Feira, amada, odiada ou o cidadão Farense é possuidor de uma compreensão inesgotável?
«Decorre de 19 a 28 de Outubro mais uma edição da Feira de Santa Iria na cidade de Faro. A abertura oficial da Feira está marcada para as 18h00 que, como habitualmente, se vai realizar no Parque de São Francisco.
A Feira é uma iniciativa da Câmara Municipal de Faro, ficando a sua organização a cabo da AmbiFaro. Nesta Feira pode encontrar mais de 80 expositores (que compreende o comércio de liças, vimes, frutos secos, bolos regionais, farturas, bares, torrão de Alicante, vestuário infantil e de adulto, tômbolas e animação). A grande novidade em termos de animação é a presença de dois novos divertimentos para adultos: a montanha russa “Ciclone” e o “King of the Dance”.»
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«Sendo o espaço ocupado pela Feira aquele em que foi criado o Parque de Estacionamento do Largo de São Francisco, a Câmara Municipal pede a melhor compreensão de todos pelos transtornos provocados durante este período.
Faro Cidade Viva, Concelho Activo!»
(comunicado de 2007-10-11 do Gabinete de Relações Públicas da CM de Faro)
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Pois é, mais um ano, mais uma Feira no mesmo local de sempre, mais um mês de stress e confusão. O Farense deve ser o cidadão nacional com mais compreensão.
O Parque de São Francisco, na cidade de Faro, caracteriza-se por ser um enorme Parque de Estacionamento, com capacidade para 950 lugares, muito bem localizado face às áreas ocupadas pelo sector terciário. Além disso, tem ainda uma característica muito importante nos dias de hoje, é GRÁTIS. É também o local preferencial de estacionamento utilizado por todos os que visitam a cidade de Faro e a zona entre muralhas.
A sua localização estratégica faz com que a maioria dos condutores procure estacionar num dos 950 lugares possíveis. Os passeios também são utilizados, mas isso é outra história, relacionada com a apatia da PSP de Faro e que agora não vale a pena destacar.
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Faro é uma cidade onde muito se quer fazer e onde o dinheiro não existe. Existem situações vergonhosas de desperdício dos recursos disponíveis (aqui), falta de receitas para assegurar os compromissos de obras em curso, pagar dívidas a fornecedores e empreiteiros, desenvolver o programa de creches e jardins de infância e assegurar os apoios indispensáveis ao desenvolvimento da cultura, desporto e instituições sociais (aqui), e um endividamento de 57 milhões de Euros, dos quais, 14 milhões de Euros excedem a verba prevista nos termos da Lei de Finanças Locais.
Faro, capital de Distrito, não possui algo semelhante a um Parque de Exposições. Um local que pudesse acolher os grandes eventos empresariais ou comerciais que se realizassem no concelho, e em particular, que pudesse albergar os tradicionais mercados e feiras sazonais. Tavira inaugurou recentemente o seu Parque de Exposições (aqui).
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Assim, um local com capacidade para 950 carros puderem estacionar gratuitamente e que é utilizado pela maioria das pessoas que trabalha no centro da cidade, de forma consecutiva e com claro prejuízo para os Farenses, passa a ser utilizado para os seguintes eventos: “Recepção ao Caloiro”, “Semana Académica”, “Festival da Ria Formosa” e “Feira de Santa Iria”, sendo este último aquele que causa mais transtornos.
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Por vezes, extrapolar a situação para outro enquadramento ajuda a ter uma melhor compreensão do problema.
Considerando a população de Faro, um parque com capacidade para 950 seria equivalente, grosso modo, a um parque com capacidade para 9100 viaturas na cidade de Lisboa.
Um parque dessa dimensão seria talvez o equivalente à área total da Av. da Liberdade e da Av. da República. Imaginem essas duas avenidas transformadas num enorme parque de estacionamento, sem qualquer custo para os utilizadores. Imaginem todos os trabalhadores das áreas envolventes a estacionarem nesse local. Devido também à sua localização, imaginem grande parte do tráfego rodoviário a ter que passar nesse local.
Por fim, imaginem que a CM de Lisboa se lembrava de fechar essas duas avenidas para fazer uma Feira. Nessa situação, seriam os Lisboetas mais compreensivos que os Farenses?
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Utilizando uma imagem aérea da cidade de Faro, explico de seguida a situação normal, com o Parque de São Francisco a funcionar em pleno. Na imagem, a área azul representa o espaço ocupado pelo Parque.
Em termos gerais, existem três acessos principais ao Parque. Na imagem e da esquerda para a direita, indico o acesso Oeste, junto à Ria, o acesso Norte, pela Av. 5 de Outubro (uma das avenidas principais) e o acesso Este, de quem vem de Olhão. Quem também circula pelo centro da cidade, junto à Ria, utiliza a passagem pelo Parque para se deslocar para Olhão.
A área avermelhada representa a zona de influência do Parque de Estacionamento. Essa área é sobretudo ocupada pelo sector terciário. O estacionamento existente é controlado por Parquímetros. Assim, compreende-se que quem trabalhe nessa área, opte por estacionar no Parque de São Francisco e por se dirigir a pé para o emprego ou para fazer compras no Comércio Tradicional.
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A imagem seguinte representa a situação que se verifica com o fecho do Parque de São Francisco para a realização da Feira de Santa Iria.
Todo o tráfego vindo do acesso Oeste com destino a Olhão e que antes atravessava o Parque, passa agora a ter que circular ao longo da Rua D. Teresa Ramalho Ortigão (identificada com 1). É uma rua onde os carros estacionam em cima dos passeios. Por vezes, um carro mal estacionado impede a passagem de todos os autocarros que agora têm obrigatoriamente de circular por essa rua. A procura de um lugar nessa rua e as operações de estacionamento vão também contribuir para congestionar do trânsito. Mas a situações pior ocorre a partir das 18:00. Na designada ‘hora de ponta’ o trânsito vai-se acumulando ao logo da referida rua. Se estiver a chover, a situação poderá ser mesmo caótica, face ao aumento na circulação de carros.
O caricato disto tudo é que no final da rua está situada a esquadra da PSP de Faro (identificada com 2). Na imagem, cada círculo vermelho representa um cruzamento onde vão haver sérias complicações para se atravessar. Numa situação normal (país evoluído?), um polícia andava 10m e posicionava-se no cruzamento à frente da esquadra, a facilitar a entrada de todo o trânsito congestionado na rua já mencionada. Acha que é isso que acontece? É preciso haver uma ordem expressa de alguém? Se é preciso, será que ninguém da CM de Faro é capaz de dizer à polícia para se colocar naqueles 3 cruzamentos por forma a facilitar a circulação e a minimizar os transtornos em quem tem de conduzir em Faro? Haja compreensão.
A área amarela representa uma zona onde todos vão dar inúmeras voltas à procura de um lugar milagroso. Uma avenida bem larga (identificada com 3) também não será hipótese para estacionar, pois é local preferencial para colocar os camiões TIR que transportam a montanha russa “Ciclone”, estacionar roulottes de comes e bebes ou roulottes onde os feirantes passam a noite.
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A imagem seguinte é tirada do topo Norte do Parque de São Francisco. 950 Lugares de estacionamento grátis, com árvores que fornecem sombra agradável. Uma maravilha, não!?
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A imagem seguinte mostra o que acontece à estúpida da árvore quando esta se lembra de crescer num local onde é necessário montar uma tenda gigante. Por curiosidade, quanto tempo demora até que volte a dar sombra?
E outro aspecto caricato. Dias antes deste desbaste, bastantes lugares do Parque estiveram interditos (mais confusão no estacionamento), porque alguém achou que era a altura ideal para ‘aparar’ a parte inferior das copas das árvores. Planeamento adequado!?
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«Decorre de 19 a 28 de Outubro mais uma edição da Feira de Santa Iria…»
Acha que o transtorno só acontece de 19 a 28 de Outubro?
Na semana de 1 a 7 de Outubro começam a montar as primeiras tendas gigantes (30% de ocupação do parque). Na semana de 8 a 14 de Outubro vão montando todas as diversões onde um tipo diz ao microfone “vai mais uma voltinha…” (60% de ocupação do parque). Na semana de 15 a 19 de Outubro começam a montar as barraquinhas e as últimas tendas gigantes (100% de ocupação do parque).
Terminada a Feira, antes que a desmontagem liberte espaços de estacionamento, some mais uma semana de ocupação a 100%. Por fim, só cerca de duas semanas após o final da Feira é que os 950 lugares estão novamente disponíveis.
No mínimo, um mês de transtorno. Compreensão!?
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Qual a solução? Acabar com a Feira?
Não, nada disso. Nem acabar com a Feira nem com nenhum dos outros eventos que de forma absurda vão sendo organizados no Parque São Francisco.
Enquanto Faro não dispõe de um Parque de Exposições adequado ao seu estatuto de capital de Distrito, utilize-se meios que se encontram subaproveitados e que só dão despesa em manutenção.
Lembra-se do Euro 2004? Aquele evento nacional que implicou a construção de 10 estádios de futebol? Pois bem, aqui no Algarve houve lugar à construção de um estádio municipal, num local designado por “Parque das Cidades”. Não vou sequer mencionar a utilização que está a ser dada ao estádio.
Na página Web do “Parque das Cidades”, está indicado:
«O Parque das Cidades oferece também condições para a organização de feiras, exposições e mostras, devido aos seus amplos espaços e infra-estruturas.»
Além disso, também indica que o programa proposto no Plano de Pormenor do Parque das Cidades contempla: Estádio Algarve e outros equipamentos complementares a ele associados; Centro de Congressos do Algarve e Pavilhão de Feiras; Complexo Desportivo; Hospital Central do Algarve; Área Verde Equipada; Parques de Estacionamento; Infra-estruturas gerais e acessos.
Veja na imagem seguinte a área associada ao “Parque das Cidades”.
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Uma ideia absurda ou ingénua?
Enquanto não existe dinheiro para a construção do planeado Pavilhão de Feiras, utilize-se uma parte da enorme área de estacionamento do Parque das Cidades, para a realização da Feira de Santa Iria ou realização de outros acontecimentos que possam ocupar o Parque de São Francisco.
Quem conduz iria agradecer pois teria o estacionamento facilitado junto da Feira. Além disso, os acessos existentes permitiriam a fácil circulação das viaturas.
Nem todos têm carro? Pois bem. Colocavam-se dois autocarros numa carreira regular entre Faro e o Parque das Cidades, a transportar gratuitamente as pessoas que quisessem ir à Feira. Sim, gratuitamente.
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Compreensão?
Não. Este ano já esgotei a minha dose de compreensão. Transtornos causados durante este período? E durante todos os outros períodos?
É esta a brilhante solução de quem comanda os destinos da CM de Faro? Será possível que as cores políticas vão mudando, mas os novos responsáveis tomem sempre uma opção que prejudica todos aqueles que trabalham no centro da cidade ou que a visitam?
Os benefícios da realização da Feira compensam os transtornos associados? Creio que não!
Eu digo que já não tenho compreensão, mas isso serve de alguma coisa? Posso pedir uma indemnização à CM de faro por ter perdido a compreensão?
Faro Cidade Viva, Concelho Activo?