O Tirano do Caviar e o Povo que troca Ouro por Pão
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É difícil não voltar a falar do Zimbabwe. Não é só a Cólera a matar um povo. É a miséria e a fome que ditam o desespero. Só existe uma moeda para comprar comida: Ouro. Quem for novo e tiver forças, passa os dias a tentar reunir uns minúsculos grãos do vil metal, apenas para os trocar por bens essenciais. Quem for velho e doente, ou morre à fome ou implora pela caridade dos mais novos.
E no meio deste cenário de repleto de histórias de miséria profunda, um tirano caquéctico continua alheio a todas as pressões internacionais, oprimindo um povo e ignorando a desgraça de todos.
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No próximo dia 21, tudo aponta que o Tirano possa comemorar mais um aniversário no poder. Irá soprar um bolo com 85 velas e continuará a desprezar mais de sete milhões de pessoas que precisam de ajuda humanitária para sobreviver.
E como o seu aniversário é sempre uma festa de arromba, refere-se apenas que a mesma será guarnecida com os seguintes itens: Duas mil garrafas de champanhe, 8 toneladas de lagosta, 3 mil patos, 4 mil porções de caviar, 8 mil caixas de chocolates Ferrero Rocher e 500 quilos de queijo. A festa do ano passado teve um custo que rondou os 1,2 milhões de dólares. Esta, pelas estimativas, terá um custo superior.
Antes de serem conhecidos estes dados, um filme publicado pelo Guardian revelava todo o horror e desespero do povo do Zimbabwe.
Uma vez que a moeda local deixou de ter algum valor pela inflação astronómica a que está sujeita, as populações viram-se para a pesquisa de Ouro nos rios. Um pão de Forma é trocado por 0,1 gramas de Ouro.
Numa cena devastadora, uma rapariga de 15 anos, com a cara inchada, conta que foi espancada e expulsa de casa da sua avó, por ser mais uma boca a comer. Há 3 dias que ela não comia algo. Noutra cena, uma criança esfomeada come uma ratazana.
E no próximo dia 21, um Tirano irá dar uma festa obscena, esbanjando dinheiro e alimentos. Apenas se pode desejar que sufoque com um Ferrero Rocher.
O vídeo seguinte, da reportagem do Guardian, poderá ser bastante chocante, mas não é mais do que um retrato da situação de desespero que é vivida pelo povo do Zimbabwe.
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