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O canastrão Rourke renasceu das cinzas

Janeiro 22, 2009

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Há vinte e tal anos atrás, não se ouvia falar de Brad Pitt ou George Clonney. Também não sei se o Mickey Rourke terá sido eleito um dos homens mais sexy do planeta, mas posso garantir que graças a um filme com uma loira, o qual falava de snacks junto à porta de um frigorífico, e que mostrou uma das cenas de striptease mais famosa do cinema, ter-se-á dado o aumento da libido e de pensamentos pecaminosos de muitos homens e mulheres. Para alguns, esse terá sido o pico da sua carreira. Na minha opinião, o ponto alto tinha-se dado um ano antes, no papel do Capt. Stanley White, em “O Ano do Dragão”, com uma cena final que acabou por ser copiada por outros realizadores.

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Depois disso, voltou a tentar despertar a libido em “Orquídea Selvagem”, mas, sem ainda existir Viagra no mercado, era difícil que o mesmo despertasse alguma coisa. Depois disso foi o caminho para o abismo, com papéis discretos no cinema e uma passagem pelo boxe. A carreira de Rourke parecia desaparecer sob o peso do “Nove Semanas e Meia”. A somar a tudo isto, confesso uma embirração com o senhor. O facto de ter ficado com feições tipo “Homem Elefante”, não sei se em resultado de uma plástica manhosa, também não contribui para eu o conseguir ver como um grande actor. Eu sei, o talento não se relaciona com embirrações ou com beleza.

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Mas por causa disso, foi com espanto que li «Para o Óscar de Melhor Actor, além de Pitt estão nomeados Sean Penn (“Milk”), Mickey Rourke (“The Wrestler”) – e prevê-se que este seja o duelo da noite, com Penn e Rourke a puxar pelo favoritismo -, Richard Jenkins (“The Visitor”) e Frank Langella (“Frost/Nixon”)»

Rourke a lutar de forma renhida com o Sean Penn e a puxar pelo favoritismo? Uau. Confesso, não esperava este renascer das cinzas. Note-se, estamos a falar da estatueta de ouro que será entregue ao actor que for considerado o Melhor Actor Principal.

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Parece que o papel dele é de facto poderoso. Infelizmente, é num filme que fala de Wrestling, algo que eu abomino.

Brad Pitt esteve duas vezes nomeado para os Óscares, sem nunca ter ganho (uma injustiça, na minha opinião). Ainda não vi o estranho caso de uma vida a andar ao contrário, mas dizem os entendidos que ele não conseguirá superar o papel do primeiro político gay a ser eleito para um cargo público, ou o papel do lutador decrépito.

Quanto ao Sean, qualquer coisinha que ele faça é sempre uma grande interpretação. Se ganhar agora, não será de espantar. Mas como este entendido não costuma apostar em repetições, talvez a escolha de melhor actor recaia mesmo sobre o canastrão renascido das cinzas.

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