“Are we a nation of gun nuts or are we just nuts?”

2008 Fevereiro 9
by bluewater68

A pergunta é de Michael Moore, na sequência do documentário “Bowling for Columbine”. A exposição de um país que é conhecido pelo número extremamente elevado de mortes causadas por armas de fogo, sem que exista qualquer guerra civil.

O último tiroteio ocorreu em Baton Rouge, Louisiana. Uma mulher de 23 anos entrou numa sala de aula, matou a tiro duas estudantes de enfermagem e suicidou-se de seguida. Na véspera, num subúrbio de St. Louis, Missouri, um homem a quem tinha sido proibida a possibilidade de se expressar nas Assembleias Municipais, entrou na Câmara Municipal e matou cinco pessoas, sendo depois morto pela polícia. Nesse mesmo dia, em Los Angels, Califórnia, um homem barricado numa casa telefonou para a polícia a confessar ter morto dois homens. Quando a polícia chegou, matou um agente da força de intervenção e morreu na sequência dos disparos. Só nestes três trágicos acontecimentos morreram 14 pessoas, vítimas de disparos com armas de fogo.

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Nos EUA, em 2004, 2852 jovens com idade até aos 19 anos foram vítimas de homicídios, suicídios, ou disparos acidentais, efectuados com armas de fogo, 1 em cada 3 horas.

Em 2004, através de armas de fogo, foram assassinadas 5 pessoas na Nova Zelândia, 56 na Austrália, 73 em Inglaterra e 11.344 nos EUA.

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No Texas, um estado que é considerado um paraíso para todos os que gostam de possuir e transportar armas, onde não existe qualquer entrave para a compra e licenciamento de armas, em 2002, morreram 2301 pessoas na sequência do uso de armas de fogo (uma taxa de 10,6 por cada 100.000 habitantes).

Na Califórnia, conseguir uma arma pelas vias legais já é mais complicado. O licenciamento é feito apenas pela polícia, mediante uma justificação para o fim a que se destina. Em relação à compra, cada pessoa ‘apenas’ pode comprar uma arma por mês. Em 2002, morreram 3410 pessoas na sequência do uso de armas de fogo (uma taxa de 9,7 por cada 100.000 habitantes).

Afinal, a diferença entre poder ter acesso livre a armas de fogo ou ser sujeito a leis restritivas para a sua aquisição, não produz resultados muito diferentes.

Descubra o número de mortos nos diversos estados dos EUA, em consequência do uso de armas de fogo, bem como as leis que vigoram para a posse de armas (aqui).

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A primeira lei para tentar controlar a compra de armas, surgiu em 1968 na sequência dos assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy.

Em 1994 foi assinada a lei “Brady Bill”, que obrigava os compradores de armas a esperarem cinco dias até que a mesma lhes fosse entregue. Nesse período, era efectuada uma investigação para determinar se tinham condições para possuírem uma arma. Uma lei cujo nome se deve a Bill Clinton, que a assinou, e ao Secretário James Brady, que ficou gravemente ferido na tentativa de assassinato de Ronald Reagan com uma arma de fogo. Esta lei passou a ter um controlo mais efectivo, quando em 1998 o FBI passou a controlar todas as compras de armas a nível nacional.

Em 20 de Abril de 1999, o massacre executado por Eric Harris e Dylan Klebold na escola de Columbine, onde morreram 12 alunos e um professor, relançou o debate sobre o controle de armas de fogo.

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Em 1996, Charles Whitman subiu a uma torre na Universidade do Texas. Desse lugar, durante 96 minutos, a sua espingarda matou 16 pessoas e feriu 31.

Quando se pensava que o massacre de Columbine iria servir para implementar leis ou medidas que impedissem que pais voltassem a chorar pelos filhos mortos a tiro numa escola, eis que Seung-*** Cho decide por termo à vida com um tiro na cabeça. O problema é que antes de tomar essa decisão, matou 32 estudantes de uma universidade e feriu outros 25, naquele que ficou conhecido como o massacre da Virgínia.

31 casos em que houve mortos em escolas dos EUA provocadas pelo uso de armas de fogo (aqui).

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É inquestionável que a proliferação de armas nos EUA tem-se revelado um problema difícil ou mesmo impossível de controlar, sendo responsável por causar milhares de mortos todos os anos. Além de todas as armas que se podem comprar de forma clandestina, o acesso legal a uma arma continua bastante facilitado na maioria dos estados.

Cerca de dois terços dos americanos pensa que a Constituição deve garantir o direito à posse de uma arma de fogo. Metade considera que a posse de armas deva ser controlada pelo governo. Perto de 3 em cada 4 americanos opõe-se a que a posse de pistolas seja banida, mas mais de 60% gostaria de ver banida a posse de espingardas ou armas automáticas. Metade pensa que ter uma arma em casa dá mais segurança aos seus ocupantes.

A maioria das armas entra no mercado através de uma compra legalizada. Porém, os criminosos roubam-nas, usam-nas e partilham-nas através de vendas ilegais. Um estudo recente da ATF (Federal Bureau of Alcohol, Tobacco and Firearms) indica que 1 em cada 10 armas usadas num crime e recuperadas pela polícia provêm de jovens com idades até aos 17 anos. Se for incluído o intervalo dos 18 aos 24 anos, o número sobe para 4 em cada 10.

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Mas além da proliferação incontrolada de armas, o que se torna verdadeiramente assustador é o número recorrente de casos de mortes provocadas com armas de fogo, ocorridas em escolas secundárias ou universidades. Que motivos levam alguém a entrar armado num estabelecimento de ensino, a matar vários alunos ou professores e a suicidar-se de seguida? O que se passa com a sociedade americana que leva as pessoas a terem estes actos extremistas?

Não pode ser uma questão de influência de outros actos de violência ou ter acesso fácil a armas de fogo. Se assim fosse, o Brasil teria muitos actos dessa natureza. No entanto, existem relatos de alunos mortos em escolas?

Será a procura de fácil protagonismo ou notoriedade, de tentar ter os quinze minutos de fama, mesmo sabendo que isso será apenas conseguido em troca da própria vida?

Charles Whitman, Eric Harris, Dylan Klebold e Seung-*** Cho são os nomes que ficam para a história pelos piores motivos. Se não tivessem sido os autores daqueles massacres, ninguém (fora do seu círculo mais próximo) iria saber da sua existência?

Alguém fala de Ross Abdallah Alameddine ou de Nicole White, duas das 32 vítimas do massacre da Virgínia? Não têm página no Wikipédia nem nunca saberemos se um dia iriam ser muito famosos. Desse acontecimento, o nome que fica para a história será sempre o de Seung-*** Cho. Os perfis de todas as vítimas, (aqui).

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Aliás, a procura de ser célebre, de forma instantânea e a nível mundial, parece atingir muitas formas. Em Bridgend, uma terriola em Inglaterra, 13 adolescentes enforcaram-se no último ano. Muitas das vítimas tinham páginas em Sites Sociais tipo Bebo, um site de partilha de fotos, música blogues e outros conteúdos. Cada vez que um desses jovens morria era aberta uma página onde outros ‘amigos virtuais’ podiam deixar mensagens, fotografias e vídeos. A natureza bizarra das mensagens levantou a assustadora possibilidade dos suicídios não terem qualquer outro objectivo que não fosse atingir a fama instantânea dentro do grupo de partilha desse site.

A última vítima foi uma rapariga de 17 anos que foi encontrada enforcada pela família na sua própria casa. Em 24h, duas das suas amigas, com apenas 15 anos, também se tentaram matar.

Um caso assustador que merecerá um outro desenvolvimento. Até lá, pode obter mais informação aqui e aqui.

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Será este apenas um problema das sociedades mais ricas e desenvolvidas? Poderá um trágico acontecimento servir de modelo ou inspiração para ser copiado no futuro? Como explicar que um miúdo Finlandês, caracterizado por ser solitário e anti-social, pegue numa arma, mate 8 alunos de uma escola e se suicide em seguida? Influência de todos os casos já ocorridos na América? Com o cadastro imaculado, este adolescente Finlandês obteve a licença de porte de arma, 4 meses depois de ter completado 18 anos. Num país onde a caça tem uma forte tradição, existem 2 milhões de armas registadas para uma população total de 5 milhões de habitantes.

Este não é um problema que as sociedades possam ignorar. Urge estudar, analisar e tentar perceber os motivos que levam alguém a terminar com a vida numa escola e a obrigar outras pessoas a acompanhá-lo nessa viagem sem retorno. Um controlo apertado e legislação adequada para a posse de armas de fogo serão fundamentais, mas requerem medidas mais abrangentes. Conseguir uma arma de forma ilegal poderá ser mais fácil do que se pensa, e não é à toa que o tráfico de armas é um dos mercados mais lucrativos.

Será impossível evitar que no futuro aconteçam casos semelhantes?

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A consultar

Brady Campaign” – To prevent Gun Violence – “Nós tornamos extremamente fácil que pessoas perigosas tenham acesso a armas perigosas

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Guns In America” – Toda a informação sobre a questão das armas na América

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Filmes

(faça clique nas imagens para mais detalhes)

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