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We’ll Always Have «Deep Throat»

Outubro 29, 2008

No mesmo dia em que a Tabú publicava um artigo bastante interessante, sobre o que mudou na pornografia, morria Gerard Damiano na Florida, atraiçoado pelo seu coração. Este realizador de origem italiana, que começou a vida profissional como cabeleireiro, será sempre lembrado como o cineasta do mais famoso filme pornográfico de todos os tempos, ou pelo menos, aquele que foi um dos maiores êxitos de bilheteira da história do cinema.

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‘Deep Throat’ ou ‘Garganta Funda’, de 1972, protagonizado pela actriz Linda Lovelace – que faleceu em 2002 – coincidiu com os movimentos de libertação sexual iniciados na década de 60, que viram nas suas cenas de sexo explícito um ataque à moral hipócrita e ao puritanismo. Um filme que sofreu muitos actos de censura, tendo a sua exibição, sido proibida em 23 Estados dos EUA. Foi a primeira longa-metragem pornográfica a ser exibida em cinemas tradicionais e a ter uma crítica no ‘New York Times’.

‘Garganta Funda’ serviu ainda para baptizar a fonte jornalística que desencadeou o escândalo Watergate, que esteve na origem da demissão do presidente dos EUA, Richard Nixon.

Por cá, ainda na ressaca do 25 de Abril, ‘Garganta Funda’ teve a sua estreia em 1976, com exibição no Capitólio. Segundo o crítico Jorge Leitão Ramos, «as razões para tal recepção não as poderemos encontrar apenas no tema, mas sobretudo no humor com que o realizador envolveu as proezas orais de Linda Lovelace (o personagem teria o clítoris na garganta). Mas a importância histórica do filme vem do facto de ter sido visto por largos milhões de espectadores fora dos circuitos especializados, de alguma maneira quebrando a barreira entre o cinema porno e o outro (barreira que depressa se voltaria a reerguer)»

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Gerard Damiano era conhecido por atribuir grande importância ao argumento dos filmes, mesmo num género que tradicionalmente despreza a narrativa. Ele terá servido de inspiração para o personagem interpretado por Burt Reynolds no filme “Boogie Nights”, onde um realizador de filmes pornográficos procura o reconhecimento artístico, sendo este um filme que mais tarde ou mais cedo merecerá destaque aqui no ‘Ma Ke Jeto, Mosso’. Nesse filme, salienta-se que Burt Reynolds e Julianne Moore foram, respectivamente, candidatos ao Óscar de Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária.

Custa a acreditar que uma actriz, capaz de abocanhar e fazer desaparecer por completo os objectos fálicos que lhe eram colocados à frente, sem que isso a fizesse chamar pelo Gregório ou ficar azul pela falta de oxigénio, tivesse contribuído para lucros descomunais graças a essa proeza.

‘Garganta Funda’, com uma duração de 61 minutos, foi rodado em apenas seis dias, com um custo de 24 mil dólares. Foi visto por mais de dez milhões de pessoas e arrecadou mais de 600 milhões de dólares pelo mundo.

Para quem aprecia uma boa banda sonora.

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Fazer clique na Imagem

Faixas

1. She’s Got to Have It – Bruno, T. 

2. Deeper and Deeper – Bruno, T. 

3. La la la – Colicchio, M. 

4. Latino – Bruno, T. 

5. Deep Throat – Colicchio, M. 

6. Run Linda Run – Bruno, T. 

7. Saxy – Colicchio, M. 

8. Deeper and Deeper – Bruno, T. 

9. Driving With Linda 

10. Love Is Strange 

11. Invasion of the Nurses (Medley) 

12. Bubbles 

13. Oh, Doctor Young 

14. Pussy Cola 

15. Relax Your Muscles, My Dear 

16. House Calls 

17. Case No. 218 Wilbur Wang 

18. Deep Throat to You All 

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Pussy Cola? Relax Your Muscles? Humm…Ok.

Hoje em dia, com tudo o que mudou na pornografia, é impossível voltar a haver um sucesso destes. Estava-se em 1972 e o vídeo ainda não existia. Só assim se entende que mais de dez milhões de pessoas possam ter pago um bilhete para entrar numa sala de cinema, onde era exibido um filme onde o argumento ou a fotografia seriam os componentes menos relevantes.

Nos anos 80, o formato VHS massificou o cinema porno, tornando-o num produto caseiro e privado, disponível numa prateleira mais escondida de um qualquer clube de vídeo. A propósito desse aspecto da discrição associada a quem aluga filmes pornográficos, faço uma nota acerca do meu Clube de DVD. Quem está atrás do balcão tem um ligeiro defeito, que consiste em dizer alto e bom som, aquilo que o cliente vai alugar “Ora então vai o REC?”. Sim, é verdade, vai esse filme, e não é necessário que todos os presentes fiquem a saber desse facto. Não sei se quem escolhe DVDs da tal prateleira recôndita, também é brindado com esta espécie de anunciar da lotaria.

Neste momento, é o DVD que começa a estar em risco: dois em cada três filmes sacados ilegalmente da Internet são pornográficos, o que representa uma perda de cerca de 30% dos rendimentos do sector. Mesmo assim, tendo em conta os lucros obscenos resultantes da indústria pornográfica, os 70% que sobram ainda geram riquezas inimagináveis.

Como alguém referiu no artigo da Tabú «A pornografia perdeu a graça. É tão fácil ter acesso à mesma que o seu fascínio se esbateu».

Ainda sobre a questão da facilidade no acesso à pornografia, eu ainda gostava de saber se o famigerado “Magalhães” já trás todos os bloqueios definidos de origem ou se são os pais que vão ter de os definir um a um. Se for a segunda hipótese, será garantido que os conteúdos pornográficos à solta na Net vão passar a ter mais uns milhares de visitantes.

‘Deep Throat’ pode-se orgulhar de ter sido um fenómeno único.

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5 Comentários leave one →
  1. Junho 25, 2009 4:58 pm

    Belo texto. Tem umas informações que eu desconhecia.
    Só um adendo:
    Acho que o nome do filme era “Garganta PROFUNDA”, e
    não “Garganta Funda” como está no texto.
    De resto, parabéns!
    E se puder dá uma visitada no meu blog.
    Abs!

    • Junho 25, 2009 6:46 pm

      Boa tarde Léo Alves,
      seja bem-vindo a este espaço. Eu ainda fiquei na dúvida sobre esse título, mas encontrei a resposta no Wikipedia (Deep_Throat)
      «Deep Throat (conhecido como Garganta Profunda no Brasil e Garganta Funda em Portugal), é um filme pornô norte-americano gravado em seis dias no mês de janeiro de 1972, escrito e dirigido por Gerard Damiano e estrelado por Linda Lovelace.»

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