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Via Algarviana

Desde 2007 que estou para falar de uma via longitudinal do Algarve, ideal para quem gosta da Natureza, e sobretudo, para quem está disposto a caminhar 30Km num só dia. Desta vez, depois do meu vizinho de Monchique ter decidido dar corda aos sapatinhos e aventurar-se numa caminhada que durou 14 dias, achei que estava na altura de divulgar uma Via que dá a conhecer um Algarve profundo.

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O que é a Via Algarviana?

Trata-se de um projecto nascido em 1995, fruto da troca de ideias e da conjugação de esforços entre a Associação Almargem e os Algarve Walkers, com o objectivo de implementar uma rota pedestre entre o Baixo Guadiana e o Cabo de S. Vicente, atravessando o interior do Algarve.

O projecto é liderado pela Almargem e tem como parceiros a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Algarve, a Associação de Munícipios, e as Câmaras Municipais de Alcoutim, Castro Marim, Tavira, S. Brás de Alportel, Loulé, Silves e Lagos. Estão ainda envolvidas entidades como a Associação In Loco.

Os custos totais envolvidos na implementação da Via Algarviana, rondam os 350 mil euros, os quais serão fundamentalmente utilizados no equipamento, sinalização e divulgação do percurso.

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“um projecto estruturante para o interior algarvio”

A Via Algarviana é um itinerário pedestre com uma extensão de 301 km que percorre o interior do Algarve, entre Alcoutim e o Cabo de S. Vicente, passando por diversos locais como Vaqueiros, Salir, Silves, Monchique e Bensafrim, atravessando um total de nove concelhos, e 21 freguesias.

O principal objectivo deste projecto é promover o desenvolvimento sustentado das regiões serranas do Algarve, através da valorização do seu património cultural e ambiental, e da consolidação de pequenas iniciativas económicas locais, assumindo-se no futuro como a espinha-dorsal de uma rede algarvia de caminhos rurais, integrando e interligando percursos já existentes (por exemplo em Cachopo, Barranco do Velho, S. Bartolomeu de Messines ou Monchique), potenciando assim a criação de projectos semelhantes noutros locais.

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De igual forma, a Via Algarviana pretende fomentar e potenciar a prática do pedestrianismo na região, como componente do ecoturismo, contribuindo assim para diversificar a oferta turística da região, criando um novo produto, mas igualmente combatendo a sazonalidade do turismo. O projecto visa ainda contribuir para atenuar os efeitos do fenómeno da desertificação (humana) que afecta o interior do Algarve, promovendo a melhoria da qualidade de vida das populações serrana.

A Via Algarviana interligar-se-á com vários outros percursos, garantindo assim a possibilidade dos caminheiros seleccionarem os trajectos de acordo com os seus interesses e capacidades físicas. Ao longo deste roteiro, será possível seleccionar o troço a percorrer de acordo com o grau de dificuldade, a extensão, a paisagem, a riqueza botânica e faunística, a oferta cultural, as condições de alojamento e restauração, etc.

Futuramente pretende-se que Via Algarviana se constitua como uma Grande Rota (GR13), e simultaneamente, que venha a a fazer parte das Rotas Trans-europeias, ligando-se, em Tarifa (Espanha), ao E4 (a rota das grande montanhas que se inicia na costa do Peloponeso, na Grécia) e ao E9 (que liga São Petersburgo, na Rússia).

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Etapas

01 - Alcoutim a Balurcos 24,20 Km

02 - Balurcos a Furnazinhas 14,30 Km

03 - Furnazinhas a Vaqueiros 20,30 Km

04 - Vaqueiros a Cachopo 14,88 Km

05 - Cachopo a Barranco do Velho 29,10 Km

06 - Barranco do Velho a Salir 14,90 Km

07 - Salir a Alte 16,20 Km

08 - Alte a São Bartolomeu de Messines 19,30 Km

09 - São Bartolomeu de Messines a Silves 27,60 Km

10 - Silves a Monchique 28,20 Km

11 - Monchique a Marmelete 14,70 Km

12 - Marmelete a Bensafrim 30,00 Km

13 - Bensafrim a Vila do Bispo 30,19 Km

14 - Vila do Bispo a Cabo São Vicente 17,65 Km

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Os relatos de quem pôs pés a caminho

«Que semp’e fui à Via Algarviana, lá isso fui. Mái haveram de ver c’m’ é qu’ ê ch’guí cá… Vinha todo derrengado!… Olhe, os pés nã nos sentia, o bucho das pernas cudava d’ arrenbentar, as cruzes era c’m’ fogo e a espinha já quái que nã aguentava o peso da m’chila.

Más isto, c’m’ mái vale um gosto que cem menrés na alsebêra, nã há nada c’m’ um homem se jogar p’ à frente e seja o que Dés qu’ser. Foi o qu’ ê cá fiz. Abalí… e pronto. Mái que foi custoso, ‘tejam certos que foi. E munto…

(…)

Ora ê cá, que gosto de fazer as coisas à minha manêra, devagarinho e passo certo, vi-me impeçado p’ ôs dar àgu-ento logo até à pr’mêra paraja p’ à bucha. A minha sorte foi que tamém ‘tava p’a lá um, béque-me alemão, assim um coisinho p’ ô gordo, e o homem nã ‘tava lá munto ac’st’mado a andar - p’a d’zer a verdade, vi jêtes d’ ele arrèlar dum tôdo logo ô pr’mêro dia…

C’mo ele desatô a f’car p’a trás, pensí cá p’ra mim:

 

- Olha, esta vem a mê favor. Assim já nã sô ê cá a dar parte de fraco. Eles hã-de se ver obrigados a abrandar o passo e esperarem p’r o homem…

E assim foi.»

Todo o relato do Refoista, aqui “Punhana, qu’ a Via Algarviana ia arrebentando com-migo

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«Depois de 14 longos dias de caminhada, eis que chegámos ao ponto mais ocidente da Europa, o Cabo de S. Vicente. Alcançámos a vitória e cumprimos o prometido: percorremos a Via Algarviana! Os nossos companheiros e amigos vieram partilhar este último percurso e apoiar-nos nesta bela etapa. De Vila do Bispo, um grupo de 26 bem dispostos caminheiros avançaram em direcção a Sudoeste, em busca do nosso “Santo Graal”! E acreditem, valeu a pena

Do Blogue do recente evento da Via Algarviana, aqui.

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Links a consultar

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Via Algarviana (site oficial)

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Associação Almargem

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Pedestrianismo e Percursos Pedestres (um Blogue para quem gosta de caminhar)

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14 dias em imagens captadas pelo Refoista

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Termino a citar um artigo do Observatório do Algarve, a propósito desta Via,

“Porque por ali ainda vai havendo riachos em que a água corre cristalina e se pode beber, do interior das mãos em concha.”

Anúncios / MAI08

Galp Energia – “Autocarro Selecção”

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Por momentos vou tentar esquecer os 15 aumentos que já incidiram nos combustíveis desde o início do ano. Vou tentar esquecer o apelo de Carlos Barbosa, Presidente do ACP, lembrando que se todos os portugueses deixassem de abastecer na GALP, a baixa de preços seria inevitável. Será? A verdade é que ele e muitos outros gostariam que o Governo, de uma vez por todas, explicasse esta escalada dos preços, ou, porque motivo os aumentos são simultâneos e idênticos em todas as principais gasolineiras.

Se conseguir esquecer estes aspectos que vão tornando mais difícil a vida dos portugueses de dia para dia, talvez consiga ver com bons olhos um anúncio fantástico de apoio à nossa Selecção de Futebol.

O Autocarro chamado Portugal, vai atestado com a ambição dos que cá ficam e dos que lá vão

Se vir este anúncio e não esquecer os outros aspectos, poderá pensar noutra situação: Como isto anda, talvez seja mesmo necessário ir-mos todos a empurrar o autocarro, pois não haverá dinheiro para o gasóleo.

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Agência: BBDO, Lisboa, Portugal

Música: Bob Dylan – “Paths of Victory”

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EDP Renováveis – “Powered by Nature”

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Para mim, a ideia está muito bem conseguida e adapta-se na perfeição ao produto anunciado, apesar do mesmo me deixar sempre ligeiramente almareado e com a sensação de ter saído de uma máquina de lavar. O melhor é não tentar acompanhar a imagem com a cabeça.

Se no anúncio anterior se pedia para esquecer todos os aumentos que têm estado associados a uma fonte energética altamente poluidora, neste caso, nunca é demais lembrar que o futuro terá de ser construído com base nas energias renováveis.

E se o anúncio é perfeito para o produto anunciado, a música não lhe fica atrás. A faixa chama-se “Spinning Arround”, foi composta exclusivamente para o anúncio pelo projecto português Gomo, e está ser disponibilizada pela própria EDP Renováveis no seu site. O projecto Gomo foi criado em 2001 pelo músico Paulo Gouveia.

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Agência: Partners, Lisboa, Portugal

Música: Gomo – “Spinning Arround“

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E para quem tenha gostado da música, tem aqui a hipótese de a ouvir integralmente.

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Categoria: “Desculpem qualquer coisinha!” ou “Rapa mas é o cabelo que não dás uma prá caixa”

Nem te safas a fazer anúncios contra a calvice. Pobre Nike, se soubesse o que sabe hoje…

Vídeo RTP

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Categoria: “Perdoem-me!” ou “O controlo Anti-doping é só para esteróides?”

O Rui lá cantava que ele voava sobre os centrais. Mal sabíamos nós que era à custa de um produto típico da Colômbia. Nós e a tal comissão ou organismo do controlo anti-doping no futebol. Bom, ele lá disse que até só consumia nos intervalos. Sendo assim, está tudo bem, pois aquilo até desaparece facilmente do organismo. Na entrevista, ele não está com um ar alucinado ou estranho?

Vídeo RTP

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Categoria: “Se a sua mãezinha tivesse cataratas, de certeza que não estaria seis anos à espera de ir à faca“ ou “A única demagogia saiu da sua boca”

Então o senhor Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos, tem o desplante de acusar alguns autarcas de demagogia ou interesse eleitoral, por enviarem os seus munícipes para Cuba, com um custo unitário de 1300€, onde acabam por ser operados às cataratas de forma imediata?

De facto, demagogia é esperarem seis anos por uma operação. Ter olhinhos saudáveis e não ver, também é demagogia.

Vídeo RTP

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Categoria: “Não ligues ao Pedro Nunes que ele é um demagogo, para não dizer, um bruto” ou “Continua assim que vais bem”

Senhor Luís Filipe Soromenho Gomes, não ligue ao que diz o senhor Pedro Nunes pois aquilo não passa de bocas da reacção. Mas você já devia saber que em Portugal, quem tem iniciativa, é sempre visto com maus olhos. Mas a sua iniciativa já serviu para alguma coisa. Neste momento e de um dia para o outro, parecem chover soluções para eliminar as listas de espera. Foi preciso aparecer um autarca algarvio, acusado de demagogia eleitoral, para colocar isto a mexer.

Vídeo RTP

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Categoria: “Video kill american cop star” ou “Dá-lhe! Afinfa-lhe! Já bati em dois, só me falta um”

Dois dias antes até tinha sido assassinado um polícia em Filadélfia. Os malfeitores nem pararam num sinal vermelho. Logo, 19 polícias descarregam a sua ira contra os 3 ocupantes da viatura. Cada malfeitor terá levado pontapés de 6.33 polícias, admitindo que não circulação de polícias entre os grupos de espancamento. Mas não foi o caso. Tente identificar agentes da autoridade que conseguiram o Jackpot e bateram nos 3 malfeitores.

Bad boys,bad boys whatcha gonna do whatcha gonna do? When they come for you?

Vídeo RTP

Há dias discutia-se por aqui a hipocrisia que poderia estar associada à permissividade existente na exibição e visionamento de filmes violentos, em oposição à censura ou pudor face a imagens de carácter sexual.

Hoje em dia, a violência parece ser tão comum, que se torna banal. A violência que antigamente classificava um filme para maiores de 18 anos pode hoje em dia ser considerada menos agressivo ou prejudicial, alterando a classificação para 16 ou mesmo 14 anos. Entre muitos exemplos, gostava de saber a classificação que foi dada na exibição original do “Laranja Mecânica” e a classificação que pode ter sido dada numa exibição recente.

A violência está banalizada e parece ser inseparável do ser humano. Quando não existe, o ser humano procura-a ou faz com que aconteça. O exemplo que vou falar de seguida representa bem a necessidade da procura da violência.

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O passado dia 29 de Abril ficou marcado pelo lançamento de um dos melhores jogos de todos os tempos, o qual obteve críticas de 10 em 10 ou pontuações acima dos 99.5%. Estou a falar do jogo Grand Theft Auto IV (GTA), editado pela Rockstar Games. Um jogo desenvolvido em duas versões, para ser compatível com as consolas mais comuns do mercado, PlayStation 3 (Sony) e Xbox 360 (Microsoft).

Um jogo que já foi proibido na Austrália e é sempre alvo de fortes críticas. Em 2004, Hillary Clinton afirmou que o jogo ofendia e brutalizava as mulheres e tentou, sem sucesso, banir o mesmo dos EUA. Nesse aspecto, a publicidade negativa tem contribuído no sucesso do jogo. Ao longo das várias edições lançadas nos últimos anos o GTA já vendeu 70 milhões de cópias em todo o mundo.

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Em todos as versões do GTA, o jogador encarna um protagonista, normalmente um criminoso, que tem de desempenhar uma série de missões, num ambiente gráfico vasto e muito detalhado. Em GTA IV, o cenário é Liberty City, uma representação ficcional (mas graficamente muito realista) de Nova Iorque.

O protagonista da acção é Niko Bellic, um imigrante da Europa de Leste que se envolve com gangs mafiosos. A progressão no jogo implica roubar carros (o nome do jogo refere-se ao termo jurídico nos EUA para assaltos a viaturas), tiroteios, drogas, prostitutas, cenas fortes de pancadaria, assassinatos a sangue frio, condução sobre o efeito de álcool, entre outras traquinices. (+)

Nos EUA, a Entertainment Software Rating Board (ESRB), classificou o jogo como “M” (de “mature”), impedindo a venda a menores de 17 anos. Pela Europa, a British Board of Film Classification (BBFC), atribuiu uma classificação de “18”, que impede a venda a menores de 18 anos.

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Nada melhor que apresentar números para compreender a dimensão deste jogo. A Take-Two Interactive, distribuidora do jogo e accionista principal da Rockstar Games, espera na primeira semana vender 6 milhões de unidades, o que representa um valor de 400 milhões de dólares.

No Reino Unido, só no primeiro dia, de acordo com um relatório da Entertainment Leisure Software Publishers’ Association (ELSPA), foram vendidas 609 mil cópias. Mike Rawlinson, Director da ELSPA, afirmou a que as vendas do GTA no primeiro dia tinham sido fenomenais e que reflectiam um mercado competitivo e em contínuo crescimento. Só no Reino Unido, o número de pessoas que aprecia os jogos de computador deverá rondar os 20 milhões.

Se este número de vendas impressiona, então veja-se o número de unidades vendidas nos EUA só no primeiro dia: 2,5 milhões. As unidades eram vendidas a 60 dólares na edição normal e a 90 dólares numa edição especial (25% das vendas incidiram na edição especial). Só nos EUA, o encaixe no primeiro dia foi de 170 milhões de dólares. (+)

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O lançamento de GTA coincidiu com o fim-de-semana de estreia de um dos Blockbusters de 2008, o filme “Iron Man”. Houve quem colocasse em causa as receitas deste filme pelo facto de muitos poderem optar em investir as suas poupanças na compra do jogo em detrimento do entretenimento do cinema. Uma coisa é certa, é previsível que o GTA IV faça mais dinheiro numa semana do que muitos Blockbusters em todo o tempo que tiveram de exibição, incluindo as vendas de DVDs e Merchandising.

Compare-se com os dados apresentados neste “O Meu Cinema já não é o Meu Cinema - A Arte Escondida”. A nível mundial, o GTA IV baterá as receitas dos filmes “Live Free or Die Hard”, “I Am Legend” ou “Rush Hour 3”. A nível dos EUA, ficará à frente de todas as receitas dos maiores sucessos de 2007, nomeadamente, “Pirates of the Caribbean: At World’s End” e “Spider-Man 3”.

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Imagine que se tratava de um jogo cuja acção fosse algo do género:

«O protagonista da acção é Niko Bellic, um imigrante da Europa de Leste que fugiu aos gangs mafiosos da sua terra e que procura agora uma vida digna nos EUA. Diariamente ele conduz um Taxi que lhe permitirá ganhar pontos para subir de nível, os quais são obtidos através do respeito pelas regras de trânsito e por evitar as picardias com outros condutores. Os pontos podem ser transformados em dinheiro virtual que permitirão a aquisição de bens essenciais para Niko Bellic. O jogador terá de adquirir bens alimentares que proporcionem uma alimentação saudável a Niko Bellic, sob pena deste ficar doente ou engordar até já não caber no Táxi. Niko Bellic terá de praticar exercício físico de forma regular e afastar-se de vícios perigosos, como a droga, o álcool ou o jogo, o que lhe permitirá ganhar mais pontos. Também poderão ser pedidos empréstimos e o jogador terá de gerir todos os aspectos económicos da melhor forma

Alguém iria comprar este jogo?

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O ser humano tem necessidade da violência? Com base nos números apresentados tudo leva a crer que sim. De violência e de sexo, ou não fosse a indústria pornográfica uma das mais rentáveis.

Muito se tem falado da violência nos últimos tempos. Seja a que ocorre nas escolas, a provocada por armas de fogo ou a provocada por carjacking. Some-se os casos de condução sob o efeito de álcool e até parece que estamos perante uma versão do GTA na vida real. Poderá o GTA desencadear a violência na vida real? Creio que não. Se assim fosse, nos EUA, num só dia, 2,5 milhões de pessoas poderiam vir a desencadear actos violentos por causa da influência nefasta do GTA. Admitindo essa situação e pensando em toda a violência que existe no cinema e na televisão, seria o caos.

Mas atenção, estamos a falar de um jogo que só poderia ser vendido a maiores de 16 ou 17 anos e só deveria ser jogado por pessoas acima dessa idade. Será?

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A questão é que não existe forma de controlar quem joga o GTA ou outros jogos carregados de violência, nem se conhecem os verdadeiros efeitos que essa violência pode ter nas crianças. Com base nos números de vendas, vamos acreditar que todas as unidades foram vendidas apenas e somente a maiores de 16 ou 17 anos? Os adultos que as compraram não têm filhos, ou jogam apenas quando estes estão a dormir? Os adultos que as compraram terão ligado à classificação etária atribuída, ou limitaram-se a satisfazer um pedido dos seus filhos? Foram pedidos os BI a alguns compradores, ou muitos miúdos de 14, 15 e 16 anos, com grande corpanzil, puderam comprar o jogo pelos seus próprios meios? Tenho sérias dúvidas.

Não faz sentido impedir o acesso na sala a conteúdos violentos da TV e permitir o acesso no quarto a conteúdos ainda mais violentos disponíveis em jogos electrónicos. Mas essa ‘autorização’ pode resultar do facto dos pais não se interessarem pelos jogos que oferecem aos filhos, nem ligarem às classificações que são atribuídas aos mesmos.

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A Parents Television Council (PTC), uma organização americana que defende um entretenimento responsável, emitiu um comunicado descrevendo o GTA como “repugnante, violento, imoral, de mau gosto“. Esta é uma associação que foi criada em 1995, com o objectivo principal de garantir que as crianças não são constantemente bombardeadas com violência, sexo ou ofensa na televisão ou noutros meios de entretenimento. No seu site, por exemplo, consideram que o melhor programa é o “Oprah” e que o pior é a série de animação “Family Guy”. Apesar de alguns tiques fundamentalistas, é possível encontrar alguns documentos com opiniões que merecem consideração.

A propósito deste jogo, o Presidente da PTC, Tim Winter, diz o seguinte «Se os comerciantes forem contra a vontade dos pais e venderem o jogo, não o deverão comercializar para as crianças de nenhuma forma, nem o devem exibir onde crianças o possam ver. Em complemento, os comerciantes devem forçar a exibição do BI antes de o venderem a alguém. Legalmente, as lojas não podem vender pornografia ou armas a crianças – mas podem, de forma legal, vender jogos electrónicos a crianças que contêm material pornográfico ou que ensinam crianças a matar. Isto é errado e os comerciantes devem garantir que crianças não acompanhadas por adultos sejam impedidas de comprar o GTA IV».

A verdade é que estes conteúdos para “maiores de idade” são sempre os mais apetecíveis e quanto mais polémica gerarem maior será o interesse em possuí-los ou jogá-los. Quantas crianças com 10 anos, ou mais pequenas, vão conseguir fazê-lo?

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O National Institute on Media and the Family (MediaWise), cuja missão é maximizar os benefícios e minimizar os malefícios dos Media na saúde e desenvolvimento das crianças e família, alerta os pais para observarem sempre a classificação atribuída pelo Entertainment Software Rating Board (ESRB) - no caso dos EUA - quando compram jogos electrónicos para os seus filhos.

A propósito do GTA, esta organização salienta os seguintes aspectos «De acordo com a Federal Trade Commission, 9 em cada 10 compras de jogos electrónicos envolve um encarregado de educação. Assim, é fundamental que os pais tenham em conta a classificação atribuída ao jogo antes de o comprarem ou alugarem para os seus filhos. O ESRB e o National Institute on Media and the Family encorajam os pais a estarem informados e a exercerem o seu dever educacional quando confrontados com a possibilidade de compra de um jogo com classificação “M” (mature). Os pais devem olhar para a classificação ESRB na caixa do jogo, que serve de indicação sobre a idade mínima a que o jogo se destina, e que descreve também o conteúdo do jogo – no caso do GTA, esta indicava: Intense Violence, Blood, Strong Language, Strong Sexual Content, Partial Nudity, Use of Drugs and Alcohol. Além das classificações ESRB, existe um conjunto vasto de recursos que os pais podem usar para tomarem uma decisão ponderada e informada, de forma a exercer um controlo adequado sobre os jogos que dão aos seus filhos.

Nós encorajamos os pais a tirarem partido destas ferramentas. A melhor forma que os pais têm para conhecerem os jogos com que os seus filhos brincam, é vendo-os a jogar e jogando com os mesmos jogos»

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Uma nota final. Tive a consola Sega, a Playstation I e a Playstation II. A consola Playstation III ficou logo posta de parte, quer pelo preço, quer por não ter tempo para jogar, quer por ter passado pouco tempo desde o lançamento da consola anterior e por achar esse facto uma roubalheira para o consumidor. Nunca fui um fanático de jogos de consola. Essa opção talvez se deva ao facto dos jogos terem o escandaloso preço de 60€. Assim, sempre optei por jogos cuja acção fosse tipo Duracel, e dura, e dura…por isso, joguei quase todos do Tomb Raider e todos do Gran Turismo.

Se agora tivesse a PS III, compraria este Grand Theft Auto IV? Pela classificação obtida e pelo facto da acção ser tipo Duracel, sim.

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Uma forma de conhecer as classificações ESRB, sem ser necessário ir às prateleiras da FNAC, aqui.

Antes de ler este texto, peço que faça uma leitura a “Armas ou Manteiga”, para que tenha uma noção sobre os valores gastos na indústria do armamento, e uma leitura a “África, Guerras e Ajuda Internacional ou ‘Como Perder 284 Biliões de Dólares’” para constatar que as guerras têm sido o principal sorvedouro das economias dos países subdesenvolvidos.

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Esta 3ª Feira, Ban Ki-moon, Secretário-geral da ONU, anunciou a criação de uma célula de crise encarregue de lidar com a questão da subida do preço dos alimentos e os consequentes problemas de fome. Esta célula será liderada pelo próprio Ban Ki-moon, que chefiará dois coordenadores, John Holmes em Nova Iorque e David Nabarro em Genéva.

Na conferência de imprensa, salientou-se um pedido urgente à comunidade internacional para constituir um fundo de emergência de 755 milhões de dólares, necessário para as Nações Unidas conseguirem alimentar milhões de pessoas esfomeadas em todo o mundo, como uma primeira medida de outras tantas medidas concretas a executar.

Vários protestos têm ocorrido em alguns países por causa da subida de preços de alimentos básicos, como o arroz, trigo ou milho. Ban Ki-moon salientou que a escalada nos preços da energia, falta de investimento na agricultura, aumentos da procura e condições climatéricas adversas têm constituído as causas para o aumento dos preços. De acordo com Ban Ki-moon, se esta crise não for gerida da melhor forma, a mesma poderá originar o surgimento de crises em cascata, afectando as trocas comerciais, crescimento da economia, progresso social e mesmo a segurança política a nível mundial.

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A cultura de arroz tem estado no centro da crise

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Mas as agências da ONU estão já a tomar medidas concretas para evitar esta crise. A Food and Agriculture Organization (FAO) propôs uma iniciativa de emergência para fornecer aos países de baixos rendimentos, sementes e incentivos à produção. Esta iniciativa propõe a criação de um fundo de 1,7 biliões de dólares. Em complemento, o International Fund for Agricultural Development (IFAD) está a tentar libertar uma verba de 200 milhões de dólares para atribuir a agricultores pobres dos países mais afectados pela crise, para que aumentem a produção das culturas.

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Na 2ª Feira, o director-geral da FAO, Jacques Diouf, na chegada a Lisboa para assinatura de um acordo, disse que «Os aumentos dos preços dos cereais são um problema cada vez mais sério, mas já o tínhamos previsto há meses atrás. Todas as estatísticas indicavam que esta crise iria acontecer. Infelizmente as pessoas só agem quando a crise já está instalada.» Questionado sobre as possíveis soluções, Diouf falou da «falta de vontade política» para resolver o problema, e defendeu «Aumentar a produtividade dos países mais pobres e que importam mais alimentos, ajudar os que dependem das importações, como é o caso de vários países africanos».

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Países onde se estão a verificar faltas de alimentos

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Outro alerta foi feito por Josette Sheeran, Directora do The World Food Programme (WFP). Nesse alerta foi mencionado que as reservas de alimentos no mundo estão ao nível mais baixo dos últimos 30 anos, e nalguns casos, dos últimos 60 anos, devido ao aumento constante dos preços no mercado mundial.

Em Fevereiro, este organismo viu-se obrigado, a solicitar 500 milhões de dólares de urgência à comunidade internacional por causa do buraco que o aumento dos preços causou no seu orçamento. Em apenas cinco semanas o preço do arroz duplicou na Ásia. O Banco Mundial indicou recentemente que esta situação pode levar mais pobreza a cem milhões de pessoas nos países menos desenvolvidos do planeta.

Josette Sheeran defendeu que a principal solução para a actual crise, que ela classificou como «um tsunami silencioso», é um aumento da produção de alimentos que responda ao aumento da procura mundial, a principal responsável da actual crise. «O mundo consome mais do que produz mas eu estou optimista porque o mundo sabe como produzir mais».

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Perto de um bilião de pessoas vive com cerca de 1 dólar por dia. Se, numa estimativa conservadora, o custo dos seus alimentos subir 20% (em alguns locais tem aumentado muito mais do que esse valor), 100 milhões de pessoas podem vir a ter de viver com esse montante diário, que é a medida comum para classificar a absoluta pobreza. Em alguns países, esse retrocesso será idêntico a todos os ganhos que foram obtidos na luta contra a pobreza na última década de crescimento.

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No sudoeste da China, os residentes fazem fila para conseguirem comprar óleo alimentar

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Lester Brown, um reputado analista e presidente do Worldwatch Institute, afirmou que se a actual situação de crise provocada pelo aumento do preço de alimentos básicos continuar, existem 33 países que vão estar sujeitos a problemas sociais graves, que podem colocar em causa a própria autoridade do estado.

No Paquistão, uma potência nuclear onde problemas políticos se têm sucedido e onde a Al Qaeda tem bases firmes, o aumento do preço da farinha atingiu 100% nos últimos meses.

Tumultos provocados pelos problemas de distribuição de comida estão a tornar-se comuns. Já ocorreram conflitos graves no Egipto e em Marrocos. Também houve tumultos no México, na Indonésia e nas Filipinas. No Yemen, Camarões, Senegal e Etiópia já ocorreram mortes provocadas pela falta de alimentos. No Haiti, onde uma missão da ONU tenta manter uma paz precária, os problemas com a falta de comida levaram já à queda do governo.

Para piorar a situação dos países mais pobres, a declaração por parte de alguns países produtores, como a Argentina e a Tailândia, avisando que cancelariam as exportações, levou automaticamente a um aumento dos preços no mercado internacional, onde os grandes investidores bolsistas e os fundos de pensões, estão a comprar comida que ainda não foi colhida e a negociar os preços nas bolsas mundiais, completamente alheios à catástrofe que poderá ocorrer.

Os Estados Unidos com alguns excedentes de produção e que têm planos para aumentar a produção de cereais para os transformar em combustíveis, não deverão ser afectados. A Europa, que tem financiado uma contenção na agricultura, poderá reverter a situação, pois tem muitas áreas férteis e um sector agro-industrial forte. Já em África, em muitas áreas da América Latina, nos países do médio oriente que não têm petróleo e na Ásia, onde a população continua a aumentar a pressão será muito maior.

A juntar aos problemas políticos que já se levantam em muitos países do mundo, os problemas do aquecimento global – que alguns governos, como o dos Estados Unidos ainda há pouco negavam, mesmo perante as evidências – podem complicar a situação. A Amazónia sofreu recentemente a maior seca de que há registo.

A crise afectará sem dúvida os mais pobres. O problema principal dos países ricos, não é a falta de comida, mas sim o que fazer com um mundo, onde em alguns meses, poderão haver centenas de milhões de pessoas que nada têm a perder.

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Um cidadão do Haiti come relva em frente a um soldado da ONU como forma de protesto para a falta de alimentos que assola o país

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Esta crise também poderá colocar de novo na mesa a discussão sobre a intromissão da ciência na agricultura, em particular, o caso da cultura de transgénicos. A forma de alimentar o mundo não deverá passar pelo aumento dos campos cultiváveis, mas pela criação de culturas mais eficientes e rentáveis.

E será esta crise um resultado directo da utilização de cereais, como o milho, para a produção de biocombustíveis? Essa é a opinião do Brasil ou Venezuela, que associam o aumento dos preços ao crescimento da produção de biocombustíveis, que tem sido incentivado especialmente, pelos Estados Unidos.

John Holmes, um dos responsáveis pela nova célula de crise da ONU para enfrentar a subida de preço dos alimentos, indicou ser necessário não dar respostas precipitadas contra o desenvolvimento dos biocombustíveis. Segundo John Holmes «Os biocombustíveis foram desenvolvidos em resposta ao problema dos efeitos das alterações climáticas e devido à necessidade de diminuir as emissões de gases com efeito de estufa. Não foram criados apenas por prazer. Em certas regiões é sensato produzir biocombustíveis, mas noutras não é forçosamente assim»

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Uma mulher ugandesa arrasta uma saco de comida distribuído pelo The World Food Programme (WFP)

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Na sequência destas notícias, George Bush anunciou que será apresentada uma proposta ao Congresso dos EUA para que aprove uma verba de 770 milhões de dólares para ajuda alimentar e programas de desenvolvimento, com o objectivo de controlar a recente crise mundial dos alimentos.

Um facto curioso é que os EUA lideram sempre todas as frentes. São o país com o mais elevado orçamento de defesa, aquele que mais contribui para o Efeito de Estufa, e são o maior dador de ajuda alimentar.

George Bush salientou a necessidade de eliminar barreiras comerciais para combater a escalada dos preços e apelou aos países para eliminarem os entraves às culturas produzidas através de biotecnologia «Estas culturas são seguras, são resistentes às pragas e doenças, e contêm a promessa de produzir mais alimentos para mais pessoas»

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Veja-se o caso de Manila, nas Filipinas. Na mesma semana em a crise mundial dos alimentos foi notícia principal na maioria dos media, somos também confrontados com uma notícia onde os muito pobres conseguem fazer negócio com os que são ainda mais pobres. No meio de toneladas de lixo e lama, adultos e crianças procuram comida para reciclar. A mesma servirá para a sua alimentação e para vender a outros. Veja o Vídeo RTP.

E não é só um problema de falta de comida. Também em Manila como noutras regiões do globo, junte-se a falta de condições sanitárias e de água potável, que acabam por causar inúmeras doenças e mortes. Na imagem seguinte, em Manila, uma mulher lava o seu filho no meio dos esgotos da cidade.

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Por cá, o aumento do preço dos alimentos já se está a reflectir no consumo. Os portugueses estão a comprar menos pão e leite, dois bens de primeira necessidade que registaram fortes aumentos de preço no último ano. No caso do pão, em seis anos, o preço médio deste alimento básico subiu 34,3 por cento, enquanto a inflação cresceu 19%.

E como cada vez é mais difícil alimentar a esperança, com pedidos cada vez maiores por parte das instituições, vai haver lugar, este fim-de-semana, por parte do Banco Alimentar Contra a Fome, a mais uma campanha de recolha de alimentos junto à maioria das superfícies comerciais, para tentar encher os armazéns que já se encontram vazios.

É a “Campanha Saco” onde os portugueses podem e devem colocar bens alimentares para ajudar os mais carenciados, cujo número ultrapassa os 230.000. Entre as várias opões, o Banco Alimentar contra a Fome destaca: Azeite, Óleo, Leite, Enlatados e Cereais. Veja o Vídeo RTP.

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Mesmo nos EUA, as limitações nas vendas são necessárias para evitar o açambarcamento

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Nas palavras de Ban Ki-moon, «Eu estou confiante que conseguiremos lidar com esta crise mundial dos alimentos. Nós temos os recursos. Nós temos o conhecimento. Nós sabemos o que fazer. Nós devemos assim não considerar esta situação apenas esta situação como um problema mas também como uma oportunidade

Este é de facto um Tsunami Silencioso. Se o problema é a falta de fundos, então é fácil verificar que a indústria do armamento e todas as guerras provocadas para a utilização dos meios bélicos, caso não existissem ou fosse retirada apenas uma pequena percentagem do montante que representam, seria suficiente para evitar toda a fome que existe no mundo. Tal como escrevi antes, desde 1990, 23 países africanos contribuíram para a perda de 284 biliões de dólares. Esse valor é equivalente à Ajuda Internacional que tem sido enviada para África no mesmo período. Se esse dinheiro não tivesse sido perdido em conflitos armados, seria suficiente para resolver problemas associados à SIDA, suficiente para cobrir as necessidades relativas à educação, água potável e saneamento básico, ou prevenir a Tuberculose e a Malária.

Até hoje, o problema da fome e da falta de alimentos parecia ser algo que só acontecia em África, onde os programas de notícias nos mostravam imagens de crianças subnutridas e moribundas. Quando estas imagens começarem a ser mostradas relativamente aos próprios países desenvolvidos, então talvez seja tempo de todos acordarem e verem que a situação é mesmo grave. Mas nesse dia, talvez seja tarde demais para evitar a catástrofe.

SKIP e o puto robot

Versão Steven Spielberg

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Versão Feios, Porcos e Maus

- Que mer.da é esta!? Então o chão que eu acabei de lavar está todo cagado de lama? Ai puto dum cabrão! ZÉÉÉÉ! OH ZÉÉÉÉÉÉÉÉÉ! Onde estás? Se eu te apanho parto-te os cornos!

MANEL!? MANEEEEEEEL! Anda ver a mer.da que o puto fez. Levanta os tomates do sofá e vem já aqui, bêbado imundo!

- DASSSE! Rameira de mer.da, deixa-me em paz! Tenho de ir para a tasca para ter sossego? O puto que se lixe mais à mer.da que fez. Ainda ontem lhe dei com o cinto.

- RANHOSO, Não vales nada! És um monte de mer.da! Se fores para a tasca já não entras aqui, podes ter a certeza disso! És um inútil!

- ZÉÉÉÉ! Já te disse para vires aqui!

- Ai mããã! Desculpa! Não foi por mal

- Desculpa!? Pensas que eu sou rica para comprar SKIP para te lavar a roupa? Vou ter que esfregar tudo com sabão azul e branco! Ainda não fiz o jantar, aquele sarnoso já vomitou a sala e ainda vou ter que lavar de novo o chão. Desculpa!? Sai-me da vista antes que te parta a cabeça com a esfregona.

- Mas a SKIP diz que toda a criança…(TRÁS)

- Eu avisei-te não avisei?

Versão Kramer contra Kramer

- José!? O que te aconteceu filho? Estás todo encharcado e sujo de lama?~

- Pai, estava a seguir o conselho da SKIP

- Da SKIP? Mas qual conselho?

- Que toda a criança tem o direito a sujar-se

- Esses gajos devem é ser parvos. A tua mãe está quase a chegar para te levar para casa dela e eu não tenho qualquer roupa limpa para te mudar. Mas que raio de ideia a tua.

- TLIM TLOM

- É a tua mãe. Já temos o caldo entornado.

- Manuel!? O que é isto? Mas o José está todo sujo de lama. É assim que sabes tomar conta dele?

- Bolas, não comeces. Ele viu um anúncio da SKIP e decidiu fazer o mesmo.

- E sujou-se todo? E tu onde estavas? A ver a bola? A trabalhar, como sempre? Podes ter a certeza que comigo isto não acontecia

- És a maior! Se eu tivesse o teu emprego também teria tempo para laurear a pevide.

- Cala-te! Sabes lá o que dizes. Sempre foste assim. Só pensas em ti.

- Pai, mãe, eu só queria ter o direito a ser criança, tal como diz a SKIP

- Como diz a SKIP? Vai já para o carro! Ficas sem PlayStation, sem televisão, sem computador e sem telemóvel durante um dia.

- Eh Pá! Achas necessário esse castigo tão severo?

- Desculpa!? Estás-me a dar opiniões? Se dependesse de mim só o vias uma vez por ano. Felizmente que o PS mudou a tempo as regras do divórcio.

Versão Os Verdes

- Olá José! Então? Brincaste muito?

- Sim mãe. Brinquei na relva e depois caiu uma chuva que fez uma poça onde eu chapinhei bastante.

- Que bom, e isso é uma minhoca na tua mão? Ohhhh, tão linda! Vai mudar de roupa e mete essa nos novos contentores de cartão reciclado.

- E tu vais-me lavar a roupa com SKIP?

- Com SKIP? Com o quê? SKIP? Mas a minhoca mordeu-te? Tu fazes ideia da quantidade de produtos nocivos para o ambiente que existem em cada embalagem? MANUEL! Importas-te de largar a montagem dos painéis solares e vires aqui?

- Então? O que aconteceu?

- Acreditas que o José queria que lavássemos a roupa com SKIP?

- Com SKIP!? Filho, nós só lavamos a roupa com ECOVER, pois respeita a nossa pele, é implacável com a sujidade e suave com a roupa. Tem ingredientes à base de plantas e de minerais, sem branqueadores ópticos. A sua Biodegradabilidade é rápida e completa. Tem impacto mínimo na vida aquática e é um produto não testado em animais.

- Mas esse não diz que eu tenho direito a sujar-me.

- Filho, mas este é o que vai permitir que mais crianças possam ter um futuro verde, limpo e saudável.

- Mas esse não diz que eu tenho direito a ser criança.

- Chega! Vais para a sala de castigo e só sais de lá depois de veres o “Verdade Inconveniente” e o “Dia Depois de Amanhã”

Versão Lili Caneças

- Co rror! Então o Zé Maria entra em casa nesse estado? Credo, parece um bicho do mato. Então e conspurca o tapete de Arraiolos?

Dona Alice…Dona Aliiiiice!

- Senhora!?

- Dona Alice, o Zé Maria precisa de tomar um banho e preparar-se para o aniversário do Pedro Afonso. Depois, pode lavar estas roupas e colocá-las na cesta de doação para a Igreja.

- Mamã, a Dona Alice vai lavar a roupa com SKIP?

- Sei lá Zé Maria. Como é que o menino quer que eu saiba essas coisas. SKIP? É Francês?

- Não mamã. É um detergente que diz que eu tenho o direito a sujar-me.

- ZÉ MARIA! Não estou a gostar dessa conversa. Parece um sindicalista a falar, um daqueles professores que se manifestam na Av. Da Liberdade, sei lá, Co rror! Porte-se bem ou eu terei de pedir à Dona Alice para o por de castigo. Que o seu paizinho que está em Tóquio não adivinhe que o Zé Maria anda a dizer estas coisas.

Dona Alice, depois traga-me algo doce, que tudo isto já me causou uma enooooorme enxaqueca.

Versão Ébola

- Aiiiiiiiii, ai minha nossa senhora! Manuel!? Manuuuuel! Acode-me! Ai que o José chegou a casa todo molhado e sujo de lama.

- Oh não!? Porquê!? Filho, PORQUÊ!? E agora?

- Ai Manuel, tira-lhe já essa roupa molhada e cheia de micróbios que eu vou tentar ligar para o Pediatra. Ai Deus queira que não seja nada! Olha, começa já a esfregá-lo com álcool antes que seja tarde.

- Álcool? Não sei se temos! Vamos já levá-lo para a banheira e dar-lhe um banho bem quente.

- Tuut…Tuut…Tuut

- Manuel, ninguém atende! Raio de pediatra que nunca está disponível 24h por dia. AHHHHHHHHH! Aquilo é uma minhoca? MANUUUUUEL! O miúdo tem uma minhoca na mão. Ela anda na terra e a terra está cheia de micróbios.

- Ai mãe, não é preciso esse chavascal todo.

- CHAVASCAL!? CHAVASCAL!? Podes apanhar uma pneumonia, uma tosse convulsa, uma bronquite crónica, uma febre reumática ou mesmo uma tuberculose, e ainda dizes que isto é chavascal?

- Mas mãe, a SKIP diz que toda a criança tem o dir…o direito a, a, a, ATCHIM!

- AI MINHA NOSSA SENHORA! JÁ ESTÁ! JÁ ESTÁ!

Costuma-se atribuir a S. Pedro a gestão das condições atmosféricas. Na RTP, através de um enorme ecrã que dá uma péssima visão dos valores das temperaturas, um senhor que qualquer dia deverá estar a apresentar um programa com a Bárbara Guimarães - já que faz questão de associar um escritor a cada cidade onde tem de indicar uma temperatura – lá vai indicando com enorme entusiasmo as condições climatéricas que acompanharão os portugueses nesse dia. Mas na verdade, aquilo que esse senhor apresenta é apenas uma constatação. Os dados são minimamente correctos para o próprio dia – e por vezes nem isso – e são para esquecer para os dias seguintes, “Quê!? Hoje está Sol e 22ºC? então e o tempo nublado e os 18ºC que eles tinham previsto na véspera!?”. Quantas vezes não suámos ou gelámos por uma escolha incorrecta de vestuário, feita com base nessas previsões altamente sofisticadas? Esqueça. Quem manda nisto do tempo é mesmo o S. Pedro. E o seu bom ou mau humor é o que faz o tempo mudar de um dia para o outro.

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Mas na minha opinião, o S. Pedro não anda a controlar o tempo com eficácia. Nos últimos anos, parece ter esquecido de carregar nos botões que fabricavam as chamadas meias-estações. Será que o seu painel de controlo está com defeito? Será que o botão da Primavera e Outono estão encravados? O que eu sei é que de um dia para o outro se passa de Inverno para o pico do Verão. E estas mudanças, como é óbvio, deixam qualquer terrestre completamente desorientado. Quando em Abril ou no final de Outubro se apanha com 30ºC, o que todos querem é ir a banhos. E não se trata de situações pontuais. Diria que de há uns anos para cá, em Abril, Maio e Outubro têm estado reunidas óptimas condições para a prática de banhos de sol e banhos de mar. Essas condições são ainda mais propícias para todos os estrangeiros que nos visitam fora da época alta. Desta forma, e para evitar mortes lamentáveis, talvez fosse boa ideia rever todos os conceitos e legislação associados à Época Balnear.

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Em Abril de 2004, a CCDR Algarve deliberou o alargamento do período de licenciamento de apoios balneares em praias algarvias, num designado período extra balnear, que funcionaria de 1 de Abril a 31 de Maio e de 1 a 31 de Outubro. No entanto, esse processo estaria apenas relacionado com os Apoios Balneares, sendo independente do funcionamento dos equipamentos de restauração e bebidas associados aos Apoios de Praia.

Este período extra balnear não tem assim as mesmas exigências da chamada Época Balnear Oficial, que decorre entre 1 de Junho e 30 de Setembro. Na Época Balnear Oficial, de acordo com a nova legislação, está por exemplo contemplada a penalização para banhistas que entrem no mar com a bandeira vermelha içada (comportamento que, aliás, está sujeito a diversas ponderações, como o facto de causar ou não perigo para terceiros). Estão em causa, a título de exemplo, desde questões ambientais ao exercício de actividades comerciais, permanência de autocaravanas nos parques de estacionamento ou condições de exercício de práticas desportivas. E é esta falta de exigência que marca toda a diferença em 3 meses do ano, que constituem o tal período extra balnear. Nesse período não existe o problema de alguém ser punido por ir a banhos com bandeira vermelha, pelo simples facto de não haver bandeira ou alguém para a içar. Infelizmente, nesse período, a punição de alguém entrar no mar poderá ser o afogamento.

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Vou recuar a 23 de Outubro de 2007.

Nesse dia, devido às excelentes condições atmosféricas que se faziam sentir - assim tipo uma grande brasa – a praia do Tonel, em Sagres, foi visitada por um grupo de turistas estrangeiros. Esta é uma praia concessionada durante a Época Balnear Oficial, onde existe a presença de nadadores salvadores durante essa época.

Mas nesse dia, o grupo de turistas deparou-se apenas com os seguintes elementos:

- À entrada do areal existia uma placa em português com algumas proibições, onde se lia, por exemplo: “proibida a entrada de cães” ou “proibido fazer campismo e lume“.

- Em pleno areal existia um outro cartaz, da responsabilidade do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), em quatro idiomas - alemão, português, inglês e francês - a indicar regras gerais e recomendações. Informava por exemplo que o banhista não devia ir para a água antes da digestão, devia respeitar os sinais das bandeiras e explicava o significado da cor das bandeiras. Lia-se também que em caso de acidente, e se a praia estivesse vigiada, devia alertar o nadador salvador. Caso não estivesse vigiada devia contactar o número de telefone 112.

Em nenhum dos cartazes existentes na praia estavam especificadas as épocas do ano em que a praia está vigiada ou não nem havia explicações a alertar para os perigos específicos das praias da zona, nomeadamente a existência de fortes correntes marítimas.

Resultado? Quatro cidadãos estrangeiros, um alemão e três ingleses, entre os 40 e os 50 anos, morreram afogados. Algumas crianças tinham ido nadar e foram apanhadas por fortes correntes. Estes turistas acabaram por morrer na tentativa de as salvar.

É claro que houve irresponsabilidade por parte dos intervenientes. Mas também houve ingenuidade na avaliação das condições do mar. Quem chega a uma praia pela primeira vez, supostamente não terá conhecimento ou experiência suficiente para saber se as condições do mar serão seguras para tomar banho. Não conseguirá ter a noção de correntes fortes ou de fundões, e não será apenas a altura das ondas que permitirá fazer uma avaliação correcta. Aliás, segundo uma testemunha, o mar até estava calmo nesse dia. Por outro lado, o facto de haver cartazes do ISN também poderá ter dado uma falsa noção de segurança, já que indicavam alguns avisos. Porém, os avisos mais importantes estavam omissos, em particular, os que indicassem que a época balnear tinha terminado em Setembro e que não haveria a existência de nadadores-salvadores.

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Sábado, 26 de Abril de 2008, 30ºC, Costa da Caparica.

Com tanto calor, a romaria de milhares de pessoas para os areais da Costa da Caparica foi inevitável. Como ainda se está longe da abertura da Época Balnear Oficial, para uma extensão de 30Km de costa, desde a Trafaria ao Cabo Espichel, foram destacados quatro homens – dois da Polícia Marítima e dois voluntários do Instituto de Socorros a Náufragos.

Em resumo, na praia da Sereia, três rapazes com idades entre os 16 e os 18 anos estavam com dificuldades em sair da água, mas foram resgatados a tempo. Pouco depois, na Nova Praia, duas raparigas com 12 e 13 anos tiveram de ser socorridas em situação semelhante. Por fim, um jovem de 21 anos, não teve a sorte de ser resgatado e acabou por morrer afogado.

Os responsáveis por este conjunto de acontecimentos terão sido uns agueiros, criados pelas condições singulares do mar nesse dia, e que causavam correntes muito fortes. Segundo uma fonte da Polícia Marítima, a sucessão de afogamentos nas praias da Caparica deve-se ao desconhecimento das “características do mar naquela zona” «Em condições normais, hoje estaria bandeira amarela, pelo menos, o que evitaria alguns dos afogamentos. Mas sem nadador salvador não há informação e as pessoas arriscam sem se aperceber do perigo que estão a correr

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O que diz a lei.

De acordo com a lei, os concessionários das praias só estão obrigados a contratar nadadores salvadores durante a época balnear oficial.