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A Grande Guerra pela Civilização – A Conquista do Médio Oriente

Dezembro 14, 2008

Robert Fisk passou por cá. Eu passei pela FNAC, e confirmo já estar na posse do seu livro em formato calhamaço.

Transcrevo da Y «Este não é um livro para pessoas impressionáveis. Há muita crueldade, humilhação, sangue e dor nos detalhes com que Robert Fisk, correspondente do diário britânico “The Independent”, evoca os conflitos que lhe povoam a memória. Logo no prefácio de “A Grande Guerra pela Civilização – A Conquista do Médio Oriente”, ficamos a saber que nem precisou de remexer nos cadernos de apontamentos para se lembrar de um pai que lhe mostrava “o que parecia ser metade dum pão esmagado, mas que afinal era metade dum bebé esmagado, após um ataque americano no Iraque, em 2003, com bombas de fragmentação” (p. 22).

Nas mais de 1200 páginas que Fisk escreveu durante 17 meses depois de quase 20 anos de pesquisa, quase ninguém escapa à sua crítica, embora fique sempre aquela incómoda sensação de que é mais benevolente com alguns “criminosos” do que com outros.»

Robert Fisk, o correspondente do The Independent no Médio Oriente. Um dos poucos jornalistas ocidentais que conseguiram entrevistar Osama Bin Laden.

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Retirado de uma entrevista da Y a Robert Fisk.

E o que vai acontecer, por exemplo, na Palestina?

Não vejo qualquer futuro. [Benjamin] Netanyahu [líder do partido de direita Likud] será, provavelmente, o próximo primeiro-ministro de Israel nas eleições de 2009. Acho que [Barack] Obama não irá enfrentar Netanyahu – embora não tenha ficado com muito boa impressão deste quando o conheceu.

Há alguma possibilidade de mudança com Hillary Clinton como secretária de Estado?

Não! Não fará qualquer diferença. A política externa americana para o Médio Oriente é cimento armado – apoio total e incondicional a Israel. Talvez vejamos algumas críticas, mas não mudará nada.

Avancemos agora para o Afeganistão. Qual é a situação actual?

(…) Há crianças a morrer de fome, mas vão mandar mais soldados porque é preciso ganhar a guerra. Que ridículo! Os britânicos perderam a guerra no Afeganistão em 1842; os russos perderam-na em 1978. Que obsessão esta, a de ganhar guerras no Afeganistão!

No Afeganistão, para inverter o rumo da guerra, está agora a verificar-se uma mudança, que é a de distinguir entre os taliban e a Al-Qaeda.

(…) No Iraque, estamos a comprar uns para combater outros. Não é assim que se vencem guerras. Depois de 32 anos aqui, estou convencido de que temos de deixar de enviar soldados para o mundo muçulmano. Há agora 22 vezes mais forças ocidentais no mundo islâmico do que os Cruzados tinham no século XII (…) O que estamos a fazer nestes países? Estamos a construir uma cortina de ferro e ainda perguntamos por que nos odeiam.

Foi nessa altura que ele o considerou “o único jornalista neutral no Médio Oriente”?

Não. Ele gravou uma cassete, num período de eleições intercalares na América, em 2004. Nessa altura, disse: “Se a Casa Branca quiser saber o que pensa a Al-Qaeda, deve perguntar a Robert Fisk, que é um jornalista neutral.” Eu dispensava esse elogio.

Sempre tão crítico do poder, há algum líder no Médio Oriente pelo qual sinta respeito?

Sim! O ex-Presidente Mohammad Khatami, do Irão. Ele queria desenvolver uma sociedade civil e estendeu a mão ao Ocidente, à América. Bush preferiu inclui-lo num eixo do mal. Khatami foi derrotado e agora temos [Mahmoud] Ahmadinejad, que é um lunático. Muito obrigado, Presidente Bush!

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Para quem estiver interessado, fica o link para o PDF com os 4 primeiros capítulos do livro. Sobre um dos seus encontros com Bin Laden «Tinha agora 40 anos, mas parecia muito mais velho do que quando nos encontrámos pela última vez, no deserto sudanês, no final de 1993. Caminhando na minha direcção, era mais alto do que os seus companheiros, magro, com mais rugas em redor daqueles olhos estreitos. Com menos carnes, com a barba mais comprida, mas ligeiramente salpicada de cinzento, tinha um colete preto por cima da sua túnica branca e um kuffiah de xadrez vermelho na cabeça. Parecia cansado. Quando me perguntou pela saúde, disse-lhe que tinha feito um longo percurso para estar presente neste encontro. «Também eu», murmurou. Havia nele também um certo isolamento, um desprendimento que eu não notara antes, como se tivesse estado a analisar a sua ira, a ponderar a natureza do seu ressentimento.»

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Para muitos, Robert Fisk, poderá ser polémico. Para outros, como o jornalista do Público, que fez a reportagem sobre a sua conferência em terras lusas, ele poderá ser classificado da seguinte forma «rezingão Fisk. / demagógico Robert Fisk / cínico Fisk / curioso Fisk / comprometido Fisk / “superstar” Fisk / irritante Fisk / E não sai disto. Por mais que tentem trocar-lhe as voltas, o arrogante prodigiosamente inteligente Fisk acaba sempre por dizer à audiência que não haverá democracia nem paz no Médio Oriente, que a culpa é do Ocidente e dos jornalistas, e que Obama e Hillary não mudarão nada / teimoso Fisk».

Estará Robert Fisk errado?

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No início de Dezembro, George Bush confessou que o seu maior erro foi ter confiado nos serviços de informações no Iraque «O maior lamento de toda a presidência tem de ser a falha dos serviços de informações no Iraque. Muitas pessoas puseram as suas reputações em jogo e disseram que as armas de destruição maciça eram uma razão para depor Saddam Hussein». E graças a essas informações, teve lugar mais uma guerra no Médio Oriente. Uma guerra onde já morreram mais de 4200 soldados americanos e onde os ‘danos colaterais’ se situam entre as 89.600 a 97.800 baixas civis (directas ou indirectas).

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Ainda na semana passada, um atentado suicida perto de Kirkuk, vitimou 43 iraquianos e feriu mais 93. Isto num período em que os democratas vão tomar posse da presidência a 20 de Janeiro de 2009, e vão ter que gerir uma situação explosiva pelo menos nos próximos quatro anos. Até 2012, cerca de 140.000 militares vão continuar no Iraque.

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Houve os atentados de Mumbai e surgiu a suspeita que esses terroristas tivessem sido treinados no Paquistão.

Agora, numa visita a Islamabad, o primeiro-Ministro inglês, Gordon Brown, salientou junto do Presidente Ali Asif Zardari, a necessidade do Paquistão implementar medidas concretas que consigam desmantelar grupos terroristas que têm bases numa zona sei lei, junto à fronteira com o Afeganistão. E segundo os serviços secretos ingleses, terroristas com bases operacionais no Paquistão, estariam a planear mais de 20 ataques a executar em Inglaterra. Será também entregue um fundo de 6 milhões de libras, para ajudar o Paquistão a contrariar a radicalização de jovens muçulmanos.

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E se George Bush confessou o seu maior erro durante o seu mandato, a sua imagem terá ainda ficado mais beliscada (como se isso fosse possível), com a publicação pelo New York Times, de um documento secreto que põe em causa a orientação seguida pela Administração Bush na reconstrução do Iraque, classificando-a como um enorme fracasso.

«An unpublished 513-page federal history of the American-led reconstruction of Iraq depicts an effort crippled before the invasion by Pentagon planners who were hostile to the idea of rebuilding a foreign country, and then molded into a $100 billion failure by bureaucratic turf wars, spiraling violence and ignorance of the basic elements of Iraqi society and infrastructure

Assim, preto no branco aquilo que todos suspeitavam. Cem mil milhões de dólares investidos na reconstrução do Iraque, perdidos entre corruptos locais e lobbys americanos da construção.

«But beyond the security issue stands another compelling and unavoidable answer: the U.S. government was not adequately prepared to carry out the reconstruction mission it took on in mid-2003»

«The history records how Mr. Garner presented Mr. Rumsfeld with several rebuilding plans, including one that would include projects across Iraq.

“What do you think that’ll cost?” Mr. Rumsfeld asked of the more expansive plan.

“I think it’s going to cost billions of dollars,” Mr. Garner said.

“My friend,” Mr. Rumsfeld replied, “if you think we’re going to spend a billion dollars of our money over there, you are sadly mistaken.”

In a way he never anticipated, Mr. Rumsfeld turned out to be correct: before that year was out, the United States had appropriated more than $20 billion for the reconstruction, which would indeed involve projects across the entire country

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Donald Rumsfeld, recorde-se, ex-secretário de Estado americano da Defesa, que está entre o grupo de altos responsáveis norte-americanos da administração Bush acusados de serem responsáveis pelas agressões a detidos em prisões americanas, nomeadamente em Guantánamo. “As mensagens destes altos responsáveis eram claras: era aceitável utilizar métodos degradantes para a condição humana e abusar dos detidos”, disse o senador democrata Carl Levin, que preside à Comissão das Forças Armadas do Senado, responsável por este documento onde são ainda apontadas as tentativas de altos responsáveis de atribuir as culpas a subalternos, evitando a responsabilização por estes actos.

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Por aqui, pude ler isto «Se o ataque às Twin Towers tivesse acontecido em solo europeu, a Europa, neste momento, já estaria a ajoelhar perante o fanatismo islâmico. Tremíamos que nem varas verdes. E o único caminho que saberíamos trilhar seria o da cedência em cedência até à derrota final

Eu poderia acrescentar que o melhor caminho a seguir, seria o mesmo que foi feito pelos EUA, o qual, como se pode constatar, tem tido ‘resultados fantásticos’.

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Estará Robert Fisk errado?

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