“Shooting the messenger”

2009 Novembro 25
por bluewater68

No passado, os Media eram considerados elementos neutrais em tempo de guerra. Teriam um papel semelhante aos dos paramédicos, já que, para o senso comum, eles não procuravam a vitória, mas apenas salvar vidas ou mostrar ambos os lados da notícia.

Fadel Shana’a era um famoso cameraman da agência de notícias Reuters. Ele encontrava-se na zona Leste da Faixa de Gaza, a investigar denúncias de palestinianos que alegavam ter sido feridos na sequência de um ataque Israelita. No regresso da aldeia, após parar o Jeep para recolher mais imagens, o qual estava perfeitamente identificado com as palavras “Press” e “TV”, Fadel e outros três que o acompanhavam foram mortos por um projéctil disparado de um tanque Israelita.

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A tentativa deliberada de alvejar os repórteres em zona de guerra, será um fenómeno que deverá ter começado no conflito dos Balcãs, em 1990. Quando as atrocidades cometidas pelos Sérvios, Bósnios e Croatas foram filmadas de divulgadas, os Media ficaram sob desconfiança, acusados de apoiarem uma facção em detrimento das restantes.

Uma mudança significativa terá acontecido durante a segunda invasão do Iraque em 2003, onde, sob a desculpa da protecção dos jornalistas, os militares passaram a levar os Media nas suas missões. Um conceito que se poderá designar por “Incorporação”, e que significava que os jornalistas iriam onde os militares queriam que eles fossem, e veriam apenas aquilo que eles queriam que eles vissem, podendo-se considerar uma forma subtil de obrigar os Media a apenas reportarem aquilo que os militares deixassem que fosse reportado.

Ser repórter no Iraque sem estar ‘incorporado’ numa missão do exército, era um risco que se podia pagar com a vida. Terry Lloyd, um repórter veterano, juntamente com a sua equipa, eram dos poucos a operar dentro do Iraque sem dependerem do exército para a escolha das reportagens. Apanhados sob fogo cruzado, Terry e mais dois, foram mortos por erro num ataque de soldados americanos.

Em todo o mundo, o medo de rapto dos jornalistas, tem vindo a ser substituído pelo medo de acções de intimidação. Que o digam todos aqueles que tentam ser jornalistas na Rússia.

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Para muitos jornalistas ou cameraman, a Faixa de Gaza, densamente povoada, será dos locais mais perigosos para fazer reportagens. Tanto Palestinianos como Israelitas têm perfeita noção do poder de propaganda das imagens. Fadel Shana’a já tinha tido uma má experiência anterior. Ao se deslocar a uma aldeia para filmar a destruição resultante de uma explosão, o seu Jeep foi atingido por um míssil disparado de um helicóptero Israelita. As palavras “Press” e “TV”, pintadas no veículo, não o protegeram desse ataque, tendo sofrido ferimentos graves.

Hoje em dia, ser jornalista em cenários de guerra, obriga a ter a noção que aqueles que têm muito a esconder, tudo farão para que a verdade não seja conhecida, mesmo que isso obrigue a matar o mensageiro.

Shooting the Messenger” é um documentário da Al Jazeera, que fala morte ou intimidação deliberada de jornalistas em zonas conflito, tendo sido nomeado para um prémio Emmy.

  • “Shooting the Messenger” – Parte #1
  • “Shooting the Messenger” – Parte #2
  • “Shooting the Messenger” – Parte #3
  • “Shooting the Messenger” – Parte #4

 

Fadel Shana’a

Eu não posso desistir do jornalismo. Só duas coisas me podem parar – se eu morrer, ou perder as pernas (Fadel Shana’a)

Os Vibradores são a segunda causa dos acidentes domésticos

2009 Novembro 25
por bluewater68

A Playboy anda a criar inquietações na harmonia da sociedade

2009 Novembro 24
por bluewater68

Se bem entendi a capa do “24 Horas”, o Camilo de Oliveira não terá gostado de saber que a Cristina Areia posou para a Playboy. Talvez não tenha gostado de a ver num poster colado na oficina onde vai mudar o óleo do seu carro. E vai daí, começou a fazer-lhe a vida negra, alegando, digo eu, que ela já não teria lugar no elenco pelo facto do seu mecânico a ter visto visto nua. Ela foi fazer queixa ao pai, e o senhor Areia terá tido vontade, digo eu, de ir ás trombas ao ‘mestre da comédia’.

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Recorde-se também o que sucedeu a Cláudia Jacques, que em Maio deste ano foi capa da Playboy. Uma semana depois de a revista ter chegado às bancas, foi despedida com a justificação "Ela não avisou a empresa de que ia posar nua", segundo uma fonte da ‘Henry Cotton’s’, do Porto, para a qual ela trabalhava como vendedora. Como se isso não bastasse, a própria veio mais tarde acusar a Playboy de má fé, alegando que o contrato estabelecia um pagamento de 5000€, 15 dias após a publicação da revista, e que o restante – supostamente uma quantia de 15.000€ – seria pago no prazo de dois meses, coisa que não terá acontecido.

Esta revista tem andado por cá a mostrar produções que, quando comparadas com outras edições noutros países, deixam muito a desejar. Li no Bitaites, «Somos um país demasiado pudico e não acredito que alguma vez a revista tenha dinheiro para despir verdadeiras celebridades: por enquanto, vejo-a condenada a pescar nas margens e a viver apenas da força do título». Mesmo assim, com tão pouca ousadia, parece andar a inquietar a harmonia da nossa sociedade.

Um Levi Levado da Breca

2009 Novembro 23
por bluewater68

Decorria o ano de 2008, e a corrida às presidenciais nos EUA estava ao rubro. No caso dos Republicanos, um fenómeno chamado Sarah Palin atraía todas as atenções, tendo chegado mesmo a eclipsar o John McCain, principal candidato do partido. Só que a Palin, além de ser uma nódoa nas entrevistas – dando respostas que a tornaram motivo de chacota mundial – tinha também uns episódios, como Governadora do Alasca, e uns casos familiares, que deveriam ficar longe dos Media. É que nisto da política, tudo o que é podres e imagens menos imaculadas, devem ser varridos para debaixo do tapete.

Entre vários problemas, o pain in the ass de Sarah Palin tinha um nome: Levi Johnston, um adolescente típico do Alasca – ou lá o que isso possa representar – que gostava dos filmes da saga ‘Porkys’, jogar Hóquei, acampar com os amigos ou disparar contra coisas. Numa já extinta página no MySpace, Levi apresentava-se assim:

Levi Johnston

“I’m a fuc.kin’ redneck who likes to snowboard and ride dirt bikes. But I live to play hockey. I like to go camping and hang out with the boys, do some fishing, shoot some shit and just fuckin’ chillin’ I guess.”

Nessa página, também confessava ‘estar numa relação’, onde ‘filhos’ seria a última coisa que lhe passaria pela cabeça. A verdade é que esse inspirado discurso de Levi terá sido capaz de colocar borboletas na barriga de Bristol Palin, uma das filhas de Sarah Palin. E as borboletas foram tantas ou tão poucas, que um pequeno descuido foi responsável por fazer aumentar a família da Caçadora de Caribus.

Complicado. Ou melhor, complicado para alguns, simples para a Palin ou para a máquina eleitoral republicana. Um corte de cabelo, uma camisola de lã e o miúdo estava pronto para receber o McCain no aeroporto, num ambiente de enorma harmonia no seio da família Palin.

Levi Johnston, John McCain, Sarah Palin

E que coisa melhor do que vestir um fato no miúdo, que até tinha boa pinta, e levá-lo à Convenção dos Republicanos? E se ele tivesse demonstrações de afecto que tornassem inegável um casamento a curto prazo? Melhor ainda.

Levi Johnston

O único senão nisto tudo talvez tenha sido o pormenor dos Republicanos não terem ganho as eleições. Não há coincidências, mas poucos meses após o nascimento em Dezembro do neto da Palin, o miúdo terá achado que era tempo de terminar com aquela encenação e disse adeus à Bristol, ao clã Palin, aos republicanos e ao diabo que os carregue a todos. Consequência ou não das pressões a que esteve sujeito, ou coisa típica dos seus 19 anos, Levi achou que deveria tentar uma carreira no mundo do espectáculo, fosse ele qual fosse.

E assim, porque não começar com uma sessão na Playgirl? Sim, porque não?

Levi Johnston(quem tiver interesse, tem aqui outras mais…) 

Creio ter lido que terá recebido $100.000 pela sessão. Nada mau.

A ousadia de Levi caiu muito mal no clã Palin, que já estava de ponta com ele por causa de várias declarações pouco abonatórias. Numa das vezes, Levi especulou que Palin terá abandonado o cargo de Governadora do Alasca por motivos que envolviam problemas no casamento, por pressões do próprio cargo ou pelos lucros que poderia obter pela venda do livro ou em entrevistas. Também especulou sobre a intenção de Palin em esconder a gravidez de Bristol, para que o seu próprio neto passasse depois por uma criança adoptada que ela iria cuidar como se fosse sua, algo que terá sido recusado por Levi e Bristol.

Sarah Palin, que não dedicou uma única linha no seu bestseller para falar de Levi , veio dizer no programa da Oprah que é "um bocado doloroso" ver o caminho tomado pelo pai do seu neto.  Sobre a sessão fotográfica na Playboy, Palin acrescentou, "Eu chamo isso de pornografia". Defensora do Criacionismo e mantendo a pose que só ela sabe ter, mesmo quando solta gafes  inenarráveis, Palin rematou um condescendente "Tenho esperança que tudo correrá pelo melhor e irei orar por Levi".

Pelo rumo das coisas, parece evidente que Levi não terá lugar à mesa do clã Palin no Dia de Acção de Graças, mas certamente iremos continuar a ouvir falar deste Levi levado da breca, com aspirações no mundo do espectáculo.

(O meu agradecimento à Branca que me alertou para a sessão ‘pornográfica’ do Levi)

A Plastificação no Masculino

2009 Novembro 22
por bluewater68

Estive a ver o “Anjos e Demónios”. Filme à parte, venho falar do Tom Hanks, um actor nascido em 1956, o qual deveria aparentar os efectivos 53 anos de existência à face da Terra. Mas não é o caso.

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No princípio do filme, vê-se um tipo a nadar a bom ritmo, fazendo-me suspeitar que o Michael Phelps tenha feito de duplo no filme. Quando o tipo sai de dentro da água, vemos que se trata do Tom Hanks. Nada de especial, não fosse o facto de estar magro, com um físico quase tão invejável como o de José María Aznar, de 56 anos, que este Verão deixou todos de boca aberta. Elas por acharem que aquele “Abdominatrix” estaria bem para fazer um Strip, e eles com vontade de lhe bater, com inveja de um físico que nunca atingirão. Ou melhor, o Aznar falou em qualquer coisa como 2000 abdominais por dia (tanga [cof] [cof]), mas cá para mim, há ali muita Corporation Dermoestetica ou intervenções cirúrgicas que apenas estão ao alcance de uma elite.

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O Tom está magro e muito longe de aparentar 53 anos. Ele não tem rugas nem papos, e a sua face parece ter sido alisado a Botox, como se fosse feito de plasticina. Porque alguém aqui em casa gosta de ver, eu vou acompanhando a elogiada “Vila Moleza”, onde os humanos mais parecem bonecos. Ao olhar para o Tom, parecia que estava a ver o Robbie Rotten no meio do Vaticano a lutar contra os Illuminati.

Opinião, talvez injusta, de quem sabe que não irá entrar, por não poder ou querer, em operações de plastificação, mas prefiro ver homens e mulheres a envelhecerem com rugas e papos, do que deparar-me com artificialidades de resultado ou gosto discutíveis.

 

Um processo de paz sob constantes desafios

2009 Novembro 20
por bluewater68

Entre os muitos problemas com que se debate o povo palestino, some-se também a água, ou o direito ao acesso à mesma, em quantidade e qualidade adequadas. Faqua é uma aldeia palestiniana sem um sistema de abastecimento de água ou saneamento, e sem qualquer perspectiva de alteração dessa situação nos tempos mais próximos. Existem crianças com diarreias crónicas, em consequência da água que bebem. Os pais compram a água que chega à aldeia transportada em camiões-cisterna, sabendo que ela não estará nas melhores condições para consumo humano. A questão é que não têm alternativa.

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Nessa aldeia, os mais velhos sabem que a maioria das origens subterrâneas foi tomada por Israel em 1948, quando o estado foi fundado. Em 1990, como parte dos acordos de paz de Oslo, foi criado um comité israelo-palestiniano para a gestão da água, só que, os palestinianos afirmam que Israel torna quase impossível a abertura de novos poços ou a utilização da rede de distribuição de água de Israel. De acordo com um relatório do Banco Mundial de 2009, Israel mantém 80% da água obtida nos aquíferos de montanha para os cidadãos israelitas, sendo a restante destinada aos palestinos, o que é claramente insuficiente. A água é escassa, de má qualidade e vendida a preços elevados, fazendo com que os cidadãos palestinos reservem o seu dinheiro para a adquirir, em detrimento de alimentos ou electricidade. E terrenos que antes eram verdes, estão agora secos, pois a agricultura – um dos principais meios de subsistência nas aldeias da palestina – necessita de água.

Do outro lado da fronteira, Israel argumenta que o problema está na má gestão da água por parte das entidades palestinas com responsabilidade nessa matéria. Uma versão que os grupos dos Direitos Humanos contradizem, alegando que Israel disponibiliza água em quantidade e qualidade suficiente para todos os israelitas, incluindo os colonos da Cisjordânia, sendo apenas o restante partilhado com os palestinianos.

palestinaUm relatório da Amnistia Internacional revela que o consumo de água médio diário palestino atinge os 70 litros por dia, comparado com os 300 litros dos israelitas. Mais grave ainda, em alguns casos, esse valor mal atinge os 20 litros por dia, o mínimo recomendado, mesmo em situações de emergência humanitária. Por curiosidade, no topo dos consumos, estão os americanos, que gastam em média, cerca de 3 vezes mais água que os restantes habitantes do planeta. Quando comparado com o consumo no Gana, esse valor é 70 vezes superior.

 

Segundo a Amnistia Internacional, enquanto os colonos israelitas na Cisjordânia usufruem de jardins e piscinas, os palestinianos estão sujeitos a um conjunto de medidas que os descriminam, nomeadamente:

  • O controlo total da água no rio Jordão e a utilização de 80% da água obtida num dos principais aquíferos;
  • Proibição de abrir novos poços sem autorização de Israel, a qual é muitas vezes impossível obter;
  • Destruição de cisternas de armazenamento de água da chuva, as quais são algumas vezes usadas para tiro ao alvo;
  • Danos causados na infra-estrutura de água, causados pela invasão de Gaza no início de 2009, os quais se estimam em 6 milhões de dólares.

Mark Regev, o porta-voz do governo israelita, rejeitou todas estas acusações e alegou

Os palestinianos têm recebido milhares de milhões de dólares em ajuda internacional durante a última década e meia. Porque não investem na sua própria infra-estrutura de água?

E se a falta de água pode ser motivo para pegar em armas, então, a atitude de desafio de Israel por anteriores resoluções ou acordos, não ajudará a acalmar os ânimos. Desta vez, foi o anúncio que Israel terá autorizado a construção de 900 fogos de habitação em Gilo, na zona ocupada de Jerusalém Oriental, anexada por Israel na guerra de 1967, ignorando-se assim um pedido do enviado dos EUA ao Médio Oriente, que junto de Binyamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, tinha solicitado a paragem desse processo. Recorde-se que sob a Lei Internacional, todas as construções nos territórios ocupados são ilegais.

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Nas palavras de Robert Gibbs, o secretário de imprensa da Casa Branca: "No momento em que estamos a trabalhar para relançar as negociações, estas acções tornam mais difícil o sucesso dos nossos esforços". Este anúncio de Israel acaba por dar força aos argumentos dos Palestinianos de que o governo de Israel não estará empenhado em atingir uma solução de dois estados, até porque, nem sequer reconhece a zona Oriental de Jerusalém como terra ocupada.

A somar a estas posições de desafio de Israel, um documentário britânico veio alegar que qualquer futuro governo conservador em Inglaterra, será desproporcionalmente influenciado por um poderoso lobby israelita existente no país. Pelo menos metade dos membros do gabinete-sombra conservador, farão parte do Conservative Friends of Israel (CFI), um de uma série de organizações de lobbies pró-Israel, existindo a suspeita que nos últimos 8 anos, o Partido Conservador tenha recebido cerca de 17 milhões de dólares do CFI. Seria interessante saber quantos lobbies deste tipo existem nos EUA a influenciar o Congresso.

Por causa de tudo isto, é fácil perceber que a Palestina tem fracos argumentos na luta pelos seus direitos.

Pai Natal, eu quero um Hexatech

2009 Novembro 20
por bluewater68

Uma coisa é um banco semelhante aos dos carros de Rallye, aparafusado a uma estrutura metálica, onde se ligam uns pedais para acelerar e travar, um volante e uma caixa de velocidades, onde o jogador se senta para interagir com o jogo que é projectado numa televisão.

Outra coisa bem diferente, é um banco semelhante aos dos carros de Rallye, aparafusado a uma estrutura metálica, com 6 graus de liberdade ou rotação, onde se ligam uns pedais para acelerar e travar, um volante e uma caixa de velocidades, onde o jogador se senta para interagir com o jogo que é projectado em 3 televisões de 42’’. Tudo isto conhecido por Hexatech, comercializado pela Cruden.

O primeiro exemplo eu não sei quanto custa, mas no caso do Hexatech, sei que ronda os 134.000€.

Although easy to operate, this is the exact same equipment used by the top racing drivers and engineers to improve their racecraft and evaluate new tracks and car settings

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O Bosão de Higgs e os investimentos do Benfica, são duas coisas difíceis de entender

2009 Novembro 20
por bluewater68

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Parece óbvio a qualquer pessoa que nisto das transferências do futebol, e não só, se deve comprar por pouco e vender por muito. É lógico. E nesta temporada, o Benfica até consegue estar bem posicionado para fazer excelentes negócios, caso do Di Maria, do Fábio Coentrão e de mais alguns. Não que sejam todos para vender, mas existem muitas alternativas que podem permitir ao Benfica encaixar bastante dinheiro.

O Simão foi durante muito tempo a pérola do Benfica. Mas a idade de um jogador e uma lesão mais prolongada, podem deitar a perder as aspirações a grandes negócios. Aos 27 anos, Simão foi vendido ao Atlético de Madrid por 20 milhões de Euros. Terá sido um bom negócio, na altura certa.

O Di Maria é a nova pérola. Diz o Record que a sua venda permitiria trazer de volta o Simão? Um jogador que o Atlético de Madrid poderá manter no plantel até ao Mundial, para também tentar fazer um bom negócio? E não existem mais opções no mercado, de jogadores jovens? Custa-me entender estes investimentos, onde se vende uma mais valia por X, para dois anos a seguir se tentar comprar o mesmo bem por Y, mesmo que Y seja menor que X. Até porque, o rendimento de um jogador interessado em ser vendido, é muito diferente de um jogador já a pensar onde irá terminar a carreira.

Um Gaulês com mão abençoada

2009 Novembro 19
por bluewater68

Coisas diferidas do 11 de Setembro

2009 Novembro 17
por bluewater68

Os acontecimentos trágicos, sejam um acidente rodoviário ou um evento como o 11 de Setembro, têm efeitos que nunca ficam restritos à data e hora em que sucederam. Existem os feridos, com marcas físicas e psicológicas para o resto da vida, existe a dor que não se apaga dos que perderam um familiar ao amigo, e existe o desejo de justiça que tarde ou nunca aparece.

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Uma notícia publicada no Guardian, dava conta de uma série de mortes de bombeiros e polícias, que tinham como elo comum o facto de terem estado envolvidos nas operações de emergência e salvamento no Ground Zero, logo após o 11 de Setembro. Esses acontecimentos fizeram aumentar os receios de que poderia ser o início de uma epidemia de doenças relacionadas com o cancro. Nos últimos 3 meses, morreram 5 bombeiros ou polícias de cancro, sendo o mais velho de apenas 44 anos. Salienta-se que não existe uma contagem oficial do número de pessoas que morreram por influência de terem estado nas operações do Ground Zero, mas o Departamento de Saúde do Estado de Nova Iorque avança com 817 mortes.

O Congresso dos EUA tem estado sob pressão para aprovar uma legislação que permita a ajuda federal para os trabalhadores de emergência que contraíram doenças directamente relacionadas com o 11 de Setembro. Essa lei iria permitir criar um fundo de 10 mil milhões de dólares, para ajudar centenas de pessoas que agora padecem de cancro, doenças respiratórias, ou outras doenças ligadas aos trabalhos que decorreram nos destroços do World Trade Center (WTC).

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É preciso recordar que houve um total de 70.000 pessoas a participarem nas operações no Ground Zero, incluindo polícias, bombeiros e trabalhadores da construção civil, a maioria deles vindos de forma voluntária de todas as partes do país, havendo muitos que trabalharam durante meses no meio de uma sopa tóxica de poeira e produtos químicos, que incluía 1.000 toneladas de amianto que tinha sido utilizado na construção das Torres Gémeas, chumbo de computadores pulverizados, mercúrio e subprodutos da queima de plásticos e químicos clorados, todos altamente cancerígenos.

A “911 Police Aid Foundation”, uma fundação de apoio gerida por e para os polícias doentes, afirma que tem ajudado mais de 100 funcionários que trabalharam no Ground Zero e que agora têm cancro. Esta fundação tem recebido novos casos, a uma taxa de cerca de um por semana, muitos dos quais são extremamente raros em pessoas bastante novas.

Por isso, talvez não seja correcto afirmar que os mortos do 11 de Setembro rondaram os 3000. O número verdadeiro será superior, consequência das mortes que se seguiram a 11/09/2001. Estes bombeiros e polícias que não hesitaram em ajudar no Ground Zero, talvez ainda pudessem estar vivos junto das suas famílias, caso não tivessem sido vítimas indirectas do acto terrorista que sucedeu nesse dia. Oito anos depois, que justiça foi feita?

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A administração de Obama anunciou a semana passada, através do procurador-geral Eric H. Holder Jr, que irá levar Khalid Shaikh Mohammed a julgamento num tribunal federal de Manhattan, localizado a poucos quarteirões do Ground Zero. Este foi um anúncio polémico, que despertou um intenso debate político, mas que pretende ser um passo em frente na resolução de um impasse relacionado com a detenção sem julgamento de suspeitos de actos terroristas. O procurador-geral também anunciou que se vão procurar obter sentenças de morte para Khalid Mohammed, identificado como o mentor do 11 de Setembro, bem como para mais 4 detidos, identificados como co-conspiradores.

Esta decisão de trazer 5 detidos do 11 de Setembro para Nova Iorque, e de os julgar no sistema jurídico cível, trouxe grande agitação ao Congresso, e preocupou os parentes das vítimas ou moradores nas imediações do tribunal onde será efectuado o julgamento. As vozes discordantes alegam que os suspeitos da Al-Qaeda não merecem a protecção legal proporcionada pelo sistema de justiça criminal dos EUA; que existe o receio de aumentar o risco de outro ataque terrorista; que os julgamentos pelo sistema jurídico cível aumentam o risco de revelar informações confidenciais; e que, se os detidos fossem absolvidos, ironicamente, poderiam ser libertados no local dos atentados.

Khalid Mohammed poderá ser efectivamente o mentor do 11 de Setembro, assim como de muitos eventos terroristas relevantes. Recorde-se que ele ‘confessou’ ter tido um papel no ataque ao World Trade Center, em 1993; nos atentados aos clubes nocturnos de Bali; na decapitação do jornalista Daniel Pearl, entre outros eventos. Mas a que preço foi obtida essa confissão? Khalid Mohammed foi capturado a 1 de Março de 2003 em Rawalpindi, Paquistão. Nos anos seguintes ele foi mantido prisioneiro em prisões secretas sob gestão da CIA, onde terá sido sujeito a inúmeras sessões de interrogatório, sendo 183 delas com recurso ao waterboarding. Em 2006 foi transferido para Guantanamo, onde se encontra até à data presente.

NA/TORTURE

Neste ponto seria interessante fazer o seguinte exercício mental. Tentar imaginar o que será passar uns 1000 dias enfiado numa prisão secreta, sem visitas de qualquer espécie, incluindo advogados, sem qualquer saída ao exterior, sujeito a interrogatórios consecutivos, muitos deles com recurso a técnicas consideradas ‘actos de tortura’. Pergunto qual seria o ser humano que não estaria disposto a confessar tudo e mais alguma coisa, apenas com o desejo que o martírio terminasse. Deverá a sua confissão ser considerada credível?

Muitos têm esta opinião,

This is where it began. This is where it must end.

Resta então saber se este julgamento irá trazer alguma paz a todos os que, 8 anos após o 11 de Setembro, ainda aguardam por justiça. Algo que certamente não estão a obter com os seus soldados a morrerem no Iraque ou no Afeganistão, sem se encontrar o mais procurado de todos, Osama Bin Laden.