me identifico ou me sinto inadaptado. Escrever ideias em 140 caracteres? Eu? Só podem estar a brincar. Há quem tenha a arte de conseguir dizer muito e bem numa linha, como era o caso da MAD, ou que seja capaz de dizer coisas deste tipo «Os hotéis são o ferro de engomar do mundo, tiram sempre todas as rugas que as sociedades à sua volta têm». Esses no Twitter serão como peixe na água. Eu não consigo. Além de não saber o que dizer em poucas palavras, entro em histeria quando tento fazer «reply» e sou notificado de ter excedido o número 140. É um desespero. Gosto de escrever e lamento se necessito de ‘muita pista’ para o fazer. Sem dúvida, prefiro ‘slow’ a um qualquer ‘speed’.

Se ainda não anda no Twitter e ficou com vontade de o fazer, clique aqui. E quando andar por lá e começar a seguir alguém ‘famoso’, tenha a certeza de estar perante o original, e não perante uma cópia rasca. É que qualquer um pode criar a conta Jesus e adicionar uma foto.

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E para terminar ao estilo Twitter, talvez este texto pudesse ter sido escrito na forma

«Eu e o Twitter somos como água e azeite» (39 carac.)

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6 Respostas leave one →
  1. 2009 Agosto 3

    Me manda um programa que segue várias pessoas ao mesmo tempo!

  2. 2009 Novembro 12

    Excelente!!! Parabéns!!!

  3. 2009 Novembro 13

    Excelente. Espelho-me no seu texto.

  4. 2009 Novembro 13

    Para umas boas gargalhadas:
    Twouble with Twitters – http://www.youtube.com/watch?v=PN2HAroA12w

    • 2009 Novembro 13

      Curiosa, seja bem-vinda a este blogue. Já conhecia o vídeio, mas agradeço pela recordação pois já serviu para me rir de muitas das situações a gozar com o Twitter. Eu acho piada quando existe um apagão do Twitter, tentando imaginar a cara de todos aqueles que vivem para aquilo

  5. 2009 Novembro 14

    Obrigada. E muitos parabéns pelo Blog, andei a cuscar e gostei bastante, aliás, achei excelente. Vou seguir.

    Há uns bons meses inscrevi-me no Twitter por influência dum amigo que é frequentador assíduo. Fez-me a visita guiada e tal, e eu simplesmente detestei a colecção. Não sigo e não escrevo lá nada, mas de quando em vez recebo notificações que o AdónisDaTasca ou a VenusDosTremoços me seguem.
    Mesmo sem lá escrever, por relatos que conheço, acho que é de bradar, ou de chorar a rir, não sei. O pânico do apagão e a ressaca do Twittes, o desespero porque ficaram sem acesso, a divisão por castas, o jantar queimado no forno porque foram dar uma Twitadela …
    Enfim… Também não consigo.

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