Ainda sobre os faltosos que afinal não são escravos e trabalham em dias difíceis ou penosos
Ontem, oito dias depois do lamentável episódio dos trinta e tal faltosos, o mesmo problema na Assembleia da República: a Comissão de Orçamento e Finanças foi adiada por falta de quórum. A Comissão com dezoito deputados, funciona com o mínimo de nove, mas meia hora depois da hora marcada para o início da reunião, só apareceram oito. Entretanto, repare-se no que foi dito (faço o convite a ver um vídeo RTP).
Da parte de Vitor Baptista (PS), houve a justificação do trânsito.
Para Duarte Pacheco (PSD), o quórum deveria ser assegurado pelo PS, uma vez que é o partido que tem a maioria. Esta justificação é fabulosa. No entendimento deste senhor, bastava que o PS assegurasse o quórum para que os restantes deputados pudessem ir descansados à sua vidinha.
Honório Novo (PCP) partilhava da mesma opinião que Duarte Pacheco.
E nisto, ficamos a saber a opinião de Marta Rebelo (PS), uma das faltosas. Tinha uma consulta. Tudo bem. Mas fez questão de salientar «Passam-se neste plenário e nesta Assembleia da República coisas muito mais importantes, do que as faltas dos deputados. Isso é política com ‘p’ pequenino». Eu diria “olhe que não, olhe que não”. Aliás, parece-me difícil fazer política com ‘P’ grande, quando se falta de forma escandalosa a determinadas votações, penso eu de que.
Francisco Louçã também foi um dos faltosos. Afinal, tinha um compromisso na margem sul, e não tem a culpa que se marquem reuniões «disparatadas» para horas impróprias para consumo. Bem dizia o Fortes «Um gajo de manhã só está bem é na caminha».
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Mas melhor que isto, só mesmo as declarações que o Almeida Santos fez hoje. Segundo este anterior presidente do Parlamento, as votações à sexta-feira deveriam ser abolidas. Mais nada. Afinal, era assim que acontecia no seu tempo (faço o convite a ver mais um vídeo RTP).
- Não se paga aos deputados o suficiente para eles serem todos…apenas deputados, sobretudo quando são profissionais do direito ou fora do direito. Um advogado. Um advogado tem um julgamento e não pode estar no julgamento e na Assembleia ao mesmo tempo;
- Há justificações para as faltas;
- A verdade que a sexta-feira [sorriso] é em si própria uma justificação, uma vez que é a véspera do fim-de-semana, eu compreendo isso. Talvez seja errado é que as votações sejam à sexta-feira.
- Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é nem pode ser. O que é preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente é mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República.
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Senhor Almeida Santos, eu, não compreendo isso. E aquilo que disse é no mínimo, lamentável. E digo-lhe mais. Muitos, gostariam de poder estar a trabalhar a uma sexta-feira, mesmo que isso fosse difícil ou penoso.
Os senhores deputados e antigos presidentes do Parlamento, não merecem de facto o voto de confiança que lhes é conferido pelos eleitores.






quinhentos por cento de acordo !!!!!!!!
(à parte: vê se não é quinhentos por cento para o Entardecer: http://de-grau.blogspot.com/2008/12/dias-sem-luz.html)
Beijinho grande
Ana
Ana,
eu acho que sim. Ainda mais que o Entardecer precisa de um empurrão