Tudo Termina ou O Fecho das Urgências mais Porreiras

2009 Março 13
by bluewater68

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Vou recordar aquilo que disse em Outubro de 2007, no texto “Tudo Termina ou Um Final Perfeito” «No AXN, às 21:30 de cada Sexta-Feira, continua a ser exibida a série “ER” (…) Por mim, esta série já teria terminado há muito tempo. Perda de qualidade? Não. A qualidade dos episódios mantém-se inalterável e é a mesma que já justificou esta série ser vencedora de inúmeros prémios. O problema é que para mim, a série já chegou a um ponto onde nem helicópteros a cair do céu conseguem reduzir o nível de tédio.»

A verdade é que ainda vou assistindo nas noites de 6ª feira aos episódios transmitidos no AXN. A fórmula para conseguir fazer isso é simples: tenho de ver cada temporada como se fosse uma série nova, sem recordar o que está para trás. Não é possível fazer de outra maneira. Este E.R. não tem a pujança de outros tempos, mas quem o esteja a ver pela primeira vez, irá confirmar a qualidade e a emoção da acção. Para os outros, aqueles como eu que acompanharam a série desde o início, é que será mais difícil vibrarem com os novos episódios. Por mais que os produtores tentem inovar, ficamos com a sensação de estar a ver mais do mesmo. Mesmo com tédio, é uma série que demonstra bem o génio do seu criador, Michael Crichton, que faleceu em Novembro de 2008, sem assistir ao final de uma das suas grandes obras.

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Ao fim de 15 anos, E.R. está próxima do fim. O último episódio será exibido nos EUA no próximo dia 2 de Abril. A NBC fecha finalmente as Urgências mais porreiras que conhecemos, as quais foram líder de audiência em 3 anos de emissão, e que renderam uns modestos 22 Emmys, entre muitos outros prémios.

Os números são impressionantes. Desde o dia 19 de Setembro de 1994, foram filmados 331 episódios, que contaram com um total de 750 actores. A série teve 123 nomeações para os Emmy, tornando-a na série mais nomeada de sempre. De forma consecutiva, entre 1995 e 2002, ganhou o prémio People’s Choice Award, na categoria de séria Dramática. Há quem tenha estado dedicado a esta série de corpo e alma ao longo de 15 anos, sem nunca ter feito mais nada.

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Em 15 temporadas, houve quem apenas se dedicasse a espalhar milhares de litros de sangue falso ou a abastecer as gavetas de milhares de agulhas ou instrumentos cirúrgicos falsos. Para esses nunca existiu o tapete vermelho das cerimónias dos prémios. Porém, esse facto nunca lhes retirou o entusiasmo com que sempre efectuaram o seu trabalho. É o caso de Radford Polinsky, que dedicou grande parte da sua vida a gerir a caracterização dos ‘pacientes’ que entravam pela porta das Urgências. Ou o caso de Rick Kerns, consultor principal desde o primeiro episódio, que andou sempre a actualizar-se sobre tudo o que se fazia no mundo da medicina. Teve de conhecer as novidades dos fabricantes para garantir que os equipamentos utilizados eram actuais face aos usados nas Urgências reais. Isso obrigou-o a participar em muitas convenções médicas ou a ler publicações da especialidade.

A credibilidade dos actos filmados ficou-se a dever aos pareceres emitidos por 3 médicos, com experiência no trabalho das urgências, que trabalharam de forma rotativa na série como consultores. Um deles, o Dr. Joe Sachs, chegou a passar pela área de escrita dos guiões, até atingir o cargo de produtor executivo.

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O fim de uma série com 15 anos está a deixar preocupada grande parte da equipa, quer os que se encontram há mais tempo, como os contratados nos últimos tempos. A crise gerada com a greve dos guionistas, com enormes prejuízos para as cadeias de televisão, fizeram repensar o modelo a adoptar no futuro. Os programas da ‘Vida Real’ têm sido preferidos em detrimento das séries baseadas em guiões, ou, no caso da NBC, as séries dramáticas exibidas no prime-time, têm sido substituídas pelo talk show do Jay Leno.

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George Clooney, no papel do Dr. Doug Ross (109 episódios), foi a maior estrela que saiu desta série. Na altura devida deu o salto e afastou o estigma de médico Pediatra que o poderia perseguir ao longo da carreira. Hoje, muitos, mas sobretudo, elas, conhecem-no de outras paragens, e já não o vêem de bata branca. A mesma sorte não calhou a outros que também deram o salto, caso de Anthony Edwards (Dr. Mark Greene, 181 episódios), Noah Wyle (Dr. John Carter, 253 episódios), Julianna Margulies (enfermeira Carol Hathaway, 135 episódios) ou Laura Innes (Dra. Kerry Weaver, 249 episódios). Não será certamente por falta de talento, mas a verdade é que fora daquelas Urgências, ainda não tiveram um sucesso idêntico no grande ecrã.

Fugir ao estigma de um papel não é fácil. Depois de um espectador ver o Noah Wyle a desempenhar o personagem de um médico ao longo de 253 episódios, torna-se complicado admitir que ela possa ter outro papel. É como se a ficção se fundisse com a realidade e o espectador passasse a assumir que ele era de facto um profissional no ramo da Saúde.

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Tudo termina. Neste caso, o fim chega após 15 anos de filmagens. Não será algo fácil de assimilar por todos aqueles que agora vão ter de procurar alternativas profissionais. Para os americanos, fica a hipótese de no dia 2 de Abril verem mais um final de uma série, o qual, aposto eu, não vencerá aquele que terá sido o melhor final de todos os tempos, o do “Sete Palmos de Terra”. Por cá, se o AXN mantiver as emissões, isso significa que ainda faltam 4 episódios da 13ª Temporada, 19 episódios da 14ª Temporada, e 22 episódios da 15ª Temporada, até podermos ver o último. E hoje, 6ª Feira, às 21:30, fica o consolo para os apreciadores de poderem assistir ao episódio 20 da 13ª Temporada.

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