Hezbollah, Hizbollah, Hizbolá ou Hizbullah
Imad Mugniyah, um dos dirigentes do Hezbollah, identificado como coordenador de vários ataques terroristas contra interesses americanos ou israelitas, morreu na terça-feira em Damasco, Síria, vítima de um atentado contra a viatura em que seguia. Mais adiante voltarei a falar dele.
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Hezbollah, que significa “Partido de Allah”, é uma organização política e paramilitar fundada pelos muçulmanos xiitas, com base operacional no Líbano. Foi criada em 1982, na sequência da guerra civil no Líban. Segue a ideologia xiita islamista desenvolvida pelo Ayatollah Ruhollah Khomeini, líder da revolução islâmica no Irão. O secretário-geral da organização é o Xeque Hassan Nasrallah, que ocupa este cargo desde 1992.
Um dos objectivos do Hezbollah é transformar o Líbano num estado islâmico, sendo um dos principais opositores à presença de Israel no Médio Oriente. Os líderes desta organização já declararam por diversas vezes que desejam a destruição de Israel. Do seu ponto de vista, teria de existir o deslocamento integral do Estado de Israel e expulsão da população israelita para outras regiões do planeta. Em 2000, numa entrevista ao Washington Post, Nasrallah afirmou: «Eu sou contra qualquer reconciliação com Israel. Eu nem reconheço a presença de um estado que é chamado de ‘Israel’»
Seis países, incluindo Israel, EUA e Inglaterra, identificam o Hezbollah como uma organização terrorista. Contudo, esta classificação não é partilhada por todas as potências mundiais, incluindo a União Europeia. Para alguns, o Hezbollah é apenas uma organização de resistência a Israel.
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Desde a sua criação, o Hezbollah é acusado de efectuar diversos raptos e ataques violentos. Entre eles,
1983 – Atentado de um bombista suicida à embaixada dos EUA em Beirute, Líbano. Morreram mais de 60 pessoas.
1983 – Atentado, com dois camiões carregados de explosivos, à força multinacional de interposição instalada no Líbano. Morreram 248 americanos e 58 franceses.
1982/1986 – 41 Ataques suicidas mataram 659 pessoas.
1992 – ataque bombista à embaixada de Israel em Buenos Aires, Argentina. Morreram 29 pessoas
Estas acusações foram sempre negadas pelo Hezbollah.
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Nos seus actos contra Israel, o povo Libanês foi sempre quem mais sofreu.
1993 – Depois do Hezbollah ter morto 7 soldados israelitas no Sul do Líbano, Israel lança uma ofensiva (conhecida no Líbano como a Guerra dos Sete Dias) com ataques aéreos e bombardeamentos de artilharia pesada. O objectivo de Israel seria erradicar a ameaça do Hezbollah e forçar a população do Norte de Beirute a pressionar o governo Libanês a reprimir o Hezbolla (onde é que eu já vi isto?).
1996 – Uma ofensiva de Israel, com o objectivo de limpar bases do Hezbolla no Sul do Líbano, acaba por matar 100 refugiados libaneses instalados numa base das Nações Unidas.
2006 – Num conflito entre Israel e o Hezbolla, que durou 34 dias, o Hezbolla lançou milhares de ataques sobre Israel com rockets Katyusha. A resposta de Israel foi feita através de violentos bombardeamentos. Estimam-se que tenham sido mortos 1200 civis libaneses contra 44 civis israelitas. O número de feridos de ambos os lados ultrapassou os 4000.
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Apesar do cessar-fogo estabelecido pela ONU para o Líbano, o Hezbolla declarou-se o vencedor do conflito. Os 3970 rockets disparados contra Israel já fazem parte do passado e Hassan Nasrallah afirmou recentemente que o Hezbolla tem mais de 20.000 rockets prontos a serem lançados. Especialistas estimam que as suas forças tenham 1000 efectivos, com possibilidade de as aumentar através de mais 6000 a 10.000 voluntários. O seu arsenal inclui mísseis iranianos com um alcance até 150Km (capazes de atingir Tel Aviv), mísseis anti-tanque de fabrico russo, iraniano e europeu, e mísseis terra-ar.
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O Hezbolla, através de um Instituto dos Mártires, suporta os gastos correntes e a educação dos familiares de “mártires” que morreram em ‘batalha’. Efectua uma enorme obra social através de uma rede integrada de cuidados de saúde com 5 hospitais e 43 clínicas, uma rede de escolas que fornece educação religiosa xiita, e inúmeras intervenções ao nível da reconstrução do Líbano. Possui ainda dois centros agrícolas que treinam agricultores e fornecem assistência técnica. A assistência médica é mais barata que na maioria dos hospitais privados, sendo grátis para membros do Hezbolla.
Estamos a falar de uma organização que apenas tem 14 deputados no parlamento Libanês, para um total de 128. Segundo palavras da CNN: “O Hezbolla fez tudo o que um governo deveria ter feito, desde recolher o lixo, explorar hospitais e reparar escolas.”
Assim, de onde vem o financiamento para todos estes projectos?
Apesar do Hezbolla afirmar que a sua fonte de financiamento provém apenas de donativos de muçulmanos, os EUA suspeitam que o financiamento é feito sobretudo pelo Irão, estimando um valor anual entre os 60 e os 100 milhões de dólares.
São estes factos que conduzem a maioria da opinião pública árabe a ver o Hezbolla como uma organização legítima de resistência. Era assim que era visto em 2006 por 63% da população Jordana. Apenas 6% a associavam ao terrorismo.
Em 2006, durante o conflito entre Israel e o Líbano, uma sondagem efectuada por um organismo libanês indicava que 87% da população apoiava a luta do Hezbolla contra Israel. Mais impressionante eram os apoios de comunidades não xiitas. 80% da comunidade cristã dizia apoiar a posição do Hezbolla.
Noutra sondagem realizada na Faixa de Gaza, 80% dos residentes afirmavam ter uma opinião bastante positiva sobre o Hezbolla.
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Imad Mugniyah, um dos dirigentes do Hezbollah, morreu na terça-feira em Damasco, Síria. Não é um acontecimento inédito na história do Hezbolla, já que no passado, outros dirigentes ou operacionais do Hezbolla foram mortos ou raptados.
1985 – O líder do Hezbolla, Mohammad Hussein Fadlallah, sofreu um atentado com uma viatura armadilhada. Essa tentativa de assassinato acabou por sair fracassada e a CIA foi acusada de ser a responsável pela sua execução.
1989 – Comandos israelitas raptam o Xeque Abdul Karim Obeid, líder do Hezbolla. Este acto conduziu a uma resolução da ONU, que condenava todos os actos hostis que fossem executados por qualquer uma das partes.
1992 – Helicópteros israelitas matam o líder do Hezbolla, Abbas al-Musawi, a sua mulher, filho e outros 4 acompanhantes.
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Mas Imad Mugniyah era diferente dos restantes líderes?
Vou começar por referir que estava na lista dos terroristas mais procurados pelo FBI e que a recompensa associada era de 5 milhões de dólares.
Foi implicado nos atentados de 1983 à embaixada dos EUA em Beirute, e à força multinacional de interposição instalada no Líbano, onde morreram mais de 350 pessoas.
Foi formalmente acusado pela Argentina de ter participado em 1992 no ataque bombista à embaixada de Israel em Buenos Aires, onde morreram 29 pessoas, e no ataque bombista em 1994 ao edifício da Associação Mútua Israelita Argentina, onde morreram 86 pessoas.
Foi associado nos anos 80 a numerosos raptos no Líbano, incluindo o de Terry A. Anderson, um cidadão americano que esteve raptado em Beirute durante seis anos e nove meses.
Foi acusado de ter planeado o rapto de 3 soldados israelitas no sul do Líbano, em 2000.
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A morte de um dos mais importantes membros do Hezbolla, não poderia ficar esquecida nem passar despercebida. No seu funeral, o secretário-geral do Hezbolla, Hassan Nasrallah, dirigiu-se aos presentes através de uma emissão de televisão. Recorde-se que Hassan Nasrallah tem estado escondido desde 2006 na sequência de ameaças de morte efectuadas por Israel. O discurso que proferiu foi bastante inflamado, afirmando que a morte de Mugniyah tinha sido um “enorme erro”, com apelos à realização de acções de retaliação contra alvos Israelitas em qualquer parte do mundo, “Vocês cruzaram as fronteiras. Zionistas, se vocês querem uma guerra aberta, que se faça então uma guerra aberta em qualquer parte. O sangue de Imad Mugniyah irá eliminá-los”
Perante este discurso, membros do Hezbolla iam gritando “Labayka, Nasrallah! nós estamos preparados para cumprir as suas ordens”.
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Os suspeitos do costume?
O Hezbolla acusa a Mossad, a agência de espionagem de Israel, de ser responsável pela morte de Mughnieh, apesar de na 4ª Feira ter havido um comunicado oficial do gabinete do primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, a negar qualquer envolvimento no atentado.
Se este atentado tiver sido perpetrado por Israel, seria então a segunda vez, em poucos meses, que Israel efectuaria de forma livre uma operação militar em solo Sírio. Recorde-se que em Setembro de 2007, a aviação Israelita destruiu um complexo Sírio que se suspeitava capaz de dar origem a uma Central Nuclear. Esta acção acabou por ter uma divulgação bastante discreta a nível mundial.
Por outro lado, a morte de Mughnieh em solo Sírio é um enorme embaraço para o seu governo, já que vem dar razão às acusações americanas, que indicam a existência de extremistas – militantes palestinianos, operacionais do Hezbollah ou rebeldes iraquianos – a operar livremente na Síria. Este país faz parte da lista de países que a administração Bush afirma apoiarem o terrorismo.
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Imad Mugniyah poderia ter sido capturado e levado a um tribunal internacional. Eventualmente poderia ser condenado pelos crimes de que era suspeito. Tal não aconteceu e operacionais israelitas, americanos ou outros quaisquer, decidiram efectuar justiça pelas próprias mãos.
Com esse acto e com as ameaças de Hassan Nasrallah, as tréguas estabelecidas desde 8 de Setembro de 2007 ficaram anuladas. Diga-se também que desde essa data, o Hezbollah nunca honrou o compromisso de desarmar os seus operacionais.
A possibilidade de ataques do Hezbollah a interesses israelitas ou americanos em qualquer parte do mundo deverá ser levada muito a sério e só por um acaso não será concretizada. Nessa situação, Israel ver-se-á forçado a responder e poderá haver lugar a mais uma guerra no Líbano.
Mas em que proporção será retaliado um qualquer ataque que Israel venha a sofrer? Depois do Líbano e dos acontecimentos recentes na Faixa de Gaza, já seria tempo de Israel perceber que a população nunca se irá revoltar contra organizações como o Hamas ou o Hezbollah. Como é possível acreditar que isso aconteça quando estas organizações têm o apoio da maioria da população, têm um papel fundamental no apoio social e económico, e os seus membros são vistos como mártires? E Israel deverá ficar quieto perante uma organização cujo líder é contra qualquer reconciliação ou que não reconhece a existência de um estado chamado ‘Israel’?
A morte de Imad Mugniyah e o discurso de Hassan Nasrallah significam pura e simplesmente o perpetuar da espiral de violência entre Israel e os seus vizinhos. E este contínuo conflito nunca poderá terminar da melhor forma.
Em Novembro de 2006, Portugal iniciou o seu contributo para a missão da UNIFIL, no Líbano, com uma unidade de Engenharia do Exército estacionada próximo de Naquora, no Sul do país. Será possível explicar a estes homens, envolvidos na reconstrução do Líbano, que o seu trabalho possa ser perdido graças a futuros bombardeamentos de Israel?






O HEZBOLLAH, é um partido político Islâmico Xiita. Cada País tem a sua cultura e seus costumes.
O que fizeram com o Comande de Defeda do Hezbollah Imad Mugniyah braço de direito do Xeque Hassan Nasrallah, foi uma injustiça.
Eu acredito que este crime de mando veio do Goiverno Sírio. Porque A Síria tem medo de perder o mComando do País p/ os Hezbollah que um Partido Xiita. Poque o Hezbollah tem militantes Inteligentíssimas e Líderes capazes de Comandar um País.
É o meu parecer.