Ainda a Crise Económica e os elos mais fracos, Pobreza e CO2
Na sequência das muitas notícias relativas à crise financeira, fica o destaque para duas que não anunciam nada de bom para o cumprimento dos objectivos relativos à luta mundial contra a pobreza e às metas de redução do CO2.
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Então e o «Tsunami silencioso»?
Numa sessão da Assembleia Geral da ONU, os líderes mundiais debateram o apelo do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para mais esforços no combate global contra a pobreza, que a crise financeira está a ameaçar, tendo existido respostas divergentes.
“Esta crise financeira ameaça o bem–estar de milhares de milhões de pessoas, mas ameaça sobretudo os mais pobres dos mais pobres”, lembrou Ban Ki-moon. Está-se hoje a meio do caminho das metas previstas na luta mundial contra a pobreza. Mas foi precisamente neste meio caminho que o mundo tropeçou na alta dos preços das matérias-primas e na crise financeira. Se muito estava por fazer, a tarefa parece agora ainda mais difícil.
Em 2000, as nações estabeleceram os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, com metas ambiciosas a cumprir até 2015. À cabeça está a luta contra a pobreza, que todos desejam ver reduzida para metade até essa data. Mas também surgem a igualdade do género, a educação, a saúde ou o ambiente, num desafio que muitos consideraram impossível.
Agora, que se inicia a última metade desse percurso, a avaliação não é muito positiva. Houve passos significativos em alguns países e a meta estabelecida para a pobreza pode até vir a ser atingida. Mas só que apenas nos dados estatísticos. Isto porque muito se conseguiu na Ásia, onde está uma grande fatia da população mundial. Já em África o problema parece eterno.
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A actual crise financeira veio agravar os estragos já provocados pelo aumento dos preços dos cereais e do petróleo. O que faz recear que a energia necessária para tentar cumprir esta última etapa seja refreada. Segundo Ban Ki-moon, a luta contra a pobreza pode ser ganha se os países ricos canalizarem 72 mil milhões de dólares (49 mil milhões de euros) por ano. E Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, insistiu numa revolução verde em África, para a qual seria necessário investir 10 mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros). Mais aqui.
Em Abril, quando se falou de um «Tsunami silencioso», Ban Ki-moon, anunciava a criação de uma célula de crise encarregue de lidar com a questão da subida do preço dos alimentos e os consequentes problemas de fome. Na conferência de imprensa, salientou-se um pedido urgente à comunidade internacional para constituir um fundo de emergência de 755 milhões de dólares, necessário para as Nações Unidas conseguirem alimentar milhões de pessoas esfomeadas em todo o mundo, como uma primeira medida de outras tantas medidas concretas a executar.
Por mais que se diga o contrário, perante uma crise onde se disponibilizam fundos exorbitantes para tentar travar o descalabro, não se podem ter grandes expectativas na luta mundial contra a pobreza.
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E a redução do CO2?
Se ficaram dúvidas em relação ao texto “Uma Passividade Inconveniente”, então esta notícia parece ser esclarecedora sobre as prioridades em tempo de crise.
A crise económica que ameaça a União Europeia (UE) e a tensão política crescente entre a Rússia e o Ocidente estão em risco de pôr em dúvida a estratégia europeia de combate às alterações climáticas. Mesmo se oficialmente a Europa mantém a intenção de liderar este debate a nível mundial dando o exemplo com uma estratégia ambiciosa de redução do CO2, em privado, as dúvidas crescem sobre a vontade dos governos de assumir um plano que terá custos estimados em pelo menos 0,5 por cento do PIB da UE.
Só que, reconheceu um diplomata europeu, “se nunca seria fácil cumprir estas metas em tempo normal, no actual contexto será quase impossível”. O problema, frisou, é que em época de crise económica de contornos e duração largamente imprevisíveis, os governos terão grandes dificuldades em assumir medidas susceptíveis de penalizar a indústria e, consequentemente, a actividade económica.
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Alemanha, Itália, Polónia ou França têm aliás exercido uma forte pressão sobre a Comissão para excluir a maior parte – senão mesmo a totalidade – das indústrias pesadas e mais poluentes, da trave mestra da proposta, um novo sistema de comércio de emissões de CO2 que, a partir de 2013, as obrigará a pagar para poluir. Mais aqui.
As emissões mundiais de dióxido de carbono continuaram a aumentar em 2007 nos mesmos moldes dos últimos anos: os países em desenvolvimento, como a China e a Índia, são os principais responsáveis pelo aumento e juntos emitiram 53 por cento do CO2 no ano passado.
Segundo a AFP, no ano passado as emissões de CO2 da China foram de 1,8 mil milhões de toneladas, enquanto os Estados Unidos emitiram 1,59 mil milhões. A Rússia lançou 432 milhões de toneladas logo seguida pela Índia com 430 milhões.
Os dados não são animadores. Em Abril deste ano registou-se um valor recorde de 387 ppm do gás na atmosfera quando as emissões de CO2 estão acima dos piores cenários feitos pelo Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC). Para Pep Canadell, o director executivo do Projecto Global de Carbono (PGC), este relatório “mostra uma aceleração da emissão e da acumulação atmosférica do CO2 sem precedentes, durante uma década em que houve um esforço internacional para combater as alterações climáticas”. Mais aqui.




Ora viva mosso
Fazendo um comparativo entre estas últimas alterações económicas e as alterações climáticas que aí virão em crescendo, diria que:
- para as económicas parece que há um ‘fundo de maneio’ escondido algures para isto não cair a pique; mesmo que a aprovação do palno global (por americano que pareça ser) esteja difícil devido à possibilidade dos ‘aprovadores’ perderem o lugar em próximas eleições
- para as climáticas é que não deve haver nada escondido, nem oxigénio ‘limpo’, nem água pura, nem clima equilibrado, mesmo que a economia se salve e a balança comercial nivele, não haverá dinheiro que reponha as condições para viver saudavelmente
- na economia os homens podem remediar: no clima será a Natureza a fazê-lo, mas com custos muito elevados para a vida humana
- sem dinheiro conseguimos sobreviver; sem um planeta sustentado NÃO
Esperemos que esta crise económica nos dê algumas lições. Se desde que nascemos estamos sempre a aprender, porque será que nos acomodamos e olhamos para o lado na questão ambiental?
Esta globalização desenfreada vai levar a uma minimização drástica da população. Uma regeneração sustentável para a Terra.
Abraço